Texto-modelo da aula 8 – Victoria Wang

Pessoal, mais um ótimo texto produzido na aula 8 de Laboratório de Redação. Em “Seres emocionais”, a Victoria Wang, da 3E2, nos explica de forma clara e envolvente como as emoções são produzidas. O bom uso das perguntas, a priorização da clareza ao nos mostrar que há “dois caminhos possíveis” para se ativarem as emoções, a equilibrada enumeração na narrativa que exemplifica o processo, todas as escolhas da Victoria resultaram em um texto informativo e agradável de se ler. Tudo o que se espera de um bom texto de divulgação científica!

 

Seres emocionais

Um fato aparentemente óbvio – e até redundante – é que sentimos. Sentimos pois possuímos emoções. No entanto, por que será que, como indivíduos, algumas faces parecem ser mais amigáveis que as outras, ou lugares desconhecidos nos incitam, por alguma razão, uma felicidade a qual não sabemos de onde vem ou por que motivo é “ativada”?

Na realidade, existem dois caminhos possíveis pelos quais a emoção se manifesta. Esta pode ser prioritariamente instintiva, resultado de longuíssimos anos de evolução, na qual o organismo sente uma emoção forte em função de seus mecanismos de sobrevivência. Entretanto, é igualmente notável – se não mais ainda – o segundo caminho pelo qual a emoção pode ocorrer: por meio de indutores de emoção. Os indutores são estímulos externos que estão em volta do indivíduo no decorrer de sua vivência, maturidade e desenvolmimento pessoal. Tais indutores são o que potencialmente podem ocasionar emoções no indivíduo. Por exemplo, o lugar estranho que causa alegria a uma pessoa chamada João pode ser uma casa extremamente parecida à de sua infância, onde compartilhou suas memórias mais felizes com seus pais e irmãos; onde aprendeu a andar de bicicleta, cozinhar e construir sua primeira casa na árvore. Sendo assim, o indutor de emoção é a casa, e o sentimento de conforto de João decorre da memória que tinha. Logo, a emoção é resultado de uma rede de associações simbólicas que o indivíduo adquire através de experiências.

Vale notar que há inúmeras experiências variáveis, mas ao mesmo tempo, há inúmeros graus em que o indutor de emoção interfere em nossas ações. Por exemplo, ao mesmo tempo que a casa afeta João intensamente, pode afetar outras pessoas em intensidades diferentes Entretanto, um fato sabemos, e é que sentimos. Dessa forma, as emoções, mesmo que variáveis e pessoais, interferem em nossas ações e em nossos pensamentos. Afinal, somos seres emocionais.

Produção textual realizada em Laboratório de Redação de 3.as séries (aula 8) – Mirella Foronda

Caros alunos, mais um texto muito legal, feito em nossa aula 8 de Laboratório. Percebam como a Mirella, sua colega da 3B2, “traduziu” de maneira superdidática a teoria e os exemplos do neurocientista António Damásio! Aliás, como vimos em aula, essa é a intenção do gênero “Texto de divulgação científica”…

A sensação e o sentimento

Em O sentimento de si: corpo, emoção e consciência, o autor António Damásio aborda o tema da indução de emoções. Estas, de acordo com o neurocientista, podem ocorrer de duas maneiras distintas: a primeira é por meio dos sentidos, como quando o indivíduo vê um lugar ou rosto familiar. Já a segunda maneira pela qual as emoções podem ser induzidas é o pensamento; recordações de uma amiga ou o fato de esta ter acabado de falecer, por exemplo.

O processo da indução das emoções pode ocorrer em fatos simples do dia a dia. Um homem, por exemplo, que recentemente perdeu a namorada em um acidente de carro, está indo confiante para uma entrevista de emprego. Entretanto, ao chegar lá, percebe que a bela moça que o entrevista está usando um colar igual ao que a falecida namorada costumava usar. A visão da joia faz com que o homem recorde momentos com a amada, e sinta profunda tristeza. Algumas horas depois, no trajeto de volta para casa, vê de relance uma casa semelhante àquela onde passou a infância. Novamente, ver a casa despertou sentimentos no homem, desta vez saudade e felicidade.

