Vídeos produzidos pelos alunos de Humanas

Abaixo estão alguns vídeos produzidos pelos alunos de Humanas. A intenção didática era que os alunos trabalhassem em grupo – atividade tão importante… – para a realização de um texto argumentativo, porém com uma linguagem bastante diferente daquela que se emprega nas dissertações de vestibulares.

O resultado desse trabalho foi muito valioso. Muitos e muitos vídeos com discussões profundas, engajadas e por vezes divertidas.

Seguem os links com alguns dos vídeos.

Vídeo feito por Lorenzo Uchôa, Rebeca Carmona, Roberto Amaral e Susannah Litvac (3H2). Os alunos apresentaram sua opinião sobre os estereótipos que acompanham as áreas de Exatas, Humanas e Biológicas. Para ilustrar seu pensamento, contaram com a participação de colegas de várias turmas, de várias áreas – e demonstraram que os rótulos que acompanham cada área não têm nenhuma relação com a realidade.

 

O vídeo, produzido pelos alunos Luciana Baptista, Manoela Ribeiro, Marcelo Rappaport, Paula Barros e Verônica Dufrayer (3H1), discute sobre a passagem do tempo. É muito interessante notar que muitas das técnicas aprendidas em aula – como as citações e a pergunta – estão aplicadas no texto escrito (e ilustrado) pelo grupo.

 

Os alunos Manuela Triantafyllidis, Maria Beatriz Mogioni, Oswaldo Perez e Sofia Ameijeiras (3H1) produziram um vídeo em que refletiram sobre o quão relativa é a passagem do tempo. Um texto de base filosófica que, em aula, hipnotizou os colegas.

 

Boa sessão-pipoca a todos!

Aula 9 (PUC-SP): material extra

Atenção, atenção! Na próxima quinta-feira (08/06), as turmas de Laboratório de Redação irão discutir a respeito das expectativas geradas pela posse da ministra Cármen Lúcia como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para vocês “mitarem” na redação que irão elaborar, confiram, além da coletânea presente na proposta, o seguinte material:

a) uma entrevista de Cármen Lúcia ao programa Roda Viva, da TV Cultura, cerca de um mês depois de assumir o cargo de presidente do STF;

b) informações sobre a função do STF.

Boa leitura e boa aula, queridos!

Texto-modelo da aula 5 – Gabriel Nunes

As cotas raciais nas universidades brasileiras foi o tema norteador da produção textual da aula 5. Os debates, realizados antes da escrita, foram bastante enriquecedores para que os alunos selecionassem argumentos e fortalecessem suas ideias. É exatamente a consistência dos argumentos que se destaca no texto do Gabriel Nunes, da 3B3. Ele conseguiu estabelecer paralelo entre a situação atual e o passado histórico de escravidão do negro, especialmente de como o fim da escravidão se deu no Brasil e como tal processo determinou a perpetuação da pobreza entre negros. A partir dessa contextualização, o aluno mostra por que, em seu entender, as cotas raciais seriam um mecanismo justo de garantir mais acesso da população negra à universidade.

Confiram o resultado. Boa leitura!

A marginalização dos negros e as cotas

As cotas raciais não são um mecanismo perfeito. Podem ser apontadas algumas falhas neste sistema. Todavia, se tratada como uma medida passageira, que inclui os negros no ensino superior, podemos ver que ela traz mais benefícios do que prejuízos.

É fato que o sistema de ensino superior deve ser meritocrático. Para as universidades serem consideradas centros de excelência de pesquisa e formação de profissionais, devem ser recompensados os estudantes que produzem os melhores resultados. Portanto, facilitar a entrada de um grupo de pessoas neste meio, por qualquer motivo, pode ser um desserviço ao sistema educacional.

Porém, se analisarmos a situação sob uma perspectiva um pouco mais pragmática, as cotas raciais provam-se muito úteis e eficazes. A Lei Áurea, em seus dois parágrafos, indicava apenas o fim da escravidão. Uma mudança necessária, porém não suficiente. Uma simples lei não muda o pensamento de uma sociedade inteira. Portanto, os negros escravizados foram “botados” no mundo, sem nenhum poder financeiro e em meio a uma sociedade racista. Nenhum tipo de medida inclusiva foi então perpetrada. Não é coincidência, portanto, que boa parte da população saiu das senzalas e acabou em favelas: a marginalização se tornou uma decorrência natural.

