Texto-modelo – Aula 11 (Fuvest 2014)

Caros leitores

O texto da Bruna, da 3B3, faz uma bela análise do tratamento dispensado aos idosos na atualidade. A proposta, tema da Fuvest no vestibular de 2014, apontava algumas abordagens possíveis; a Bruna optou por investigar as causas da desvalorização do idoso, visto como “um estorvo”, e por argumentar sobre como ver essa faixa etária sob uma perspectiva puramente econômica é desrespeitoso. Confiram o resultado. Parabéns, Bruna!

Velho problema

Atualmente, com muitos países ultrapassando a transição demográfica, discussões sobre a questão dos idosos estão cada vez mais recorrentes. E, infelizmente, opiniões contra a prestação de serviços específicos aos idosos são facilmente encontradas.

Recentemente, o ministro japonês de finanças, Taro Aso, questionou o papel que o Estado deveria exercer no amparo à população idosa, que chega a ser um quarto do total dos habitantes do Japão. O alto custo da aposentadoria e de políticas de assistência médica não é um problema encontrado apenas no Japão, mas também em vários outros países desenvolvidos que já passaram pela transição demográfica. O crescente número de velhos leva a um problema que é bastante evidente em alguns países da Europa: a diminuição da oferta de mão de obra, que está cada vez mais qualificada e, por isso, cara. Além disso, ocorre também a retração do mercado consumidor. Estes problemas se conjugam a um aumento sensível do gasto de governos para um setor especial da população da terceira idade que requer tratamentos médico-hospitalares cada vez mais custosos. Desse modo, a economia desses países é afetada – justificando uma das opiniões do ministro de finanças.

No entanto, a vida de um ser humano vai além da necessidade de manter a balança comercial de um país positivo. É direito de todo ser humano ter as suas necessidades básicas, como educação, previdência social e saúde, atendidas. O pensamento de Aso reflete a percepção que muitas pessoas têm dos idosos: que eles tão um estorvo. O consequente desrespeito ao idoso devido a este tipo de opinião se encontra presente no dia a dia, como na ocupação indevida de assentos preferenciais nos meios de transporte público. Esta irreverência é inaceitável, visto que muitos que adotam este tipo de atitude não consideram que os velhos, quando jovens, já fizeram parte da população economicamente ativa e, assim, contribuíram para o crescimento do país. Por isso, merecem no mínimo um tratamento social digno.

Portanto, o crescimento dos idosos é um problema para a economia de um país, mas, ao mesmo tempo, é um dever da sociedade reconhecer os velhos como seres humanos dignos de respeito. É preciso encontrar soluções inclusivas e não medidas que isolem o idoso e que, ainda por cima, o possa colocar como “vilão”.

Bruna Shimura, 3B3.

Texto-Modelo Aula 10

Caríssimos alunos, abaixo vocês poderão ler um texto bastante legal, escrito pela Luiza Lopes em nossa aula 10 (com a proposta da FGV-Adm 2014). A colega escreveu um texto objetivo e bem estruturado. Também é interessante notar que o título – bastante sugestivo, aliás – já anuncia a tese que será defendida ao longo de todo o texto: as manifestações de 2013 não foram causadas apenas pelo aumento de 20 centavos no transporte público; segundo a Luiza, o movimento popular adveio de “513 anos [de história] e 20 centavos”.

Parabéns, Luiza! Belo texto!

513 anos em 20 centavos

Em meados de 2013, ocorreu no Brasil uma série de manifestações que contou com a presença de multidões de participantes insatisfeitos em diversas cidades do país. O que desencadeou tamanha revolta foi um aumento de 20 centavos no preço das passagens de ônibus em São Paulo, mas será este o único motivo que levou tantas pessoas a protestarem nas ruas não só de São Paulo mas de todo o país?

Na realidade, os 20 centavos que inicialmente eram o motivo central dos protestos do movimento Passe Livre logo se tornaram um estopim que trouxe à tona insatisfações antigas da população brasileira. As manifestações passaram a agregar grupos variados, transformando-se numa grande massa de revoltosos que se colocaram contra todos os abusos que vinham sendo praticados pelo governo há anos. Entre os protestos figuraram reivindicações a respeito das deficiências dos sistemas de educação e saúde públicas, da má qualidade dos transportes públicos e, principalmente, da corrupção que infesta o governo brasileiro. Afinal, o Brasil é um dos países do mundo onde mais se cobram impostos, mas esta situação não se reflete em investimentos do governo em infraestrutura e na qualidade de vida da população.

