Aula 9 (PUC-SP): material extra

Atenção, atenção! Na próxima quinta-feira (08/06), as turmas de Laboratório de Redação irão discutir a respeito das expectativas geradas pela posse da ministra Cármen Lúcia como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para vocês “mitarem” na redação que irão elaborar, confiram, além da coletânea presente na proposta, o seguinte material:

a) uma entrevista de Cármen Lúcia ao programa Roda Viva, da TV Cultura, cerca de um mês depois de assumir o cargo de presidente do STF;

b) informações sobre a função do STF.

Boa leitura e boa aula, queridos!

Texto modelo da aula 3 – Livia Shimura

Aqui está mais um texto da aula 3 para vocês apreciarem. Notem como a Livia, da 3B2, empregando boa linguagem e organização, critica o uso de animais em experimentações científicas. Para dar consistência à defesa de sua tese, a aluna vale-se de exemplos concretos, o que torna o texto mais persuasivo.

Boa leitura!

Ciência Ética

Livia Shimura

Grande parcela da população mundial, assim como indústrias atuantes em diversos âmbitos, são favoráveis ao uso de animais em experimentações científicas. Esses indivíduos argumentam que a espécie humana, por ser mais importante do que os demais seres vivos, deve subordiná-los aos seus interesses. Submeter os animais a testes extremamente cruéis, entretanto, é antiético e nem sempre leva aos resultados desejados, causando sofrimento desnecessário.

Os animais sentem dor assim como os seres humanos e é cruel fazê-los passar por condições que são consideradas desumanas. Presos por dias em jaulas pequenas, cães, gatos, macacos, ratos, coelhos e mais uma longa lista de animais são cobaias de testes de produtos, como os cosméticos, que podem causar queimaduras, entre outras irritações, na pele. Em casos mais graves, esses animais desenvolvem cânceres e vivem com essas doenças e dores até a morte ou até serem sacrificados.

Apesar disso, esses animais que são forçados a passar suas vidas em laboratórios ainda são vistos por muitas pessoas como um “pequeno dano colateral” para um bem maior. Porém, esse “bem maior” muitas vezes chega a não ser atingido. Animais, apesar de possuírem algumas características extremamente semelhantes aos seres humanos, nem sempre respondem a tratamentos da mesma maneira. É importante lembrar que os animais podem possuir uma fisiologia muito diferente daquela dos seres humanos. O vírus da AIDS, o HIV, por exemplo, surgiu a partir de um vírus chamado SIV, que é altamente mutante, em macacos. Apesar de inofensivo para os macacos, a AIDS pode ser fatal para o seu parente evolutivo mais próximo, o ser humano.

Medicamentos e produtos que funcionam em animais podem ser extremamente perigosos aos seres humanos, causando danos irreversíveis para as pessoas e sofrimento desnecessário aos animais que serviram de cobaia. Um bom exemplo é o da droga TGN1412, um anticorpo monoclonal, produzido por um único clone, que foi testado em humanos em 2006 no Northwick Park Hospital, Reino Unido. A droga tinha sido previamente testada em macacos com doses 500 vezes maiores. Porém, esses testes fracassaram em prever a falha no funcionamento de diversos órgãos nos seres humanos que, segundo médicos, podem desenvolver doenças autoimunes e cânceres por causa do TGN1412.

Assim, perante tais fatos, é possível chegar à conclusão de que os animais não merecem ser maltratados às custas dos seres humanos. Além da crueldade, diversos campos da ciência já estão sendo desenvolvidos, como a biotecnologia, e podem não só criar novas técnicas, como também aperfeiçoar alternativas aos animais em experimentos, sendo uma solução mais ética e possivelmente mais precisa que o uso de cobaias nessas experimentações científicas.