Diante desse quadro, vê-se que as cotas são uma forma de, agora, 130 anos depois, ser feita justiça para o povo negro, de forma que, finalmente, a cor da pele não determine as oportunidades que cada indivíduo terá. Além do mais, há de se ressaltar que as cotas não são um mecanismo eterno. A exemplo dos Estados Unidos, as cotas devem ser empregadas na mesma medida em que o ensino básico público, que tem a maioria dos alunos negros do Brasil, é melhorado. Quando este for tão bom quanto o privado, as cotas poderão parar de ser adotadas e, nesse caso, será possível ter um ensino superior totalmente meritocrático em termos de conteúdo acadêmico.

Assim, apesar de apresentarem problemas, as cotas raciais são um bom mecanismo para a integração, com 130 anos de atraso, da população negra na sociedade brasileira.

Gabriel Nunes, 3B3

Textos-modelo da Prova Bimestral de Humanas – Caio Xavier e João Costa

Para enriquecer ainda mais este blog com ótimas produções textuais dos nossos alunos, seguem dois textos referentes à superpopulação carcerária, tema da prova do 1.o bimestre de Humanas.

As redações são de Caio Xavier dos Santos Araújo e de João Gado Fernandes Costa, da 3H1.

Em ambas as redações, há uma abordagem aprofundada do assunto e o bom uso da informatividade, aspectos que, aliás, costumam estar inter-relacionados, além de um posicionamento claro e de introduções caprichadas e instigantes. Percebam como, a partir de uma boa seleção dos assuntos que seriam trabalhados – o que demanda um planejamento inicial – Caio e João elaboraram textos coesos, coerentes, com argumentação desenvolvida.

Vale a pena conferir!

Texto 1

Decreto de falência

     A Justiça é o valor máximo que rege as instituições sociais: é a tentativa de conciliar as inúmeras diferenças de uma população para elaborar normas que garantam a todos um convívio harmonioso. É, sobretudo, a graça de não se vingar do infrator, mas buscar puni-lo com proporcionalidade e reintegrá-lo à vida em sociedade. O sistema prisional brasileiro, entretanto, possui incoerências que contradizem frontalmente com a Justiça. O explícito sintoma dessa contradição, a superpopulação carcerária, é, na realidade, causado pela exagerada atribuição de penas de exclusão a condutas pouco violentas e pelo indiscriminado uso de mecanismos judiciais preventivos.

     A punição de um delito deve ser diretamente proporcional ao dano que ele provoca na comunidade. Porém, essa não é a única explicação do maior rigor com que a lei encara o estupro quando comparado ao furto. Nesse caso, um período de reclusão mais prolongado se explicaria também pelo maior grau de periculosidade do criminoso, ou seja, o estuprador possui uma índole mais violenta que o que furta, o que aumentaria as chances de aquele cometer novos crimes graves. Dessa forma, parte do tamanho da pena para o estupro visa a disponibilizar ao criminoso o tempo necessário para sua plena ressocialização. As prisões brasileiras, contudo, operam de forma divergente a esse critério. Diversos infratores que requerem pouca ressocialização, restando então somente o componente punitivo da pena, que é por excelência menor, são sentenciados ao regime fechado. Essa forma de cumprir a sentença exerce imensa pressão nas penitenciárias públicas e, portanto, deveria ser mais restritamente aplicada. É inadmissível, por exemplo, que uma significativa parcela dos presidiários tenham sido condenados por crimes relacionados ao tráfico e uso de drogas, crimes estes que poderiam ser cumpridos perfeitamente em regime semiaberto ou com medidas socioeducativas.