Dessa forma, os 20 centavos podem ser vistos como uma causa simbólica que representa uma entre muitas taxas excessivas que os brasileiros pagam ao Estado, sem receber nenhum benefício em troca. As manifestações de 2013 desafiam justamente esta postura historicamente presente na política brasileira, de que a população deve servir ao Estado, e não o contrário. Seja na República Velha com as eleições fraudulentas e a manipulação dos votos, ou mais adiante com governos populistas e medidas demagógicas, ou nos dias atuais com escândalos de corrupção e roubo, o foco sempre foi o bem-estar dos governantes e não dos governados.

Não foram, portanto, apenas 20 centavos que levaram à união de milhares de pessoas contra o governo. Foi o contexto em que esta taxa estava inserida e todos os abusos que, naquele momento, ela representou.

Luiza F. Lopes – 3B1

Sem graça

A Andressa, da 3H3, fez um ótimo texto criticando o hábito de se fazerem piadas sobre minorias. Em tempos de polêmica sobre essas “brincadeiras” em cursinhos e programas de TV, o texto é muito pertinente. O que vocês acham a respeito?

 

Sem graça

É vergonhosamente comum ouvir piadas e frases pejorativas sobre homossexuais, mulheres, portadores de necessidades especiais, negros e outras minorias sociais. A moda do politicamente incorreto nas brincadeiras precisa de um limite que se chama respeito.

Todo mundo gosta de rir e se divertir com boas piadas. Repetindo: boas piadas! Não é possível que os indivíduos precisem reforçar um preconceito para conseguir fazer alguém rir. Somente sendo um péssimo piadista e um completo incompetente.

Aqueles que defendem a “liberdade de expressão” e o direito de fazer livremente piadas que reforçam certos estereótipos precisam entender que a fronteira da sua liberdade é onde a do próximo começa. Esses indivíduos precisam se conscientizar de que certos grupos não passaram por anos de opressão, violência e preconceito para, em pleno século vinte e um, ter que suportar ouvir gente tirando sarro disso. Pode até ser que alguém ache engraçados os insultos disfarçados de piada, mas o simples fato de rir das “brincadeiras” significa que esse alguém consente com tais insultos, pois acha sentido naquilo. É bom lembrar que nenhuma forma de preconceito tem fundamento racional.

Será que mesmo depois de tantas conquistas das minorias ainda temos que viver num mundo com muitos indivíduos preconceituosos, desrespeitosos e terrivelmente sem graça?

Andressa Bernardo, 3H3

 

Texto-Modelo – Aula 8 (Relatório – Unicamp 2014)

Abaixo, vocês poderão ler o texto escrito por Larissa Macedo, aluna da turma 3h1.  A colega formulou um texto absolutamente verossímil. O Relatório contou com bastantes detalhes sobre uma oficina de gastronomia: data e local em que ocorreu; público-alvo; atividades (detalhadas) que ocorreram em cada um dos dias da oficina; convidados especiais que ministraram os cursos… Ou seja, a oficina inventada pela Larissa não existe na vida real, mas o texto é tão verossímil, que bem poderia existir!

Um grupo de alunos da terceira série do Ensino Médio do Colégio Alberto Caeiro realizou, nos dias 31 de maio e 01 de junho de 2014, uma oficina cultural de gastronomia, denominada “Aprenda a se virar”. Aberta a adolescentes entre 14 e 18 anos, a oficina foi planejada no intuito de ensinar aos jovens um cardápio composto por três pratos simples e saborosos, além de uma pequena sobremesa, para que, dessa maneira, não mais dependam de seus pais no quesito alimentação, visando à sua autonomia antes mesmo da vida adulta.

