Texto-modelo da aula 5 – Gabriel Nunes

As cotas raciais nas universidades brasileiras foi o tema norteador da produção textual da aula 5. Os debates, realizados antes da escrita, foram bastante enriquecedores para que os alunos selecionassem argumentos e fortalecessem suas ideias. É exatamente a consistência dos argumentos que se destaca no texto do Gabriel Nunes, da 3B3. Ele conseguiu estabelecer paralelo entre a situação atual e o passado histórico de escravidão do negro, especialmente de como o fim da escravidão se deu no Brasil e como tal processo determinou a perpetuação da pobreza entre negros. A partir dessa contextualização, o aluno mostra por que, em seu entender, as cotas raciais seriam um mecanismo justo de garantir mais acesso da população negra à universidade.

Confiram o resultado. Boa leitura!

A marginalização dos negros e as cotas

As cotas raciais não são um mecanismo perfeito. Podem ser apontadas algumas falhas neste sistema. Todavia, se tratada como uma medida passageira, que inclui os negros no ensino superior, podemos ver que ela traz mais benefícios do que prejuízos.

É fato que o sistema de ensino superior deve ser meritocrático. Para as universidades serem consideradas centros de excelência de pesquisa e formação de profissionais, devem ser recompensados os estudantes que produzem os melhores resultados. Portanto, facilitar a entrada de um grupo de pessoas neste meio, por qualquer motivo, pode ser um desserviço ao sistema educacional.

Porém, se analisarmos a situação sob uma perspectiva um pouco mais pragmática, as cotas raciais provam-se muito úteis e eficazes. A Lei Áurea, em seus dois parágrafos, indicava apenas o fim da escravidão. Uma mudança necessária, porém não suficiente. Uma simples lei não muda o pensamento de uma sociedade inteira. Portanto, os negros escravizados foram “botados” no mundo, sem nenhum poder financeiro e em meio a uma sociedade racista. Nenhum tipo de medida inclusiva foi então perpetrada. Não é coincidência, portanto, que boa parte da população saiu das senzalas e acabou em favelas: a marginalização se tornou uma decorrência natural.

Diante desse quadro, vê-se que as cotas são uma forma de, agora, 130 anos depois, ser feita justiça para o povo negro, de forma que, finalmente, a cor da pele não determine as oportunidades que cada indivíduo terá. Além do mais, há de se ressaltar que as cotas não são um mecanismo eterno. A exemplo dos Estados Unidos, as cotas devem ser empregadas na mesma medida em que o ensino básico público, que tem a maioria dos alunos negros do Brasil, é melhorado. Quando este for tão bom quanto o privado, as cotas poderão parar de ser adotadas e, nesse caso, será possível ter um ensino superior totalmente meritocrático em termos de conteúdo acadêmico.

Assim, apesar de apresentarem problemas, as cotas raciais são um bom mecanismo para a integração, com 130 anos de atraso, da população negra na sociedade brasileira.

Gabriel Nunes, 3B3