Vencedores do VII Festival Livre Opinião!

Com o fim da fase de votação… chegou o dia da divulgação dos textos vencedores do VII Festival Livre Opinião!

1.o colocado – Texto 7: Papel dos indígenas na sociedade brasileira (Rebecca Maria Darakjian Batoni)
2.o colocado – Texto 5: Oásis e deserto (Érico Besteti Pires Ponce Sant’anna)
3.o colocado – Texto 3: Entre o branco e o preto, escolha ambos (Giulia Burgos Manhani)

Parabéns, Rebecca, Érico e Giulia! Que ótimos textos, vocês produziram!

Aliás, parabéns também à Luise, à Juliana, à Leticia e ao Raphael, por terem chegado à final!

Gostaríamos de agradecer a todos que participaram do VII Festival Livre Opinião: obrigado a todos os alunos que escreveram e inscreveram textos (encontrar tempo, na 3.a série, para participar de um festival literário… é para os fortes!); obrigado aos internautas (que definiram os “votos de público”); obrigado aos professores do Band (que definiram os “votos de crítica”).

votos

Obrigado a todos… e até o ano que vem!

Equipe de Redação do Colégio Bandeirantes (Fabiana, Fukuya, Melissa, Renata)

 

Finalistas – Festival Livre Opinião

Queridos alunos, chegou o grande momento: a divulgação dos sete finalistas do VII Festival Livre Opinião!

São eles:

  • Alusão ao ponto (Luise Lautenschlager)
  • Bicho papão (Juliana Blassioli Suyama)
  • Entre o preto e o branco, escolha ambos (Giulia Burgos Manhani)
  • Narrador protagonista (Leticia Favaro Rodrigues Lamelas)
  • Oásis e deserto (Érico Besteti Pires Ponce Sant’anna)
  • Os direitos dos manos (Raphael Venturi Vasen)
  • Papel dos indígenas na sociedade brasileira (Rebecca Maria Darakjian Batoni)

Você pode lê-los tranquilamente aqui no Blog ou, se preferir, no Facebook (https://www.facebook.com/festivallivreopiniao). A votação, porém, só será feita via Facebook, por meio de sua “curtida”. Boa votação! Prestigiem os textos dos colegas!

Texto 1
Alusão ao ponto (Luise Lautenschlager)

“Ponto, ponto, ponto..”, mas o que será esse tal de ponto? eu o vejo aqui e ali entre as linhas do livro, nas falas briguentas, na parede em que escrevo… Se eu ao menos fosse como ele … “tão sábio esse ponto”.. que vai pulando e pulando do i ao j, do centro da circunferência a tomada da minha casa e das palavras aos pensamentos, ele que se adapta a todos os tipos de condição… e eu aqui que nem sei o que fazer quando sair da minha mesmice de meninota e aquela rotina de toda manhã … aaa se eu fosse um ponto… sairia pingando por aí, tentaria um pouquinho de tudo e no final ainda seria o protagonista …. imagina só uma reta sem ponto ou uma fala sem fim, será que esse texto poderia ser lido sem o pontinho alí no fim? e agora o fôlego ainda aguenta ouvir mais ou será este o ponto final? bem ..mas pensando bem, somos todos pontos.. sem rumo ou direção seguimos o fluxo, nós torcemos do português à matemática à física à química e o ponto continua lá… do mesmo jeitinho, o que muda é o seu contexto!! mas não nos iludamos.. afinal o que é ser ponto… até onde sei ponto não tem definição, logo as retas, as partes de início e fim e as imprecisões de linguagem também devem não ter definição… agora sim eu compreendo que o ponto é tudo e por isso não pode ser definido, assim como cada indivíduo que conhecemos… podemos chama- los de médicos, amigos, professores, advogados, pais, mães,… mas esses nomes são todos pontos: não nos definem .. agora sim termino este texto com um .