A “Aprenda a se virar” contou com uma equipe de dez graduandos do curso de gastronomia do SESC, que auxiliaram os inscritos durante ambos os dias. O primeiro abrangeu o trato com os alimentos crus, tais como saladas e vegetais selecionados, a fim de constituir uma refeição completa. A nutricionista Sarah Lott, formada pela Universidade de São Paulo (USP), conduziu uma palestra sobre o equilíbrio nas refeições e a importância do que ela chamou de “prato colorido”, elementos por vezes esquecidos no cotidiano. Em seguida, os estudantes do SESC instruíram os jovens, passo a passo, a preparar duas opções de refeição: um prato italiano e o outro brasileiro.

O segundo dia, por outro lado, foi destinado à confecção de “cupcakes”, com a devida orientação do renomado confeiteiro gaúcho Tiago Nitzke, além de abarcar uma série de dicas ao preparo de refeições vegetarianas, conforme os alunos demonstraram interesse por alternativas saudáveis à referida dieta.

O resultado da “Aprenda a se virar” mostrou-se extremamente positivo. Comentários como o da aluna Clarice F. – “antes da oficina, eu era completamente ignorante na cozinha!” – foram frequentes. E os pais também agradeceram, afinal, os filhos não mais poderão reclamar por comida.

Larissa Macedo

 

Ótimos textos formulados na 1.a prova bimestral

Caros alunos, as provas estão chegando e, com elas, a dúvida: é possível tirar nota dez na prova de redação? Àqueles mais incrédulos, uma resposta inesperada: sim, é possível! E a comprovação está neste post. Vocês poderão ler dois ótimos textos, produzidos na prova do 1.o bi.
Os colegas Lucas Monari e Daniel Augusto formularam textos profundos, eloquentes, claros e convincentes.
Boas leituras!
Boas provas!!!

Texto de Lucas Pereira Monari (3E2)
          [Introdução fornecida pela proposta:] O surgimento de grupos de justiceiros no Rio de Janeiro, revelados quando um garoto foi espancado e preso pelo pescoço a um poste, é um sinal de alerta que não pode ser negligenciado. Ainda que os brasileiros sofram diariamente com a violência, o transporte público precário, os sistemas de educação e saúde deficientes, etc., nada justifica o ato de fazer justiça com as próprias mãos. Embora essa atitude possa satisfazer a cólera imediata de quem a pratica, a longo prazo gera resultados nefastos para a sociedade.
          O aparecimento desses justiceiros é resultado da constante violência e da enorme falta de estrutura básica a que não apenas a cidade do Rio de Janeiro, mas todo o Brasil, está sujeito. A ineficiência da gestão pública e as deficiências na infraestrutura social estimulam na população o sentimento de revolta, que leva os mais radicais a tentarem cumprir o papel do Estado e garantir que a “justiça” seja feita. O que esse grupo não compreende é que a violência praticada por civis gera ainda mais violência, pois não há nenhum argumento que garanta a um o direito de resolver seus problemas por meio da força sem que desafie as regras da sociedade e leve os outros a se questionarem sobre a autoridade do Estado.
          Com a prática de fazer justiça com as próprias mãos, a autoridade do Estado, assim como sua influência na comunidade, começam a diminuir cada vez mais. Em situações mais graves, o Estado é substituído por um governo paralelo que redefine os padrões de justiça a fim de satisfazer seus próprios objetivos. A própria “cidade maravilhosa” sofre com esses problemas nas comunidades mais carentes, onde os chefes do tráfico possuem o domínio político bem como determinam o que é e o que não é justo.
          Em suma, o acúmulo de atos de violência praticados por cidadãos que tentam fazer justiça acaba por resultar, a longo prazo, em mais violência ainda e em uma alteração na ideia de justiça. Portanto, é fundamental que a polícia (representante do Estado) desempenhe seu papel corretamente, a fim de que não ocorra tal desequilíbrio na sociedade e a população tenha conhecimento das sérias consequências que podem ser causadas ao se fazer justiça com as próprias mãos.

