Texto-modelo (Aulas 2 e 3): Pedro Hirata

Há quem acredite que seja “mais fácil” escrever um texto contrário ao uso de cobaias animais em experimentações científicas. Não é essa a opinião do Pedro Hirata, seu colega da 3H1! 
Como vocês lerão a seguir, o Pedro escreveu um texto favorável, completamente favorável às pesquisas que fazem uso de cobaias.
Ele teve o cuidado de explicitar que crueldade nenhuma é aceitável – o que tornou o texto muito mais consistente -, mas nem por isso mudou sua tese. De modo enfático, respeitoso e coerente, o Pedro defendeu a realização dos experimentos (como se percebe já no título).

Com vocês, o texto!

 

Cobaia, a melhor amiga da ciência

Movimentos organizados em prol da defesa dos animais, juntamente com cidadãos que simpatizam com a causa, são ferrenhos críticos do uso de animais em experimentações científicas. Esses indivíduos e organizações, porém, não levam em consideração que os experimentos em cobaias animais são, não apenas indispensáveis ao avanço científico, mas também benéficos para toda a sociedade.

O teste em animais, prática comum no meio científico, não pode ser inteiramente substituído sem prejudicar a segurança humana. Substâncias pretensamente benéficas, antes de serem colocadas à disposição do público, passam, necessariamente, por uma bateria de testes, cuja finalidade é justamente verificar a eficiência e os riscos oferecidos por seu uso. Esse processo, essencial para garantir a segurança humana, é realizado em animais, sobretudo mamíferos, que por terem um organismo similar ao humano, podem ajudar a entender como o medicamento agirá nele. Não realizar essa etapa implicaria maiores probabilidades de substâncias nocivas chegarem às cobaias humanas, pois, sem teste prévio, haveria ainda mais incertezas quanto aos seus riscos. Existem novas tecnologias que prometem substituir o experimento em animais por colônias de células humanas. Para pesquisas mais complexas, no entanto, ainda é fundamental o uso de um organismo completo como, por exemplo, na observação de como um medicamento desenvolvido para determinada parte do corpo afeta as demais ou, então, naquelas que trabalham com o fator psicológico do animal, inexistente num conjunto de células.

Outro argumento é o maior valor da vida humana em relação à de outro animal, sendo compreensível o sacrifício destes seres para testes que, no futuro, podem ajudar pessoas. Por serem os únicos dotados de razão e conscientes da própria existência, os humanos devem sempre ser priorizados em relação aos demais seres vivos, podendo valer-se de animais para se beneficiar ou suprir suas próprias necessidades, assim como já é feito em relação à alimentação há milênios com a caça e a pecuária. É necessário destacar, contudo, que essa superioridade não implica crueldade ou desprezo com os animais. Pelo contrário, com a finalidade de promover os direitos destes seres e garantir sua integridade, órgãos do governo, como o CONCEA, se encarregam de fiscalizar locais que utilizam cobaias animais.

Conclui-se, assim, que o uso de animais em experimentos científicos é essencial e justificável pela hierarquia entre seres racionais e instintivos. O sacrifício dessas cobaias é aliado ao avanço da ciência e colabora, portanto, para o bem do ser humano.

Pedro Hirata, 3H1

Texto-modelo (aulas 2 e 3) – Isabelle Stapf

O texto abaixo, escrito pela Isabelle Stapf (aluna da 3H1), é fruto de duas aulas de Laboratório de Redação: na aula 2, a Isabelle escreveu o texto; na aula 3, ela reescreveu sua produção, a partir dos apontamentos feitos pelo corretor.

Vejam a força que os exemplos trazem aos textos: ao se mencionar, no primeiro parágrafo de desenvolvimento, que “Alguns testes, como o de irritação dos olhos, causam tamanha agonia na cobaia, que se faz necessário o uso de cordas para amarrar as patas dos animais e impedir que estes arranquem seus próprios olhos”, é maior a chance de se mobilizar o leitor a concordar com a tese da autora – a de que “Submeter os animais a testes extremamente cruéis, entretanto, é antiético, egoísta e cruel, o que leva à necessidade da procura por métodos alternativos e menos brutais”.

Boa leitura!

Progresso Primitivo

                Grande parcela da população mundial, assim como indústrias atuantes em diversos âmbitos, são favoráveis ao uso de animais em experimentações científicas. Esses indivíduos argumentam que a espécie humana, por ser mais importante que os demais seres vivos, deve subordiná-los aos seus interesses. Submeter os animais a testes extremamente cruéis, entretanto, é antiético, egoísta e cruel, o que leva à necessidade da procura por métodos alternativos e menos brutais.

