Produção textual – “Utopia” (Fuvest 2016) – Mariana Yanase

Abaixo, vocês poderão ler mais um ótimo texto, a respeito das Utopias (tema da Fuvest-2016). A Mariana Yanase, da 3H1, fez uso de exemplos históricos – desde a Introdução, em forma de ilustração – para comprovar sua tese: de que as Utopias são indispensáveis.
Atenção também ao belo título formulado pela Mariana! O “farol” é, para as embarcações, um guia, um elemento que lhe dá norte… É um título supersugestivo, portanto!

O Farol

                No ano de 1789, a sociedade francesa foi agente de um dos maiores acontecimentos da história contemporânea. Munido pelo lema: “Liberdade, Fraternidade, Igualdade”, o povo francês, cansado dos constantes abusos cometidos pela realeza e sua nobreza parasitária, iniciou uma revolução que objetivava a formação de uma sociedade justa e igualitária, mas sobretudo feliz. Casos como a Revolução Francesa enquadram-se em utopias que, inegavelmente, além de serem almejadas, são indispensáveis.

                O termo “Utopia” (de eu-topia, lugar feliz) caracteriza-se pela presença de um ideal que é capaz de conduzir um grupo de pessoas a sua realização. Assim, sua ausência traz consequências indiscutivelmente negativas. Sua desaparição representa à sociedade a perda de objetivos e da possibilidade de mudança, o que faz com que a realidade passe a ser vista como algo imutável. Essa consciência, causada pela falta de um ideal, faz com que a humanidade, nas palavras de Karl Mannheim, torne-se “um mero produto de impulsos”, dispersando todas as possibilidades de realização de significativas mudanças. Logo, a sociedade passa a andar a esmo, sem objetivos e, principalmente, sem conquistas.

                É verdade que, por se tratar de uma idealização e tendo em vista que a perfeição é inatingível, muitos consideram “Utopia” algo dispensável e até mesmo inútil. Entretanto, esquecem-se de que elas configuram aquilo que norteia a realização de um objetivo, Apesar de poderem não ocorrer plenamente, inúmeras são as conquistas obtidas em busca de sua completa realização. Desde lutas para acabar com o racismo e com a segregação negra na sociedade americana, que resultaram no direito ao voto negro em 1965, aos conflitos ocorridos em 1830 no território europeu que buscavam coibir a intensa repressão sofrida pelas monarquias totalitárias, todos foram norteados por ideais, que, apesar de não terem sido completamente atingidos, melhoraram a situação até ali vigente.

                Por conseguinte, as utopias são essenciais à humanidade, pois, além de representarem múltiplas possibilidades de mudança, mobilizam e guiam a sociedade para uma situação melhor.

Mariana Yanase Barbosa (3H1)

Produção textual (Lab. de Redação – 3as séries): Geórgia Faria

Abaixo, vocês poderão ler um ótimo texto sobre as Utopias, tema proposto pela Fuvest-2016. A colega Geórgia, da 3H1, apresentou um texto com ótimas qualidades: linguagem fluente, ideias bem encadeadas, informatividade (menção ao nazismo e a Gandhi, além de Maquiavel) e ótimo uso da coletânea (Thomas More, Karl Mannheim, Rouvillois). Vale a leitura!

 Dois lados da mesma utopia

          O conceito de utopia data de 1516 e sua criação é atribuída a Thomas More, que deu o nome de Utopia a uma ilha imaginária perfeita. Com o passar do tempo, esse mesmo termo passou a abranger também o sentido de qualquer ideal, seja ele político, social ou religioso, que projeta uma nova sociedade perfeita. A respeito desse tema, é válido afirmar que utopias são indispensáveis na vida dos seres humanos. No entanto, se isso é verdade, também é lícito dizer que essas utopias podem ser nocivas.

          Viver uma vida visando alcançar uma utopia é viver uma vida de esperança. Sem ela, o ser humano não vive, não faz história, não busca conhecimento, não caminha para frente. Essa tese é ratificada por Karl Mannheim, que diz que o homem sem nenhum ideal acaba por se tornar um mero produto de impulsos. Um exemplo da importância de se ter uma utopia pode ser encontrado em Gandhi. Ele, por acreditar que os indianos mereciam uma vida melhor, comoveu toda a população de seu país e fez com que ela lutasse pela sua independência da então metrópole Inglaterra. Ou seja, foi o ideal de Gandhi de um lugar perfeito que fez com que a Índia conseguisse a sua independência.

          Todavia, é necessário cuidado ao se tratar de utopias, já que elas podem representar projetos totalitaristas e até genocidas. Frédéric Rouvillois afirma que a utopia suscita esses horrores e que o homem que visa a ela se utiliza de meios terríveis e uma justificativa maquiavélica: os fins justificam os meios. Para exemplificar as ideias de Rouvillois, cabe a citação de Hitler e dos horrores provocados pelo nazismo. Esse líder alemão, com ideal de uma Alemanha poderosa e reerguida da 1.a Guerra Mundial, e também com o ideal de uma sociedade perfeita composta pela “raça” ariana, adotou o nazismo como sua política, a qual pregava a superioridade de tal “raça” e o antissemitismo. Assim, não cabia a ninguém a contestação de tal crença, mas tão somente assistir enquanto milhares de judeus eram arrancados de suas casas e levados aos campos de concentração, de onde nunca sairiam, ou sairiam com terríveis marcas e histórias.