Texto de Daniel Sanches Montemor Augusto (3E1)
          [Introdução fornecida pela proposta:] O surgimento de grupos de justiceiros no Rio de Janeiro, revelados quando um garoto foi espancado e preso pelo pescoço a um poste, é um sinal de alerta que não pode ser negligenciado. Ainda que os brasileiros sofram diariamente com a violência, o transporte público precário, os sistemas de educação e saúde deficientes, etc., nada justifica o ato de fazer justiça com as próprias mãos. Embora essa atitude possa satisfazer a cólera imediata de quem a pratica, a longo prazo gera resultados nefastos para a sociedade.
          O aparecimento de grupos “justiceiros” diz muito sobre a história recente do nosso país. Por décadas, os brasileiros assistem a uma sucessão de acontecimentos que os fizeram perder a confiança não só no governo e suas instituições, mas também na própria índole do brasileiro, o que gerou a máxima ö Brasil não é país para se levar a sério”. Depois de inúmeros casos divulgados de criminosos convictos inocentados e impunes, policiais corrompidos e total falta de segurança pública, aqueles que são intitulados “justiceiros” concluíram ser seu dever assumir a lacuna deixada pelos ineficientes serviços públicos.
          Dessa forma, ao perceberem a ocorrência de um roubo, por exemplo, assumem eles mesmos a posição de protetores da lei, prendendo e castigando o meliante, geralmente com apoio dos populares no entorno. O que para alguns é um ato de cidadania, acaba se tornando algo ilegal e selvagem, uma vez que frequentemente são cometidos abusos, como o linchamento do contraventor.
          É importante lembrar que o Estado é definido por sociólogos como o detentor do monopólio do uso da força”, sendo a polícia seu instrumento para exercer tal primazia. O fato de a polícia ser por muitas vezes ineficaz não dá aos cidadãos o direito de se apropriar da função dessa instituição, o que coloca em risco o direito a liberdade dos demais.
          Ao fazer uso da força, os justiceiros agem de acordo com suas próprias convicções, que por muitas vezes ferirem os princípios defendidos na lei. Sendo assim, há a criação de um “microgoverno paralelo”, que pelo uso da força tem capacidade de impor suas convicções pessoais. É exemplo desse fenômeno o recente assassinato de um criminoso, sob o preceito de “Bandido bom é bandido morto”, que foi gravado por transeuntes e divulgado nas redes sociais, gerando forte reação e muitas discussões pelo país. Esse núcleo de poder paralelo é extremamente nocivo à sociedade, por colocar em risco as liberdades individuais, possivelmente cerceadas por uma “constituição paralela”, podendo culminar no enfraquecimento do poder central, levando à anarquia e consequente caos.

Texto-Modelo Aula 3 – Catherine Frankel

Eis um texto bem consistente formulado em nossa aula 3. A Catherine, da turma 3B1, defendeu que o perigo maior da exposição de uma criança à violência é a banalização desta última. Seja pelo contato direto, seja pelo contato indireto com cenas violentas, a criança passaria a ver a agressividade como “aceitável”, “admissível”.
Também é legal vocês perceberem que a Conclusão-Proposta da colega é bastante rica; nela, encaminham-se soluções possíveis para os problemas apresentados.
Legal, Catherine.

Abaixo a violência na infância

            A infância é um período crítico na vida de uma pessoa, já que pode determinar traços de personalidade ou de mentalidade que prevalecerão até a idade adulta. Infelizmente, diversos fatores têm contribuído para a violência entre menores, o que merece maior atenção do Estado e dos responsáveis.

            Dentro de casa, seja pela mídia ou pelos videogames, já há uma influência na mentalidade da criança em relação à violência. Casos comuns, por exemplo, são de notícias tratando de torcedores de futebol de times diferentes cujas discussões levaram ao enfrentamento físico, ou de novelas que retratam a violência entre pais e filhos ou entre marido e mulher. Ambos os casos, por ocorrerem com uma certa frequência, banalizam a violência, tornando-a algo praticamente aceitável e admissível. Outro exemplo disso são os videogames, pois muitos deles envolvem personagens situados em meio a guerras ou em períodos bárbaros da história da humanidade, como a Idade Média. Nestas plataformas de jogo, a violência torna-se o meio de sobrevivência, sendo, mais uma vez, banalizada.