É comum atribuirmos valores emocionais a objetos, lugares ou imagens, conforme passamos por experiências. Desta forma, a quantidade de estímulos indutores de emoção torna-se infinita, fazendo com que quase tudo desperte uma reação emocional. Porém, a maioria dessas reações é considerada fraca, ainda que esteja sempre presente. Conscientemente ou não, nosso comportamento e o modo como vemos os objetos e situações estão fortemente atrelados às emoções, despertadas por indutores grande parte das vezes, se não todas.

Textos-modelo (Aula 7)

Caros alunos, abaixo vocês poderão ler dois textos muito adequados e bem escritos, formulados na nossa aula 7 (aquela, cuja proposta era a de escrita de uma resenha – uma proposta da Unicamp de 2016).

Percebam que um bom texto não tem segredo. Em ambas as produções, o que fica bem perceptível são o cumprimento de cada uma das solicitações feitas pela Unicamp e a adequação à situação comunicativa (um estudante que participava de um concurso de resenhas, e que redige um texto sobre uma fábula de La Fontaine).

Parabéns, Cinthia e Marina!

Boa leitura, todos os alunos!

1.o texto – autora: Cinthia Maeda (turma 3B2)

La Fontaine, na fábula “A Deliberação Tomada pelos Ratos”, leva o leitor a conhecer a história do gato Rodilardo e dos ratos que eram obrigados a dividir com ele o espaço em que viviam. Após um terrível massacre cometido pelo felino, os poucos ratos remanescentes passaram a viver acuados, receosos de servirem como alimento para Rodilardo. Quando o gato se retirou para namorar, os roedores reuniram-se para refletir como lidariam com a situação em que se encontravam. Finalmente, chegaram à conclusão de que era preciso que se amarrasse um guizo no pescoço de Rodilardo, advertindo, assim, sua presença. A ideia, apesar de aclamada, não obteve voluntários que a colocassem em prática, uma vez que todos os ratinhos esquivaram-se da tarefa.

No espaço social, é possível observarem-se diversas situações semelhantes à retratada por La Fontaine, em sua fábula. A questão das sacolinhas plásticas distribuídas pelos supermercados é um exemplo. Era convencionado, até recentemente, que os supermercados fornecessem, gratuitamente, sacolas para que os consumidores embalassem produtos, após cada compra. Entretanto, com a crescente conscientização acerca da sustentabilidade, iniciou-se uma discussão sobre a validade do uso das sacolinhas em detrimento da poluição ambiental causada pela produção e pelo descarte inadequado de toneladas de plástico. Grande parte da população brasileira mostrou-se preocupada com a questão e reconheceu sua importância, bem como a necessidade de se encaminhar para uma sociedade mais sustentável. Porém, quando, consequentemente, o governo aprovou uma lei que acabava com a obrigação dos supermercados de fornecer as sacolas sem custo adicional, houve rejeição da ideia por parte dos consumidores, que alegaram ser um absurdo a cobrança pelas sacolinhas e um incômodo usar as retornáveis.

Conclui-se, então, que “A Deliberação Tomada pelos Ratos” aproxima-se da situação do fim das sacolinhas gratuitas nos supermercados brasileiros, uma vez que há o reconhecimento, por parte da sociedade, da relevância de determinadas ações, mas no momento em que é necessário atuar, poucos são os que realmente se esforçam para que a mudança ocorra.

