Texto-Modelo (aula 1) – Cesar Beirão

Neste texto, o colega Cesar Beirão, da turma 3B2, mostra-se contrário à superproteção paterna. Na verdade, Cesar percebe os lados positivo e negativo da (super)proteção.
Como o próprio título já anuncia – e a conclusão retoma -, o autor defende que tudo em excesso faz mal, e que a melhor postura, por parte dos pais, é o equilíbrio… Tal como o conceito chinês do “Yin-Yang”.

Yin Yang

É notável, seja nos artigos publicados na mídia geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

A facilidade de acesso à informação tem como consequência a superproteção dos pais contemporâneos. Com a revolução tecnológica do século passado, informações e notícias passaram a ser veiculadas para a maioria da população, o que inclui os pais, que, na teoria, têm controle sobre os seus filhos até os seus 18 anos. Sabe-se que a mídia possui uma preferência pelas notícias trágicas: assassinatos, roubos, latrocínios, que provavelmente aconteciam em igual ou maior número quando os pais atuais eram jovens. O problema é que, em sua época, a notícia enfrentava maiores dificuldades para ser disseminada. Logo, seus pais eram essencialmente ignorantes em relação aos perigos que o mundo fora de casa oferecia. Portanto, o gradiente de informações obtidas causa a sensação de que, atualmente, tais atrocidades ocorrem em uma quantidade muito maior, o que leva os pais contemporâneos a regular cada vez mais as ações dos filhos.

Muitos pais acham que a superproteção é benéfica para os seus filhos, mas, na verdade, ela os impede de ter novas oportunidades. Não poder sair de casa, ou até mesmo a proibição do uso de redes sociais são atos comuns entre pais que não sabem medir a independência e autojulgamento dos seus filhos. Tais atos podem acarretar problemas posteriores nos jovens, pois a falta de interação com pessoas e situações cotidianas podem levar aquele que sofre a superproteção paterna a se tornar ingênuo e antissocial. Essas características acabam por só aumentar os problemas que os pais estavam querendo evitar, uma vez que as habilidades sociais do jovem foram altamente prejudicadas. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, as chances de obtenção de sucesso são muito menores se não forem apresentadas sociabilidade e malícia. Isso pode ocorrer repetidas vezes, não necessariamente no ambiente de trabalho.

“Tudo em excesso faz mal” é o que dita o senso comum, portanto nem a superproteção e muito menos o total liberalismo são perfeitos para os jovens. O correto é que se ache o equilíbrio que não limite demais o jovem, mas também que não o deixe totalmente liberto, já que, por causa da falta de experiência, ele tende a cometer grandes erros. Por isso, a proteção paterna é importante. Um lado depende do outro para a sua existência assim como o famoso conceito chinês Yin Yang.

Cesar Mortati Beirão (3B2)

Texto-modelo – Aula 1

Caros leitores

O texto redigido pela Isabela Andreotti, da 3B1, também é exemplar! Ao abordar o comportamento protetor dos pais contemporâneos na criação dos filhos, tema proposto na aula 1, ela apresenta, com boa linguagem e coesão, argumentos claros e consistentes a fim de comprovar que a superproteção pode gerar resultados indesejados.

Vale gastar uns minutinhos para ler, analisar, prestigiar e comentar a redação dela!

A coleira da insegurança

                  É notável, seja nos artigos publicados na mídia em geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

Considerando a violência mais grave e frequente de hoje em dia, é apenas lógico que pais supervisionem seus filhos com mais cuidado. Tomar medidas para protegê-los desse mal, como não permitir que vão a determinados lugares da cidade sem a companhia de um adulto, é uma atitude legítima e até uma responsabilidade dos pais, que devem sempre buscar o bem-estar de seus filhos. Os riscos de assalto, sequestro e estupro são altos demais, principalmente na atualidade, em que a internet pode transformar qualquer pessoa em um alvo, já que a exposição de sua vida e de seu dia a dia permite que um criminoso cobice suas posses (ou seu corpo) e saiba onde encontrá-la. Além disso, há casos trágicos de indivíduos armados entrando em escolas e salas de cinema e atirando aleatoriamente, que fortalecem a ideia de que nenhum lugar é verdadeiramente seguro, o que serve de justificativa para proteger os jovens intensamente.

                Porém, por mais que as motivações sejam válidas, superproteger pode ser mais prejudicial do que benéfico. Esse comportamento pode parecer que fará bem ao jovem, mas trará problemas para ele no futuro. Estar constantemente sob cuidado de um responsável faz com que ele não aprenda a realizar tarefas cotidianas sozinho, ou seja, não permite que desenvolva autonomia. Uma pessoa criada dessa forma, frequentemente, buscará auxílio para lidar com situações básicas e sentirá forte insegurança quando se deparar com o desconhecido, tanto pela dependência desenvolvida quanto pela sensação de medo transmitida pelos pais que fazem todo o possível para evitar que ela sofra com a violência das ruas. É o caso, por exemplo, de adolescentes que não sabem usar transporte público porque seus pais, com receio de que encontrem pessoas mal intencionadas na condução, sempre os levam a seus destinos. Assim, a pessoa não se motiva a aprender como conduzir a vida por conta própria e é levada a uma falta de confiança, no mundo e em si mesma, que pode prejudicá-la até no âmbito profissional, causando provavelmente falta de inovação e de iniciativa para desenvolver projetos e uma constante dependência dos colegas e dos superiores para saber quais tarefas realizar e como.

                Dessa maneira, hoje deve haver um cuidado maior em relação aos filhos, mas os adultos não podem permitir que isso acarrete uma criação problemática.