            A violência doméstica também é um fator determinante para a violência por parte da criança. Na maioria dos casos, decorre da miséria da família, a qual, ao possuir renda insuficiente para se sustentar, recorre ao uso de drogas, bebidas ou de violência com os filhos para “compensar” a realidade em que vive. Dessa forma, a internalização do uso da violência em situações rotineiras pode ser uma consequência para os filhos, os quais, muitas vezes, deixam de ir à escola para se envolverem em atividades perigosas ou ilícitas, como a mendicância e o tráfico de drogas, para ajudar a complementar a renda da família. Tudo isso contribui para o comportamento violento nestas crianças.

            Logo, o combate à violência desenvolvida na infância é papel não só dos responsáveis como também do Estado. Os primeiros deveriam controlar o conteúdo acessado pelos filhos nos meios virtuais de forma mais incisiva, enquanto o segundo poderia oferecer políticas públicas de recuperação, aos menores violentos, que incentivassem a educação, o lazer e a cultura em suas vidas. Medidas deste tipo garantiriam um futuro mais promissor a estas crianças.

Catherine Frankel de Paulo

Texto-modelo aula 2 – Luisa Bicudo

O texto da Luisa Bicudo, 3B3, feito em aula de laboratório, argumenta muito bem em defesa da ideia de que a rebeldia é positiva. Mais: segundo ela, rebelar-se é, ao contrário do que professam alguns, um instrumento de progresso social. Para ilustrar tal posicionamento, a Luisa utiliza e explora bem o exemplo da Revolução Francesa, não simplesmente mencionando-o. Para quem tem dificuldade de inserir bem exemplos à discussão desenvolvida, o texto a seguir é um ótimo guia.

 

Rebeldia que move sociedades

 

Ainda que seja comum a ideia de que “deve-se respeitar os mais velhos”, sabe-se que nem sempre a obediência irrestrita a padrões tradicionais é a postura mais adequada. A rebeldia,  em muitas situações, pode mudar totalmente o rumo da História.

Ao se analisar a forma como o homem se organiza em sociedade, pode-se perceber um ciclo: há uma lei – ou senso comum – segundo a qual os homens estabelecem suas regras de convivência. Depois de um tempo, as falhas desse sistema começam a aparecer e forma-se uma camada de insatisfeitos que se organizam e fazem uma revolução, criando novas leis que lhes parecem mais apropriadas.

Todo esse processo gera dinamismo na sociedade, mostrando o que funciona e o que não funciona, levando a coletividade ao progresso. Tal teoria pode ser ilustrada com a Revolução Francesa, na qual os rebeldes jacobinos e girondinos se juntaram para acabar com a monarquia – sistema de governo vigente na época – e estabeleceram um governo que, em vez de ser mais universalizante em oposição ao elitismo da nobreza, favorecia mais os burgueses do que os proletariados. Essa estrutura logo entrou em colapso, em razão da insatisfação jacobina, levando a uma outra forma de governo. Essa organização não é a que está em vigência na França atualmente, o que mostra que a sociedade continuou seu dinamismo em função da busca de uma vida melhor a todos.

Assim, é impossível separar progresso de rebeldia, pois, para haver melhoras na sociedade, é preciso alguém corajoso o bastante para fazer essa mudança acontecer e essa pessoa é o rebelde.

Texto-Modelo Aula 2 – Lorena El-Kadre

Abaixo, um texto escrito pela Lorena El-Kadre, da turma 3H2, para a aula sobre rebeldia. Percebam que a colega fez uso de linguagem bastante engajada, o que denotou explicitação de opinião e até força argumentativa. Também foram bastante interessantes os exemplos trazidos pela Lorena: a colega faz referência às diferenças de salários entre homens e mulheres, ao preconceito sofrido por pessoas homossexuais, ao preconceito racial.
Com vocês… o texto da Lorena!

Vamos à Rua

     Ainda que seja comum a ideia de que “deve-se respeitar os mais velhos”, sabe-se que nem sempre a obediência irrestrita a padrões tradicionais é a postura mais adequada. A rebeldia, em muitas situações, pode trazer benefícios à sociedade.