C. T. M.

2.o texto – autora: Marina Hussid de Góes (turma 3B2)

          A fábula de La Fontaine, “A Deliberação Tomada pelos Ratos”, conta a história de Rodilardo, um gato que come ratos. Acuados pelo gato, os ratinhos procuram uma solução para não viverem com o medo de serem devorados. Após uma deliberação, concordam em amarrar um guizo ao pescoço do gato. Ao decidirem quem deverá realizar o trabalho, porém, não há voluntários.
          La Fontaine mostra com essa fábula como, muitas vezes, algo tão discutido e defendido pelas pessoas não é realmente aplicado por estas no cotidiano. Um exemplo disso é o meio ambiente. É consensual que devemos cuidar do planeta e preservá-lo para as gerações futuras, porém, a maioria das pessoas não toma atitudes para que isso se perpetue. Banhos longos, desperdício de recursos naturais, descaso com o descarte de lixo, são pequenas ações cotidianas que as pessoas realizam que vão de encontro com aquilo que defendem.
          Em suma, assim como os ratinhos, as pessoas defendem algo estoicamente, porém não tomam atitudes para que aquilo em que acreditam se concretize ou, ainda, tomam ações contraditórias.
Animal Racional

Texto-modelo (Aulas 2 e 3): Pedro Hirata

Há quem acredite que seja “mais fácil” escrever um texto contrário ao uso de cobaias animais em experimentações científicas. Não é essa a opinião do Pedro Hirata, seu colega da 3H1! 
Como vocês lerão a seguir, o Pedro escreveu um texto favorável, completamente favorável às pesquisas que fazem uso de cobaias.
Ele teve o cuidado de explicitar que crueldade nenhuma é aceitável – o que tornou o texto muito mais consistente -, mas nem por isso mudou sua tese. De modo enfático, respeitoso e coerente, o Pedro defendeu a realização dos experimentos (como se percebe já no título).

Com vocês, o texto!

 

Cobaia, a melhor amiga da ciência

Movimentos organizados em prol da defesa dos animais, juntamente com cidadãos que simpatizam com a causa, são ferrenhos críticos do uso de animais em experimentações científicas. Esses indivíduos e organizações, porém, não levam em consideração que os experimentos em cobaias animais são, não apenas indispensáveis ao avanço científico, mas também benéficos para toda a sociedade.

O teste em animais, prática comum no meio científico, não pode ser inteiramente substituído sem prejudicar a segurança humana. Substâncias pretensamente benéficas, antes de serem colocadas à disposição do público, passam, necessariamente, por uma bateria de testes, cuja finalidade é justamente verificar a eficiência e os riscos oferecidos por seu uso. Esse processo, essencial para garantir a segurança humana, é realizado em animais, sobretudo mamíferos, que por terem um organismo similar ao humano, podem ajudar a entender como o medicamento agirá nele. Não realizar essa etapa implicaria maiores probabilidades de substâncias nocivas chegarem às cobaias humanas, pois, sem teste prévio, haveria ainda mais incertezas quanto aos seus riscos. Existem novas tecnologias que prometem substituir o experimento em animais por colônias de células humanas. Para pesquisas mais complexas, no entanto, ainda é fundamental o uso de um organismo completo como, por exemplo, na observação de como um medicamento desenvolvido para determinada parte do corpo afeta as demais ou, então, naquelas que trabalham com o fator psicológico do animal, inexistente num conjunto de células.

Outro argumento é o maior valor da vida humana em relação à de outro animal, sendo compreensível o sacrifício destes seres para testes que, no futuro, podem ajudar pessoas. Por serem os únicos dotados de razão e conscientes da própria existência, os humanos devem sempre ser priorizados em relação aos demais seres vivos, podendo valer-se de animais para se beneficiar ou suprir suas próprias necessidades, assim como já é feito em relação à alimentação há milênios com a caça e a pecuária. É necessário destacar, contudo, que essa superioridade não implica crueldade ou desprezo com os animais. Pelo contrário, com a finalidade de promover os direitos destes seres e garantir sua integridade, órgãos do governo, como o CONCEA, se encarregam de fiscalizar locais que utilizam cobaias animais.

Conclui-se, assim, que o uso de animais em experimentos científicos é essencial e justificável pela hierarquia entre seres racionais e instintivos. O sacrifício dessas cobaias é aliado ao avanço da ciência e colabora, portanto, para o bem do ser humano.