          Em suma, é evidente a indispensabilidade das utopias como motor que impulsiona os homens a atingirem seus ideais. Porém, que os perigos de sua busca sejam considerados e bem pensados, visando a não torná-las nocivas a ninguém.

Geórgia Parreira Faria, 3H1

Textos-modelo (Aula 7)

Caros alunos, abaixo vocês poderão ler dois textos muito adequados e bem escritos, formulados na nossa aula 7 (aquela, cuja proposta era a de escrita de uma resenha – uma proposta da Unicamp de 2016).

Percebam que um bom texto não tem segredo. Em ambas as produções, o que fica bem perceptível são o cumprimento de cada uma das solicitações feitas pela Unicamp e a adequação à situação comunicativa (um estudante que participava de um concurso de resenhas, e que redige um texto sobre uma fábula de La Fontaine).

Parabéns, Cinthia e Marina!

Boa leitura, todos os alunos!

1.o texto – autora: Cinthia Maeda (turma 3B2)

La Fontaine, na fábula “A Deliberação Tomada pelos Ratos”, leva o leitor a conhecer a história do gato Rodilardo e dos ratos que eram obrigados a dividir com ele o espaço em que viviam. Após um terrível massacre cometido pelo felino, os poucos ratos remanescentes passaram a viver acuados, receosos de servirem como alimento para Rodilardo. Quando o gato se retirou para namorar, os roedores reuniram-se para refletir como lidariam com a situação em que se encontravam. Finalmente, chegaram à conclusão de que era preciso que se amarrasse um guizo no pescoço de Rodilardo, advertindo, assim, sua presença. A ideia, apesar de aclamada, não obteve voluntários que a colocassem em prática, uma vez que todos os ratinhos esquivaram-se da tarefa.

No espaço social, é possível observarem-se diversas situações semelhantes à retratada por La Fontaine, em sua fábula. A questão das sacolinhas plásticas distribuídas pelos supermercados é um exemplo. Era convencionado, até recentemente, que os supermercados fornecessem, gratuitamente, sacolas para que os consumidores embalassem produtos, após cada compra. Entretanto, com a crescente conscientização acerca da sustentabilidade, iniciou-se uma discussão sobre a validade do uso das sacolinhas em detrimento da poluição ambiental causada pela produção e pelo descarte inadequado de toneladas de plástico. Grande parte da população brasileira mostrou-se preocupada com a questão e reconheceu sua importância, bem como a necessidade de se encaminhar para uma sociedade mais sustentável. Porém, quando, consequentemente, o governo aprovou uma lei que acabava com a obrigação dos supermercados de fornecer as sacolas sem custo adicional, houve rejeição da ideia por parte dos consumidores, que alegaram ser um absurdo a cobrança pelas sacolinhas e um incômodo usar as retornáveis.

Conclui-se, então, que “A Deliberação Tomada pelos Ratos” aproxima-se da situação do fim das sacolinhas gratuitas nos supermercados brasileiros, uma vez que há o reconhecimento, por parte da sociedade, da relevância de determinadas ações, mas no momento em que é necessário atuar, poucos são os que realmente se esforçam para que a mudança ocorra.

C. T. M.

2.o texto – autora: Marina Hussid de Góes (turma 3B2)

          A fábula de La Fontaine, “A Deliberação Tomada pelos Ratos”, conta a história de Rodilardo, um gato que come ratos. Acuados pelo gato, os ratinhos procuram uma solução para não viverem com o medo de serem devorados. Após uma deliberação, concordam em amarrar um guizo ao pescoço do gato. Ao decidirem quem deverá realizar o trabalho, porém, não há voluntários.
          La Fontaine mostra com essa fábula como, muitas vezes, algo tão discutido e defendido pelas pessoas não é realmente aplicado por estas no cotidiano. Um exemplo disso é o meio ambiente. É consensual que devemos cuidar do planeta e preservá-lo para as gerações futuras, porém, a maioria das pessoas não toma atitudes para que isso se perpetue. Banhos longos, desperdício de recursos naturais, descaso com o descarte de lixo, são pequenas ações cotidianas que as pessoas realizam que vão de encontro com aquilo que defendem.
          Em suma, assim como os ratinhos, as pessoas defendem algo estoicamente, porém não tomam atitudes para que aquilo em que acreditam se concretize ou, ainda, tomam ações contraditórias.
Animal Racional

Texto-Modelo (aula 1) – Cesar Beirão

Neste texto, o colega Cesar Beirão, da turma 3B2, mostra-se contrário à superproteção paterna. Na verdade, Cesar percebe os lados positivo e negativo da (super)proteção.
Como o próprio título já anuncia – e a conclusão retoma -, o autor defende que tudo em excesso faz mal, e que a melhor postura, por parte dos pais, é o equilíbrio… Tal como o conceito chinês do “Yin-Yang”.