     Muitas tradições e normas sociais tornaram-se ultrapassadas e não são adequadas aos dias de hoje. Conforme as civilizações avançam, certos padrões devem ser abandonados, substituídos por pensamentos inclusivos e de acordo com o tempo em que se vive. Historicamente, observa-se que só há vantagens a serem adquiridas com o abandono de tradições maléficas ao bem comum. Houve um tempo em que mulheres eram vistas como moedas, e seres humanos eram divididos por lei de acordo com o tom de sua pele. Tais pensamentos, ainda que na época tradicionais, provaram-se apenas prejudiciais. Assim como esses padrões foram esquecidos, ao menos em teoria, é possível reconhecer paralelos em situações vividas atualmente.

     Embora seja agradável pensar que todos são tratados igual e dignamente, a realidade é diferente, e isto não há de mudar sem inconformismo. Ainda se vê muita desigualdade na sociedade; mulheres ganham menos do que homens em grande parte dos trabalhos, por exemplo. Além disso, há um grande preconceito e uma discriminação injustificável (quando há reconhecimento!) contra grupos como o LGBT+ ou mesmo minorias étnicas. É impossível haver progresso na sociedade quando apenas brancos ou cisgêneros-heterossexuais monopolizam a ideia de que o correto é ser como eles. Pensamentos como esse têm sido perpetuados há muito, e continuarão a sê-lo a menos que haja um pouco de rebeldia em relação a eles.

Conclui-se afinal que, muitas vezes, aceitar as tradições e valores de uma sociedade cegamente, sem refletir em como isso impacta as pessoas pertencentes a tal sociedade, leva a malefícios que superam seu valor cultural. E se lutar pelo que é certo é considerado uma abominável demonstração de rebeldia, vamos à rua.

Texto-Modelo Aula 1 – Marina Barreto

Caros, abaixo um ótimo texto, escrito pela colega Marina Barreto, da turma 3B1. A Marina soube analisar aquilo que anunciou no título – “os dois gumes das telenovelas” -, mostrando a capacidade dos enredos de mobilizar a população, tanto negativa quanto positivamente. Chama a atenção a amplitude e profundidade das análises. Também foi interessante a imagem que a Marina incluiu no texto, para se referir à trama sobre a personagem Félix, tão conhecida do público: O mais recente caso relacionado foi o de Félix, um dos protagonistas da novela “Amor à vida”, que conquistou a empatia de milhões de brasileiros nos últimos meses, selando sua atuação com um beijo em seu parceiro.

Os dois gumes das telenovelas

Não se pode negar que as telenovelas influenciam grande parte da população, e muitas vezes o fazem de forma negativa. No entanto, quando dão oportunidade à sociedade de debater a respeito de temas polêmicos, expostos em seu enredo, elas podem ajudar a promover importantes reflexões e mudanças de comportamento.

Sem dúvidas, as novelas, bem como tudo o que nos cerca, transmitem ideologias para a população. Eficazes meios de “doutrinar” as pessoas de acordo com a visão de mundo considerada correta por algum setor dominante da sociedade, elas apresentam necessariamente enredos envolventes, capazes de captar profundamente a atenção dos telespectadores. Evidentemente, isso acarreta consequências negativas, a começar pela emissão automática de opiniões preestabelecidas e a consequente perda do senso crítico das massas. Ademais, a própria liberdade de escolha mostra-se cerceada, uma vez que os programas parecem ditar modelos dos mais variados, como beleza e moda, indicando como o indivíduo deve portar-se ou pensar para estar inserido socialmente. Certamente, a banalização da violência e da sexualidade são outros efeitos indesejáveis causados pelas telenovelas, chegando a refletir corriqueiramente no contexto social. A barbárie acaba tornando-se “natural” aos olhos dos cidadãos e a promiscuidade é encarada sob uma ótica bem distinta daquela das gerações passadas, isto é, parece comum.

No entanto, há também pontos positivos resultantes da fama exacerbada de telenovelas. As produções brasileiras, em especial, populares mundo afora, muitas vezes suscitam a reflexão sobre assuntos de real importância para a época. Por conseguinte, discussões são avivadas e acabam resultando até em adesão prática a causas sérias, como o ativismo contra preconceitos de toda ordem e o angariamento de fundos para programas sociais. Logo, por meio da exposição de assuntos polêmicos, podem acontecer transformações visíveis na maneira de pensar da sociedade, representando uma evolução intelectual significativa. Exemplos claros de polêmicas causadas são a apresentação de temas “tabus”, como a homossexualidade e a gravidez indesejada, além de deficiências como autismo e síndrome de Down. O mais recente caso relacionado foi o de Felix, um dos protagonistas da novela “Amor à vida”, que conquistou a empatia de milhões de brasileiros nos últimos meses, selando sua atuação com um beijo em seu parceiro.