Pedro Hirata, 3H1

Texto-modelo (aulas 2 e 3) – Isabelle Stapf

O texto abaixo, escrito pela Isabelle Stapf (aluna da 3H1), é fruto de duas aulas de Laboratório de Redação: na aula 2, a Isabelle escreveu o texto; na aula 3, ela reescreveu sua produção, a partir dos apontamentos feitos pelo corretor.

Vejam a força que os exemplos trazem aos textos: ao se mencionar, no primeiro parágrafo de desenvolvimento, que “Alguns testes, como o de irritação dos olhos, causam tamanha agonia na cobaia, que se faz necessário o uso de cordas para amarrar as patas dos animais e impedir que estes arranquem seus próprios olhos”, é maior a chance de se mobilizar o leitor a concordar com a tese da autora – a de que “Submeter os animais a testes extremamente cruéis, entretanto, é antiético, egoísta e cruel, o que leva à necessidade da procura por métodos alternativos e menos brutais”.

Boa leitura!

Progresso Primitivo

                Grande parcela da população mundial, assim como indústrias atuantes em diversos âmbitos, são favoráveis ao uso de animais em experimentações científicas. Esses indivíduos argumentam que a espécie humana, por ser mais importante que os demais seres vivos, deve subordiná-los aos seus interesses. Submeter os animais a testes extremamente cruéis, entretanto, é antiético, egoísta e cruel, o que leva à necessidade da procura por métodos alternativos e menos brutais.

Experimentos científicos que utilizam animais como cobaia são extremamente violentos e, por vezes, prejudiciais a seus organismos. Alguns testes, como o de irritação dos olhos, causam tamanha agonia na cobaia, que se faz necessário o uso de cordas para amarrar as patas dos animais e impedir que estes arranquem seus próprios olhos. Esse dado comprova a violência de tais experimentações e o sofrimento físico ao qual suas cobaias são submetidas. Além da dor imediata, os testes podem produzir efeitos colaterais extensos, que são capazes de, inclusive, levar ao coma e até à morte. Para piorar a situação, o CONCEA – Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – não tem capacidade de fiscalizar com tanta rigidez as empresas que praticam testes em animais. Além do mais, embora a lei regulamente tais experimentos, seu efeito somente minimiza a crueldade dos testes, e não a anula.

Existe, porém, a possibilidade de criação de alternativas a esses experimentos. Testes em células artificiais in vitro ou em chips de DNA já foram realizados. Contudo, por serem métodos mais caros, não são usados como substitutos para os testes em animais, que, infelizmente, são economicamente mais viáveis. A criação de novas técnicas é extremamente necessária e urgente, por duas razões principais: a primeira é a brutalidade usada nos testes em animais, e a segunda refere-se a equívocos já cometidos nos resultados de tais estudos. Um exemplo ocorreu com o antidepressivo Zelmid, que foi testado sem incidentes em ratos e cães, mas causou sérios problemas neurológicos nas pessoas que o tomaram. Por isso, é importante que haja investimentos em pesquisas de outros meios viáveis tanto econômica quanto eticamente para experimentações científicas. Do mesmo modo, é preciso haver a conscientização da sociedade acerca da crueldade dos testes em animais e suas consequências. Assim, será possível a criação de movimentos que busquem uma solução para esse problema, como ONGs e comunidades que se comprometam a agir tanto no âmbito real quanto no virtual, a fim de atingir o maior número de pessoas.

Não se pode negar que tais experimentos são cruéis para com os animais. Portanto, é crucial que sejam procuradas técnicas alternativas e, para tal, é necessária uma maior pressão popular em torno da comunidade científica dedicada à descoberta desses novos métodos. Também é essencial a consciência de que o progresso científico pode e deve se apoiar em técnicas avançadas, e não primitivas, como os experimentos com cobaias animais.