Experimentos científicos que utilizam animais como cobaia são extremamente violentos e, por vezes, prejudiciais a seus organismos. Alguns testes, como o de irritação dos olhos, causam tamanha agonia na cobaia, que se faz necessário o uso de cordas para amarrar as patas dos animais e impedir que estes arranquem seus próprios olhos. Esse dado comprova a violência de tais experimentações e o sofrimento físico ao qual suas cobaias são submetidas. Além da dor imediata, os testes podem produzir efeitos colaterais extensos, que são capazes de, inclusive, levar ao coma e até à morte. Para piorar a situação, o CONCEA – Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – não tem capacidade de fiscalizar com tanta rigidez as empresas que praticam testes em animais. Além do mais, embora a lei regulamente tais experimentos, seu efeito somente minimiza a crueldade dos testes, e não a anula.

Existe, porém, a possibilidade de criação de alternativas a esses experimentos. Testes em células artificiais in vitro ou em chips de DNA já foram realizados. Contudo, por serem métodos mais caros, não são usados como substitutos para os testes em animais, que, infelizmente, são economicamente mais viáveis. A criação de novas técnicas é extremamente necessária e urgente, por duas razões principais: a primeira é a brutalidade usada nos testes em animais, e a segunda refere-se a equívocos já cometidos nos resultados de tais estudos. Um exemplo ocorreu com o antidepressivo Zelmid, que foi testado sem incidentes em ratos e cães, mas causou sérios problemas neurológicos nas pessoas que o tomaram. Por isso, é importante que haja investimentos em pesquisas de outros meios viáveis tanto econômica quanto eticamente para experimentações científicas. Do mesmo modo, é preciso haver a conscientização da sociedade acerca da crueldade dos testes em animais e suas consequências. Assim, será possível a criação de movimentos que busquem uma solução para esse problema, como ONGs e comunidades que se comprometam a agir tanto no âmbito real quanto no virtual, a fim de atingir o maior número de pessoas.

Não se pode negar que tais experimentos são cruéis para com os animais. Portanto, é crucial que sejam procuradas técnicas alternativas e, para tal, é necessária uma maior pressão popular em torno da comunidade científica dedicada à descoberta desses novos métodos. Também é essencial a consciência de que o progresso científico pode e deve se apoiar em técnicas avançadas, e não primitivas, como os experimentos com cobaias animais.

Texto-Modelo (aula 1) – Cesar Beirão

Neste texto, o colega Cesar Beirão, da turma 3B2, mostra-se contrário à superproteção paterna. Na verdade, Cesar percebe os lados positivo e negativo da (super)proteção.
Como o próprio título já anuncia – e a conclusão retoma -, o autor defende que tudo em excesso faz mal, e que a melhor postura, por parte dos pais, é o equilíbrio… Tal como o conceito chinês do “Yin-Yang”.

Yin Yang

É notável, seja nos artigos publicados na mídia geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

A facilidade de acesso à informação tem como consequência a superproteção dos pais contemporâneos. Com a revolução tecnológica do século passado, informações e notícias passaram a ser veiculadas para a maioria da população, o que inclui os pais, que, na teoria, têm controle sobre os seus filhos até os seus 18 anos. Sabe-se que a mídia possui uma preferência pelas notícias trágicas: assassinatos, roubos, latrocínios, que provavelmente aconteciam em igual ou maior número quando os pais atuais eram jovens. O problema é que, em sua época, a notícia enfrentava maiores dificuldades para ser disseminada. Logo, seus pais eram essencialmente ignorantes em relação aos perigos que o mundo fora de casa oferecia. Portanto, o gradiente de informações obtidas causa a sensação de que, atualmente, tais atrocidades ocorrem em uma quantidade muito maior, o que leva os pais contemporâneos a regular cada vez mais as ações dos filhos.

Muitos pais acham que a superproteção é benéfica para os seus filhos, mas, na verdade, ela os impede de ter novas oportunidades. Não poder sair de casa, ou até mesmo a proibição do uso de redes sociais são atos comuns entre pais que não sabem medir a independência e autojulgamento dos seus filhos. Tais atos podem acarretar problemas posteriores nos jovens, pois a falta de interação com pessoas e situações cotidianas podem levar aquele que sofre a superproteção paterna a se tornar ingênuo e antissocial. Essas características acabam por só aumentar os problemas que os pais estavam querendo evitar, uma vez que as habilidades sociais do jovem foram altamente prejudicadas. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, as chances de obtenção de sucesso são muito menores se não forem apresentadas sociabilidade e malícia. Isso pode ocorrer repetidas vezes, não necessariamente no ambiente de trabalho.

“Tudo em excesso faz mal” é o que dita o senso comum, portanto nem a superproteção e muito menos o total liberalismo são perfeitos para os jovens. O correto é que se ache o equilíbrio que não limite demais o jovem, mas também que não o deixe totalmente liberto, já que, por causa da falta de experiência, ele tende a cometer grandes erros. Por isso, a proteção paterna é importante. Um lado depende do outro para a sua existência assim como o famoso conceito chinês Yin Yang.