Yin Yang

É notável, seja nos artigos publicados na mídia geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

A facilidade de acesso à informação tem como consequência a superproteção dos pais contemporâneos. Com a revolução tecnológica do século passado, informações e notícias passaram a ser veiculadas para a maioria da população, o que inclui os pais, que, na teoria, têm controle sobre os seus filhos até os seus 18 anos. Sabe-se que a mídia possui uma preferência pelas notícias trágicas: assassinatos, roubos, latrocínios, que provavelmente aconteciam em igual ou maior número quando os pais atuais eram jovens. O problema é que, em sua época, a notícia enfrentava maiores dificuldades para ser disseminada. Logo, seus pais eram essencialmente ignorantes em relação aos perigos que o mundo fora de casa oferecia. Portanto, o gradiente de informações obtidas causa a sensação de que, atualmente, tais atrocidades ocorrem em uma quantidade muito maior, o que leva os pais contemporâneos a regular cada vez mais as ações dos filhos.

Muitos pais acham que a superproteção é benéfica para os seus filhos, mas, na verdade, ela os impede de ter novas oportunidades. Não poder sair de casa, ou até mesmo a proibição do uso de redes sociais são atos comuns entre pais que não sabem medir a independência e autojulgamento dos seus filhos. Tais atos podem acarretar problemas posteriores nos jovens, pois a falta de interação com pessoas e situações cotidianas podem levar aquele que sofre a superproteção paterna a se tornar ingênuo e antissocial. Essas características acabam por só aumentar os problemas que os pais estavam querendo evitar, uma vez que as habilidades sociais do jovem foram altamente prejudicadas. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, as chances de obtenção de sucesso são muito menores se não forem apresentadas sociabilidade e malícia. Isso pode ocorrer repetidas vezes, não necessariamente no ambiente de trabalho.

“Tudo em excesso faz mal” é o que dita o senso comum, portanto nem a superproteção e muito menos o total liberalismo são perfeitos para os jovens. O correto é que se ache o equilíbrio que não limite demais o jovem, mas também que não o deixe totalmente liberto, já que, por causa da falta de experiência, ele tende a cometer grandes erros. Por isso, a proteção paterna é importante. Um lado depende do outro para a sua existência assim como o famoso conceito chinês Yin Yang.

Cesar Mortati Beirão (3B2)

Texto-modelo – Aula 1

Caros leitores

O texto redigido pela Isabela Andreotti, da 3B1, também é exemplar! Ao abordar o comportamento protetor dos pais contemporâneos na criação dos filhos, tema proposto na aula 1, ela apresenta, com boa linguagem e coesão, argumentos claros e consistentes a fim de comprovar que a superproteção pode gerar resultados indesejados.

Vale gastar uns minutinhos para ler, analisar, prestigiar e comentar a redação dela!

A coleira da insegurança

                  É notável, seja nos artigos publicados na mídia em geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

Considerando a violência mais grave e frequente de hoje em dia, é apenas lógico que pais supervisionem seus filhos com mais cuidado. Tomar medidas para protegê-los desse mal, como não permitir que vão a determinados lugares da cidade sem a companhia de um adulto, é uma atitude legítima e até uma responsabilidade dos pais, que devem sempre buscar o bem-estar de seus filhos. Os riscos de assalto, sequestro e estupro são altos demais, principalmente na atualidade, em que a internet pode transformar qualquer pessoa em um alvo, já que a exposição de sua vida e de seu dia a dia permite que um criminoso cobice suas posses (ou seu corpo) e saiba onde encontrá-la. Além disso, há casos trágicos de indivíduos armados entrando em escolas e salas de cinema e atirando aleatoriamente, que fortalecem a ideia de que nenhum lugar é verdadeiramente seguro, o que serve de justificativa para proteger os jovens intensamente.

                Porém, por mais que as motivações sejam válidas, superproteger pode ser mais prejudicial do que benéfico. Esse comportamento pode parecer que fará bem ao jovem, mas trará problemas para ele no futuro. Estar constantemente sob cuidado de um responsável faz com que ele não aprenda a realizar tarefas cotidianas sozinho, ou seja, não permite que desenvolva autonomia. Uma pessoa criada dessa forma, frequentemente, buscará auxílio para lidar com situações básicas e sentirá forte insegurança quando se deparar com o desconhecido, tanto pela dependência desenvolvida quanto pela sensação de medo transmitida pelos pais que fazem todo o possível para evitar que ela sofra com a violência das ruas. É o caso, por exemplo, de adolescentes que não sabem usar transporte público porque seus pais, com receio de que encontrem pessoas mal intencionadas na condução, sempre os levam a seus destinos. Assim, a pessoa não se motiva a aprender como conduzir a vida por conta própria e é levada a uma falta de confiança, no mundo e em si mesma, que pode prejudicá-la até no âmbito profissional, causando provavelmente falta de inovação e de iniciativa para desenvolver projetos e uma constante dependência dos colegas e dos superiores para saber quais tarefas realizar e como.

                Dessa maneira, hoje deve haver um cuidado maior em relação aos filhos, mas os adultos não podem permitir que isso acarrete uma criação problemática.