Texto-Modelo – Aula 10 (Roberto Amaral)

No vestibular de 2017, uma das propostas de redação apresentadas pela Unicamp foi a seguinte: “Como um(a) aluno(a) do Ensino Médio interessado(a) em questões da atualidade, você leu o artigo ‘A volta de um Rio que faz sonhar’. Sentindo-se desafiado(a) pelos questionamentos levantados no texto, você decidiu escrever uma carta para a Seção do Leitor da revista Rio Pesquisa. Em sua carta, discuta a relação estabelecida pela autora entre o conceito de Brasil cordial e a presença de estrangeiros no Brasil, apresentando argumentos em defesa de um ponto de vista sobre a questão.”

O colega Roberto Amaral, da turma 3H2, formulou a carta que segue. Percebam que ele claramente aponta à sua interlocutora (Lena M. Menezes, autora do artigo) o motivo de sua escrita, sua concordância com o conteúdo do artigo, os motivos de sua concordância; inclusive, Roberto aponta novos fatos que corroboram a visão defendida por Menezes.

São Paulo, 15 de Agosto de 2017

Prezada Senhora Lená Medeiros de Menezes,

            sou aluno do Ensino Médio e tenho um grande interesse por assuntos da atualidade em cenário tanto nacional quanto internacional. Estou escrevendo-lhe, pois não pude deixar de reparar no quanto seu texto, publicado pela revista Rio Pesquisa em setembro de 2012, ainda se mostra atual e digno de questionamento. Acredito que o ponto que a senhora abrange em seu artigo quanto ao fato de que o Brasil talvez não possua a cordialidade que o senso popular costuma estabelecer é extremamente válido.
Em minha visão, acredito que o ponto mais interessante a ser desenvolvido em sua argumentação é a questão da análise histórica fugindo do estereótipo de que o povo brasileiro é extremamente hospitaleiro, apontando, por exemplo, o episódio da expulsão violenta de estrangeiros na Primeira República. Afinal, é impossível a visão do povo ter mudado por completo em pouco mais de 80 anos. Na minha opinião, os seres humanos agem, na grande maioria das vezes, movidos por interesse e o caso da aceitação brasileira com estrangeiros não é diferente. Por exemplo, nos tempos do “boom” econômico promovido com mais força no governo Juscelino Kubitschek, o país precisava de mão de obra e mercado consumidor, logo era um excelente anfitrião para os chamados “gringos”. Porém, hoje são outros tempos, nos quais o mundo vive com constante medo de se abrir para pessoas diferentes e com discursos de ódio contra imigrantes e refugiados em diversas potencias mundiais. Isso se dá em parte pelo medo e em parte pela superpopulação que tem gerado o desemprego.
Vim escrever-lhe pois enxergo seu questionamento amplamente válido como crítica e penso que a senhora deveria continuar questionando este estereótipo em busca de mudanças de cenário migratório que se tornou desfavorável no cenário brasileiro atual.

Atenciosamente,
R.S.A.