Cesar Mortati Beirão (3B2)

Texto-modelo – aula 1

Mais um texto bem legal referente à proposta da primeira aula de Laboratório de Redação. O Gabriel Rodrigues Santos, da 3E1, elaborou com precisão uma argumentação multilateral, além de possuir uma linguagem clara e fluente e articular muito bem as ideias no texto. Inspirem-se!

A excessiva proteção paterna

É notável, seja nos artigos publicados na mídia em geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

Muitos são os pais, que numa natural atitude protetora, acabam por guiar seus filhos em suas escolhas, especialmente frente aos riscos atuais. De forma especial, mas muitas vezes não se limitando a mais tenra idade, pois ajudam os seus filhos frente às decisões e acompanham de perto em suas atividades e amizades, algo infelizmente necessário devido aos diversos perigos presentes na sociedade. Destacam-se o aumento da criminalidade e a grande oferta de drogas e vícios aos quais crianças podem ser expostas, o que de fato preocupa qualquer pai. Durante os primeiros anos da exposição social, é, logo, até mesmo desejável uma vigilância paterna moderada, que deve ser gradativamente diminuída ao longo dos anos, e é nisso que, muitas vezes, tem-se dificuldade, e a liberdade do filho é cerceada.

A excessiva preocupação e superproteção paternas, no entanto, são prejudiciais ao desenvolvimento dos filhos, e estes, muitas vezes, tornam-se irresponsáveis e despreparados, seja para um competitivo mercado de trabalho, seja para a própria interação social. Um dia o “filhote terá de deixar o ninho” inexoravelmente, como denota o dizer popular, e é importante que, quando tal momento chegar, o filho esteja preparado. Isto só será possível se, gradativamente, os filhos assumirem maior responsabilidade e autonomia, o que deve partir dos pais, especialmente a partir de uma certa idade, algo entre oito e doze anos, quanto as crianças começam a amadurecer. Desta forma, através de suas experiências, as crianças e jovens podem aprender a escolherem por si só, por exemplo, o que as torna mais aptas ao futuro ingresso no mercado de trabalho e a construírem suas próprias vidas.

Portanto, embora um zelo paterno seja positivo e por vezes necessário, este não deve ser excessivo, principalmente com o avanço dos anos, devendo diminuir gradativamente, buscando formar indivíduos bem preparados para os desafios futuros. Assim, chegará o dia no qual os filhos poderão bater suas próprias asas, e, por fim, voar.

 

 

 

Texto-modelo – Aula 1

Na primeira aula do Laboratório de Redação, vocês discutiram e escreveram a respeito do comportamento protetor dos pais contemporâneos na criação dos filhos. Alfredo Acerbi, aluno da 3E1, elaborou um ótimo texto sobre o assunto, como vocês poderão conferir a seguir.

Além de linguagem clara, de coesão precisa, o texto do Alfredo também apresenta, especialmente em D1, exemplos interessantes e pertinentes à discussão, os quais foram relevantes para incrementar a argumentação.

Leiam, comentem e prestigiem a redação do Alfredo!

 

Proteção na medida certa

É notável, seja nos artigos publicados na mídia em geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

Proteção dos pais aos filhos é algo comum, não apenas entre os humanos, mas entre os animais de uma forma geral. Um exemplo de pais que fazem de tudo para o bem-estar dos filhos está presente nos pássaros, já que a mãe mastiga a comida antes de fornecê-la ao seu filho. Este comportamento, principalmente no início da vida do filhote, tem suas vantagens, pois é assim que ele pode ingerir alimentos que talvez não pudesse ingerir sozinho, mas também passa a ter desvantagens depois de certo tempo, uma vez que sua mãe pode nem sempre estar lá, e se ele não souber mastigar por conta própria, passará fome. Esse pensamento pode ser usado para se entender os problemas de uma proteção exagerada e prorrogada que se tornou hábito de alguns pais no mundo contemporâneo. É evidente que há situações em que um zelo maior dos pais é necessário: dar a mão a uma criança para atravessar a rua pode evitar que ela sofra um acidente, e impedi-la de sair à noite sozinha pode preveni-la de um assalto. O problema está na intensidade dessas atitudes e em sua manutenção por muito tempo.

Quando os pais tornam-se demasiado protetores, seu filho não criará uma noção que será importante para sua vida toda: responsabilidade. Para ter esse conceito bem definido e aplicá-lo facilmente e com naturalidade, é fundamental que a criança seja ensinada de que é preciso olhar para os dois lados da rua antes de atravessá-la e consiga fazer isso por conta própria, ou que aprenda os perigos de sair sozinha e o que fazer para se prevenir de um assalto. Os pais precisam entender que certas atitudes superprotetoras podem eventualmente prejudicar na formação de um adulto responsável.

O segredo está em achar um equilíbrio, balancear com precisão a proteção, que é muitas vezes indispensável, e o momento de dar liberdade, imperativo para que se tenha um filho futuramente maduro, independente e responsável.