Texto-Modelo (aula 1) – Cesar Beirão

Neste texto, o colega Cesar Beirão, da turma 3B2, mostra-se contrário à superproteção paterna. Na verdade, Cesar percebe os lados positivo e negativo da (super)proteção.
Como o próprio título já anuncia – e a conclusão retoma -, o autor defende que tudo em excesso faz mal, e que a melhor postura, por parte dos pais, é o equilíbrio… Tal como o conceito chinês do “Yin-Yang”.

Yin Yang

É notável, seja nos artigos publicados na mídia geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

A facilidade de acesso à informação tem como consequência a superproteção dos pais contemporâneos. Com a revolução tecnológica do século passado, informações e notícias passaram a ser veiculadas para a maioria da população, o que inclui os pais, que, na teoria, têm controle sobre os seus filhos até os seus 18 anos. Sabe-se que a mídia possui uma preferência pelas notícias trágicas: assassinatos, roubos, latrocínios, que provavelmente aconteciam em igual ou maior número quando os pais atuais eram jovens. O problema é que, em sua época, a notícia enfrentava maiores dificuldades para ser disseminada. Logo, seus pais eram essencialmente ignorantes em relação aos perigos que o mundo fora de casa oferecia. Portanto, o gradiente de informações obtidas causa a sensação de que, atualmente, tais atrocidades ocorrem em uma quantidade muito maior, o que leva os pais contemporâneos a regular cada vez mais as ações dos filhos.

Muitos pais acham que a superproteção é benéfica para os seus filhos, mas, na verdade, ela os impede de ter novas oportunidades. Não poder sair de casa, ou até mesmo a proibição do uso de redes sociais são atos comuns entre pais que não sabem medir a independência e autojulgamento dos seus filhos. Tais atos podem acarretar problemas posteriores nos jovens, pois a falta de interação com pessoas e situações cotidianas podem levar aquele que sofre a superproteção paterna a se tornar ingênuo e antissocial. Essas características acabam por só aumentar os problemas que os pais estavam querendo evitar, uma vez que as habilidades sociais do jovem foram altamente prejudicadas. Em uma entrevista de emprego, por exemplo, as chances de obtenção de sucesso são muito menores se não forem apresentadas sociabilidade e malícia. Isso pode ocorrer repetidas vezes, não necessariamente no ambiente de trabalho.

“Tudo em excesso faz mal” é o que dita o senso comum, portanto nem a superproteção e muito menos o total liberalismo são perfeitos para os jovens. O correto é que se ache o equilíbrio que não limite demais o jovem, mas também que não o deixe totalmente liberto, já que, por causa da falta de experiência, ele tende a cometer grandes erros. Por isso, a proteção paterna é importante. Um lado depende do outro para a sua existência assim como o famoso conceito chinês Yin Yang.

Cesar Mortati Beirão (3B2)

Texto-modelo – aula 1

Mais um texto bem legal referente à proposta da primeira aula de Laboratório de Redação. O Gabriel Rodrigues Santos, da 3E1, elaborou com precisão uma argumentação multilateral, além de possuir uma linguagem clara e fluente e articular muito bem as ideias no texto. Inspirem-se!

A excessiva proteção paterna

É notável, seja nos artigos publicados na mídia em geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

Muitos são os pais, que numa natural atitude protetora, acabam por guiar seus filhos em suas escolhas, especialmente frente aos riscos atuais. De forma especial, mas muitas vezes não se limitando a mais tenra idade, pois ajudam os seus filhos frente às decisões e acompanham de perto em suas atividades e amizades, algo infelizmente necessário devido aos diversos perigos presentes na sociedade. Destacam-se o aumento da criminalidade e a grande oferta de drogas e vícios aos quais crianças podem ser expostas, o que de fato preocupa qualquer pai. Durante os primeiros anos da exposição social, é, logo, até mesmo desejável uma vigilância paterna moderada, que deve ser gradativamente diminuída ao longo dos anos, e é nisso que, muitas vezes, tem-se dificuldade, e a liberdade do filho é cerceada.