Texto 2
Bicho papão (Juliana Blassioli Suyama)

     Não é um ser, não é um objeto, não possui um corpo nem forma definida. Vivendo entre nossas falas, nossos gestos e ações está uma sombra, um vulto nebuloso. Não o vemos, mas podemos sentir o Bicho Papão quando ele nos atinge.
Outro dia mesmo consegui perceber sua presença. Aconteceu quando, caminhando para casa, logo à minha frente estava minha vizinha e o carregador do supermercado do bairro. Em trinta metros alcançamos o portão do prédio. Cumprimentei-a. No entanto, reparei que enquanto entrávamos, eu e minha vizinha, pelo portão da frente, o carregador ia com seu carrinho levando duas caixas cheias de comida e produtos de limpeza pelo portão de trás. Bem, é compreensível, uma vez que é mais prático conduzir o carrinho por uma rampa. Mas para minha surpresa, a senhora subiu pelo elevador social e encontrei o carregador do supermercado esperando o elevador de serviço chegar. Subimos ao terceiro andar, abri a porta para que ele tirasse as caixas com alface, macarrão e detergente do elevador e vi a senhora abrir a porta da casa dela para recebê-lo. Aquilo me incomodou. Por que ela não o acompanhou? Será que não passou pela mente dela que talvez ele precisasse de ajuda para levar as caixas? Ou ela só tinha as chaves da porta da frente? Ainda que fosse, por que ele não a acompanhou no elevador social?
Naquela hora percebi o tal vulto nebuloso. Permeado entre as ações da minha vizinha estava o Bicho Papão. Lá estava ele, sem a menor intenção de ferir ninguém, no entanto, presente de uma maneira assustadoramente “normal”. Esse é o mesmo Bicho Papão com que me deparo, quando andando pela rua escuto “e ai, gostosa?” e outras palavras de baixo calão em tom provocante. Ou até mesmo quando uma senhora francesa ao conhecer sua nova nora pede para que ela “abra a boca” para poder ver os dentes dela, os quais são “muito bem cuidados para uma mulher brasileira”.
Esse Bicho Papão é intimidador, tenebroso, constrangedor e humilhante. Infelizmente, há os iludidos, ou aqueles que preferem ignorar esse monstro dizendo que é apenas um mito, algo do passado. No entanto, ele vive entre nós, permeando-se por nosso cotidiano. O nosso Bicho Papão não vive embaixo de nossas camas, pelo contrário, ele é o preconceito que nos segue a cada passo.

Texto 3
Entre o preto e o branco, escolha ambos (Giulia Burgos Manhani)

     É inegável que vivemos numa época em que o mundo está dividido. Seja Neonazistas x Antifascistas, ISIS x Mundo Ocidental, Esquerda x Direita, parece que a visão das pessoas está cada vez mais maniqueísta. Por vezes, as notícias veiculadas na mídia e as discussões em pauta nos impelem a também seguir o caminho da polarização. Porém, é justamente nesse momento que devemos dar um passo atrás e perceber o que gera tudo isso.
Apesar de o ser humano ser tido como um ser empático, a nossa empatia é limitada. Um estudo realizado por uma psicóloga alemã demonstrou isso na prática, ao observar a resposta cerebral de participantes quando sentiam dor e quando viam seus parceiros, na mesma sala, sentindo dor. Assim, descobriu-se que partes muito semelhantes do cérebro eram ativadas nos dois casos, ou seja, o parceiro era capaz de praticamente sentir a dor do seu amado, o que comprova que, realmente, podemos ser empáticos. Porém, a psicóloga realizou um outro estudo, semelhante ao primeiro, porém com uma diferença: ao invés de os participantes verem seus parceiros sofrerem, eles viam um torcedor do time rival sentir dor. Os resultados foram surpreendentes: foi descoberto que, nesse caso, a parte de recompensa do cérebro era ativada quando eles viam o outro sentir dor. O cérebro deles interpretava que a dor daquele que era diferente, que era “rival”, era algo desejável.
Esse estudo reforça algo que é visível na realidade. É fácil sermos empáticos com amigos, familiares e aqueles que são semelhantes. Porém, quando se trata de pessoa que não são do nosso círculo de convivência ou divergem de nós por terem opiniões, características ou crenças diferentes, sentir empatia nem sempre é algo automático.
A empatia limitada do ser humano, aliada à educação e à cultura, leva ao preconceito e às ideias radicais, baseados na segregação, no “nós” contra “eles”. Ao longo da história, há vários exemplos de casos extremos, quando a sociedade seguiu algo tão irracional: a segregação racial dos Estados Unidos e da África do Sul, o Nazismo alemão, as ditaduras comunistas, entre muitos outros.
Felizmente, o cérebro humano tem demonstrado ser um órgão muito elástico, e podemos aumentar o nosso alcance de empatia, quem consideramos no grupo “nós”. Isso é possível tendo contato com aquilo que é diferente e pensando no outro como um ser humano, alguém semelhante. Meu apelo final é para que façamos isso. Que, numa época tão delicada quanto a que estamos vivendo, sejamos capazes de ponderar nossa visão, de praticar a empatia e a compaixão, evitando extremismos e discursos de ódio que podem dar força a ações que somente trarão sofrimento àqueles que, no fundo, são semelhantes a nós.