Portanto, as telenovelas têm duas faces, sendo meios perigosos de veiculação de falsos conceitos e mesmo despertadores de temas que merecem atenção. Resta aos indivíduos, então, o dever de saber separar o que é importante e o que deve ser criticado.

Marina Slhessarenko Fraife Barreto

Texto-modelo aula 1 – Vivian Hatushikano

Mais um texto-modelo da aula 1. A Vivian, ao dissertar sobre as novelas brasileiras, deu destaque aos benefícios que a discussão de temas polêmicos pode trazer. É interessante perceber a consistência que a argumentação ganhou quando a colega citou os exemplos, em especial a trama que incluía um casal homossexual: “Ao retratar o assunto de forma tão aberta, com direito a um beijo entre homossexuais, muitos simpatizaram com as personagens, fazendo-os repensar a respeito e mudar seus conceitos sobre o assunto.”

Ah, vale uma observação importante: as introduções da Vivian e da Gabriela são iguais, porque as alunas tinham como tarefa formular um texto a partir de um mesmo parágrafo inicial!

Polêmica, com benefícios

Não se pode negar que as telenovelas influenciam grande parte da população, e muitas vezes o fazem de forma negativa. No entanto, quando dão oportunidade à sociedade de debater a respeito de temas polêmicos, expostos em seu enredo, elas podem ajudar a promover importantes reflexões e mudanças de comportamento.

As telenovelas fazem parte do cotidiano de grande parcela da população brasileira, sendo seus temas comumente discutidos entre as pessoas. Muitas vezes os pontos de vista ali expostos são tomados como verdade, sem que seja questionada a veracidade dos fatos, afinal a novela é um entretenimento fictício, porém com o qual a sociedade facilmente se identifica. A questão de doenças psicológicas, retratada, por exemplo, na novela “Amor à Vida”, na qual uma personagem era autista, é frequentemente abordada de forma errada devido à desinformação a respeito do tema e leva muitos a pensarem erroneamente sobre o assunto. Esse é um exemplo que mostra o quanto as telenovelas disseminam uma informação cientificamente incorreta, o que é grave, porque propaga a ignorância. Há também os casos em que o sexo e a violência são banalizados, sendo mostradas cada vez mais cenas quase explícitas de relações sexuais e crimes violentos, como assassinatos. A exibição de tais cenas é, muitas vezes, desnecessária, incômoda e exagerada, chegando à beira do ridículo, e causa impacto negativo, por fazer boa parte da população ver os casos reais com desprezo, devido à sua banalização, e não refletir sobre isso.

Porém, a abordagem de assuntos polêmicos em telenovelas, apesar de tudo, desperta discussões e curiosidade sobre os temas, muitas vezes levando pessoas a mudarem de opinião e quebrarem preconceitos. A mais recente novela das nove transmitida pela Rede Globo é um excelente exemplo, pois nela a questão da homossexualidade foi retratada de forma a humanizar os gays, que por muitos são vistos sob olhar de discriminação. Ao retratar o assunto de forma tão aberta, com direito a um beijo entre homossexuais, muitos simpatizaram com as personagens, fazendo-os repensar a respeito e mudar seus conceitos sobre o assunto. Assim, percebe-se que as telenovelas possuem o poder de tratar de diversos assuntos polêmicos e provocar mudanças, por serem amplamente assistidas no país todo, sendo isso um ponto muito positivo das mesmas.

As telenovelas, portanto, possuem grande influência sobre a população brasileira, que já está habituada a tê-las como parte de suas vidas. Apesar de mostrar visões erradas e banalizar muitos temas, assistir a elas ainda leva ao telespectador um despertar de reflexão e um debate que muitas vezes pode causar grandes transformações.

Vivian Hatushikano – 3H1