Texto modelo da aula 3 – Júlia Maita

Abaixo, vocês poderão ler mais um texto muito bem escrito, a respeito dos experimentos científicos com cobaias animais. A colega Júlia Maita, da turma 3H2, defende que se incentive a realização de outra espécie de testes (que já existem), sem o uso de animais. Para a Júlia, testes com cobaias não passam de “um capricho do ser humano”.

Boa leitura!

O valor de uma vida

          Grande parte da população mundial, assim como indústrias atuantes em diversos âmbitos, são favoráveis ao uso de animais em experimentações científicas. Esses indivíduos argumentam que a espécie humana, por ser mais importante do que os demais seres vivos, deve subordiná-los aos seus interesses. Submeter os animais a testes extremamente cruéis, entretanto, pode causar danos irreversíveis a sua saúde ou até mesmo ser fatal, apenas para satisfazer algo que não passa de um capricho do ser humano.

          É de conhecimento geral que antes de muitos produtos – cosméticos ou medicamentos – serem disponibilizados para o uso humano, são testados de forma violenta em animais. Infelizmente, muitos consumidores não têm consciência do tipo de sofrimento ao qual ess­es animais – destinados exclusivamente a essa função – são submetidos para que possam usar seus filtros solares, cremes dentais, sabonetes e diversos outros itens banais no cotidiano. Esses produtos, apesar de terem grande importância, não são essenciais para a sobrevivência humana, e se o indivíduo, mesmo assim, desejar usá-los, pode optar por marcas livres de crueldade animal. Claramente nenhum ser humano se submeteria a queimaduras, desenvolvimento de tumores, perda de visão, audição ou ate à morte para que um produto que pode ser considerado dispensável, seja desenvolvido. Dessa maneira, é inaceitável que animais inocentes que não podem dar consentimento algum sobre o que vai ser feito com seu corpo passem por isso apenas por serem tidos como inferiores ao homem.

          Para tanto, o mundo atual com certeza conta com inúmeras novas tecnologias, que, se aplicadas efetivamente, poupariam os animais de tanta crueldade. Com pesquisas detalhadas e extremamente criteriosas unidas a outros tipos de teste, diversos experimentos com animais poderiam deixar de acontecer. Um exemplo de teste que não envolve seres vivos inocentes é aquele com células-tronco in vitro, que garante a eficiência do produto sem prejudicar seres humanos ou animais. É importante também levar em consideração que há diferenças entre os organismos destes últimos. Portanto, o que funciona em um não necessariamente funciona em outro, levando a crer que testes com cobaias animais podem não ser os mais confiáveis para garantir segurança e qualidade de um produto.

          Em suma, experimentos com animais causam enorme sofrimento que pode ser evitado. Algumas marcas – de cosméticos, por exemplo – estão se desfazendo desse processo e disponibilizando produtos que em cujo desenvolvimento não foi empregado nenhum tipo de violência. O ideal seria que os consumidores se interessassem mais em saber as circunstâncias nas quais seus artigos são fabricados e, assim, conscientizassem-se sobre a complicada questão ética envolvida no processo e passassem a consumir cada vez mais itens “livres de crueldade”, como são chamados.

Julia Maita Cavezzale Curia

Texto modelo da aula 1 – Leonardo Frangioni

Abaixo, vocês poderão ler um texto produzido na primeira aula de Laboratório de Redação do ano. O colega Leonardo Frangioni, da turma 3H2, escreveu sobre o comportamento protetor dos pais contemporâneos. Vejam que, desde o título, Leonardo já questiona se esse comportamento é, de fato, positivo: é proteção ou privação? Diante desse questionamento, o colega mostra a importância da educação protetora, mas sem excessos, afinal “é necessário saber quando é preciso ou não interferir na vida dos filhos e como suas ações protetoras podem afetá-los.”

Proteção ou privação?

        É notável, seja nos artigos publicados na mídia geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

        Existe uma responsabilidade dos pais de protegerem seus filhos e educá‑los para que possam crescer com segurança e autonomia. Quanto muito novas, crianças não sabem distinguir o que pode ser perigoso, e é o dever dos pais ensiná-las quais são os riscos que elas estão correndo e como evitá-los. Crianças são ingênuas e não sabem, por exemplo, que a pessoa que conheceram na internet pode ser um adulto perigoso, e então podem transmitir informações sobre suas vidas pessoais que podem colocá-las em risco. É o dever dos pais ensinar quais são os possíveis resultados das ações de seus filhos. Outro exemplo comum de obrigação dos pais, que deve acontecer mais entre pais e filhos adolescentes, é ter um diálogo quando o jovem vai a alguma festa ou evento para que os pais saibam onde e com quem ele está andando para ter certeza de que ele está seguro.

        Porém, muitas vezes, os adultos passam dos limites tentando proteger seus filhos demais, o que causa mais repercussões negativas do que positivas. Existem diferentes motivos para que isso aconteça, como a falta de presença na vida dos filhos ou até a falta de conhecimento de como educá-los. Quando algum pai não é muito presente na vida da família, a tendência é ele tentar compensar essa ausência sendo mais protetor do que deveria. Há muitos casos, por exemplo, de pais que não deixam seus filhos maiores de idade irem a certos lugares a que eles já têm tanto idade, quanto responsabilidade para ir, como “baladas” e bares, dizendo que eles podem estar correndo riscos. Além disso, muitos pais privam seus filhos de liberdade por terem impressões erradas sobre esses lugares e não buscam conhecer melhor para dialogarem e chegarem a um acordo com suas famílias. Esses tipos de ações impedem que os jovens cresçam com autonomia e podem prejudicá-los gravemente no futuro.

        Portanto, a proteção materna e paterna é fundamental para um bom desenvolvimento dos filhos, porém a superproteção pode causar mais danos que benefícios. Por isso, é necessário saber quando é preciso ou não interferir na vida dos filhos e como suas ações protetoras podem afetá-los.

Leonardo Frangioni, 3H2