Texto 4
Narrador protagonista (Leticia Favaro Rodrigues Lamelas)

 

     Pensei em começar pelo início, pela origem do meu sofrimento, mas como todo mundo já conhece o final vou começar pelo já conhecido, pela zona de conforto.            Confesso que as vezes nem sei porque choro, não entendo o porquê algumas coisas me afetam e outras não e por um lado esse texto pode ser uma chance de eu mesma identificar o causador do sofrimento, mas assim como a escultura “A Revolução das Girafas”de Matthieu Robert-Ortis, dependendo do ângulo de visão, a interpretação pode ser diferente e acabar sendo um meio de você, leitor, identificar o seu próprio sofrimento, afinal, não somos tão diferentes assim.
A inspiração do meu texto é Marina Abramovic, se você não a conhece, deveria frequentar mais o DocB, ela me fez parar para pensar em como o simples prefixo em sobreviver muda completamente o sentido da existência. Admito que vivo colocando esse prefixo em minha vida enquanto minha essência é completamente corrompida. Não adianta justificar a sobrevivência de hoje como o desfrutar de amanhã , foi o que tirei de “The Space in Between” e vim compartilhar com vocês.
Não sei como tem sido o ano de vocês, mas esse tem sido o melhor e o pior da minha vida até agora, em parte por tanto aprendizado e novos desafios, e essa oposição me incomoda, pois não consigo controlar mais o que sinto, como se um dia eu consegui; estou sempre em grandes e rápidas oscilações que nem o Dalton conseguiria resolver e assim tenho sobrevivido em minha zona de conforto.
Não me lembro qual a sensação de dançar ao som mais ensurdecedor e ao mesmo tempo aquele que alivia a alma com as minhas amigas ou então qual o gostinho da pipoca do cinema de sábado com a família, e assim todos dizem que são pequenos sacrifícios que fazemos por um desejo, mas será que essas são coisas de que nós podemos abrir mão sem abrirmos de nós mesmos?
Às vezes penso que tudo valerá a pena, por outro lado, às vezes tenho vontade de jogar tudo no vento e ver se acho o caminho, pois como eu disse antes, vivo em oscilações nas quais para subir você tem que antes descer e assim faço um dia por vez.
A esse ponto o texto já se estendeu mais do que eu desejava e você pode ainda não ter entendido a minha mensagem, mas eu identifiquei a fonte do meu problema: eu. Não importa as circunstâncias da vida, como ter de passar na faculdade, o que importa é como vou chegar lá e eu errei, não que tenha um certo ou errado, mas tem definitivamente o jeito bom e o ruim, e nem sempre o seu bom vai servir para mim, e eu não aproveitei da maneira que deveria.
Eu poderia ter deixado “Mayombe” para o dia seguinte e ter ido a uma festa quando me chamaram e eu poderia ter estudado sete horas na sexta e ter saído no sábado. Mas principalmente, eu deveria ter sorrido e abraçado mais e chorado menos, afinal esse ano não é sobre sobreviver, nenhum é.
Então a minha mensagem é para você que está no terceiro e ainda não aproveitou, faça o simulado no sábado e saia com os seu amigos depois, e você que ainda não chegou no terceiro pense nisso quando o Sabo for usar o casamento e a decoração da casa como uma metáfora para “você está ferrado e tem muito a fazer” no primeiro dia de aula, acredite eu queria que alguém tivesse me falado, e se falaram, eu queria ter ouvido.