A excessiva preocupação e superproteção paternas, no entanto, são prejudiciais ao desenvolvimento dos filhos, e estes, muitas vezes, tornam-se irresponsáveis e despreparados, seja para um competitivo mercado de trabalho, seja para a própria interação social. Um dia o “filhote terá de deixar o ninho” inexoravelmente, como denota o dizer popular, e é importante que, quando tal momento chegar, o filho esteja preparado. Isto só será possível se, gradativamente, os filhos assumirem maior responsabilidade e autonomia, o que deve partir dos pais, especialmente a partir de uma certa idade, algo entre oito e doze anos, quanto as crianças começam a amadurecer. Desta forma, através de suas experiências, as crianças e jovens podem aprender a escolherem por si só, por exemplo, o que as torna mais aptas ao futuro ingresso no mercado de trabalho e a construírem suas próprias vidas.

Portanto, embora um zelo paterno seja positivo e por vezes necessário, este não deve ser excessivo, principalmente com o avanço dos anos, devendo diminuir gradativamente, buscando formar indivíduos bem preparados para os desafios futuros. Assim, chegará o dia no qual os filhos poderão bater suas próprias asas, e, por fim, voar.

 

 

 

Texto-modelo – Aula 1

Na primeira aula do Laboratório de Redação, vocês discutiram e escreveram a respeito do comportamento protetor dos pais contemporâneos na criação dos filhos. Alfredo Acerbi, aluno da 3E1, elaborou um ótimo texto sobre o assunto, como vocês poderão conferir a seguir.

Além de linguagem clara, de coesão precisa, o texto do Alfredo também apresenta, especialmente em D1, exemplos interessantes e pertinentes à discussão, os quais foram relevantes para incrementar a argumentação.

Leiam, comentem e prestigiem a redação do Alfredo!

 

Proteção na medida certa

É notável, seja nos artigos publicados na mídia em geral, seja na observação cotidiana, uma crescente atitude protetora dos pais contemporâneos na criação de seus filhos. De fato, o mundo atual fornece numerosas razões para a apreensão dos pais, que tentam proteger sua família de novos perigos. No entanto, é evidente que, na tentativa de fazer o melhor, os pais têm exagerado na proteção que dispensam aos filhos.

Proteção dos pais aos filhos é algo comum, não apenas entre os humanos, mas entre os animais de uma forma geral. Um exemplo de pais que fazem de tudo para o bem-estar dos filhos está presente nos pássaros, já que a mãe mastiga a comida antes de fornecê-la ao seu filho. Este comportamento, principalmente no início da vida do filhote, tem suas vantagens, pois é assim que ele pode ingerir alimentos que talvez não pudesse ingerir sozinho, mas também passa a ter desvantagens depois de certo tempo, uma vez que sua mãe pode nem sempre estar lá, e se ele não souber mastigar por conta própria, passará fome. Esse pensamento pode ser usado para se entender os problemas de uma proteção exagerada e prorrogada que se tornou hábito de alguns pais no mundo contemporâneo. É evidente que há situações em que um zelo maior dos pais é necessário: dar a mão a uma criança para atravessar a rua pode evitar que ela sofra um acidente, e impedi-la de sair à noite sozinha pode preveni-la de um assalto. O problema está na intensidade dessas atitudes e em sua manutenção por muito tempo.

Quando os pais tornam-se demasiado protetores, seu filho não criará uma noção que será importante para sua vida toda: responsabilidade. Para ter esse conceito bem definido e aplicá-lo facilmente e com naturalidade, é fundamental que a criança seja ensinada de que é preciso olhar para os dois lados da rua antes de atravessá-la e consiga fazer isso por conta própria, ou que aprenda os perigos de sair sozinha e o que fazer para se prevenir de um assalto. Os pais precisam entender que certas atitudes superprotetoras podem eventualmente prejudicar na formação de um adulto responsável.

O segredo está em achar um equilíbrio, balancear com precisão a proteção, que é muitas vezes indispensável, e o momento de dar liberdade, imperativo para que se tenha um filho futuramente maduro, independente e responsável.