Texto 5
Oásis e deserto (Érico Besteti Pires Ponce Sant’anna)

Oásis e deserto
(Breve ressalva: o texto a seguir é um poema; a realidade não.)
Por que nos forçamos a preocupar
com o que não nos deveras interessa?
Por que pensamos algo
mas
conformamo-nos
com a sociedade?
Por que olhamos para trás
E vemos um estranho
No reflexo do tempo?
(Ou pior: culpamo-nos pelos erros daqueles que nos precederam?)
Por que preferimos trapacear o outro
E não buscar a união?
Por que consideramos alguns melhores do que outros?
Ou outros melhores que alguns?
Depois de tamanha hipocrisia e cegueira
Quando nos encontramos perdidos, onde estão os guias?
Por que transmitimos incessantes apelos
Mas retornam apenas ecos ao vento?
Por que fingimos
não ouvir
os outros apelos?
Por que não tornamos real a ilusória realidade
E o sonho uma nova realidade?

Texto 6
Os direitos dos manos (Raphael Venturi Vasen)

     Essa Declaração Universal dos Direitos dos Manos (DUDH pros íntimos) é colada com a tal da ONU que nem a unha e a pele do dedo. Todos os países que entram no bonde têm que jurar que concordam com a DUDH, senão os engravatados que já tão dentro mandam eles rodarem.
Bem no comecinho, ela já fala: ”Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Então tipo: se o teu mano que gosta de uva passa fala que vai comprar as desgraça e pôr no arroz de ano novo, você pode chegar nele e falar NÃO NÉ MANO, mas isso não tira o direito dele de estragar a comida. Ele é livre e o arroz é dele, então já sabe, né?
Tem uns PMs que deviam ler a parte que a DUDH fala ”Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado” porque, um tempo atrás, uns mano da minha quebrada que estavam de boas no baile foram em cana. E imagina a situação das mães deles; as coroas ficaram mó nervosas com os poliça. E tinham toda razão.
Ela também fala ”Toda a pessoa tem direito à educação”. Essa parte é diretona, mas dá pra entender que trabalho que impede o mano de estudar é proibido. Mas isso não quer dizer que os moleque não possam ajudar a arrumar a cama e esquentar a comida. Não é porque tá na escola que tem que ser folgado.
E as mina pira naquela parte que fala ”Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual”. Essa parte não precisa explicar e quem discordar leva uva passa no olho pra aprender.
Se alguém que tivesse passado a vida em baixo de uma pedra me perguntasse quais eram as leis do mundo, eu ia mostrar a DUDH pra ele. As constituições de quase todos os países (todos os membros da ONU) foram feitas ou arrumadas com base nessa novinha. E que gata ela é!

Texto 7
Papel dos indígenas na sociedade brasileira (Rebecca Maria Darakjian Batoni)

 

    No imaginário dos brasileiros, povos indígenas ficam bem na exótica Floresta Amazônica ou em histórias de José de Alencar, porém os constantes conflitos expõem o dilema real e perverso de um país que há mais de 500 anos ainda tenta impor ao índio um lugar: aquele que foi conveniente para o colonizador.
Embora a literatura enalteça os indígenas, ela traz uma imagem equivocada dos povos por desconhecerem a sofrida realidade das tribos, uma realidade vivenciada até hoje amparada em uma falácia: as poucas terras ainda ocupadas por indígenas atrasam o avanço econômico porque “falta espaço“ para o agronegócio, a extração da madeira – muitas vezes ilegal – e a construção de usinas hidrelétricas.
O preconceito contra a indígenas está enraizado devido à representação folclórica e distorcida disseminada por gerações desde o descobrimento; além disso, têm-se uma relação paradoxal com os índios: se estão na floresta são selvagens, e se estão inclusos na sociedade não são índios – como se deixassem de sê-lo por usarem telefone e energia elétrica. Esse argumento serve para invalidar suas reinvindicações por terras, uma vez que não seria culturalmente válido, anulando a identidade cultural delas. Ademais, as medidas não são democráticas em relação aos indígenas, já que políticas são impostas sem o consentimento dos povos.
Portanto, o papel dos indígenas na sociedade brasileira é manterem-se vivos para poder questionar o status quo que os quer destituídos de seus direitos básicos e mostrarem que se pode ter tudo, sem deixar de ser o que se é. Em pleno século 21, indígenas ainda procuram seu quinhão na aldeia global.