     Da mesma forma, o basilar princípio do direito à ampla defesa e ao contraditório, necessário para um sistema justo, é desrespeitado, gerando excesso populacional nas cadeias. Um terço dos presos não foram condenados sequer em primeira instância, o que é injustificável do ponto de vista ético. Afinal, os brasileiros não podem arcar com os custos da morosidade do Judiciário. Se a quantidade de processos é grande demais, aos suspeitos deve-se garantir a possibilidade de responder judicialmente em liberdade. No entanto, utiliza-se como pretexto a prisão preventiva, mecanismo de cunho excepcional reservado aos indiciados que podem obstruir as investigações, para supostamente proteger a população do crime. Essa prática é ainda mais condenável quando se nota que os mais afetados são os mais humildes, que não possuem recursos para contratar bons advogados para auxiliá-los. Assim, além de profundamente injusta, a prisão preventiva agrava a já deplorável condição das prisões brasileiras pelo aumento de encarcerados.

     Destarte, a superpopulação nas cadeias é resultado de desrespeitos a princípios fundamentais do direito. Espanta, ademais, que a causa da lastimável condição dos presídios seja provocada tanto pela própria Lei quanto pelos profissionais da ordem, isto é, juízes, policiais e procuradores. Quando a anomia é responsabilidade daquilo que deveria manter a justiça social, definitivamente deve-se decretar a falência completa do sistema, quiçá irreparável a curto prazo.

Caio Xavier dos Santos Araújo, 3H1

Texto 2

     A lamentável superlotação nos presídios brasileiros é um problema que existe em todo o território nacional e apresenta graves riscos a toda a população. O excesso de contingente no sistema carcerário tem de ser visto fundamentalmente sob dois olhares: que é uma violação dos direitos humanos garantidos a todos os cidadãos pela Constituição Federal e que é mais um fator que contribui com a maior criminalidade e a reincidência por parte de presos.

     Desde 1988, quando foi promulgada a mais recente Constituição no Brasil, são assegurados a todos no país direitos básicos em acordo com os direitos humanos estabelecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Neste mesmo documento é garantido que nenhum cidadão terá seus direitos temporária ou permanentemente suspensos, mesmo ele sendo condenado e preso por cometer algum crime. As condições deploráveis dentro dos presídios brasileiros são uma flagrante violação de vários dos mais básicos desses direitos, que são ignorados por partes da população e muitos no poder, pois a população carcerária raramente é de preocupação de muitos. Relegar quase 600 mil brasileiros a espaços que não podem, em tese, suportar mais de 300 mil pessoas, é sancionar a violação do direito de viver de maneira decente de centenas de milhares de brasileiros. Ao contrário do que pensam os mais toscos e limítrofes que saem bradando lemas como “bandido bom é bandido morto” e “direitos humanos só para cidadãos de bem”, todo e qualquer ser humano deve ser tratado com respeito e dignidade. Violar o artigo da Constituição que determina que cada preso terá sua própria cela com tamanho adequado, condições de higiene aceitáveis e sistema sanitário básico afeta muito mais do que os marginalizados e encarcerados, afeta diretamente o cidadão de bem trabalhador ao gerar maior criminalidade.

     Ao amontoar dezenas de pessoas em pequenos espaços e obrigá-las a passar a maior parte de seu tempo em condições sub-humanas, a única consequência que se pode esperar é a violência. Os números absurdos de detentos por vagas nos presídios do país são parte da explicação da completa ineficácia de um sistema que deveria, em primeiro lugar, reeducar infratores e contraventores. A superlotação estimula a operação de grupos criminosos organizados dentro das instituições prisionais, pois já há um ambiente de hostilidade entre os encarcerados. Assim sendo, indivíduos são coagidos a cometerem crimes enquanto presos e passam a integrar quadrilhas e facções criminosas com as quais não teriam contato antes. Ao terminarem suas penas, veem no mundo do crime, com o qual já se acostumaram, uma oportunidade de retomar a vida e voltam a cometer atos ilegais.

     Entender e resolver a superlotação dos presídios no Brasil é necessário para acabar com uma das mais graves e amplas violações de direitos no país e para diminuir a criminalidade ao mesmo tempo. Não são apenas presos que estão sendo sujeitos a tamanha violência, são pessoas, são seres humanos, são cidadãos e merecem ser tratados com respeito e dignidade.

João Gado Fernandes Costa, 3H1

Texto-Modelo da Prova Bimestral de Humanas – Olívia Bellotto de Moraes

Abaixo, vocês poderão ler o texto produzido na prova bimestral, pela colega Olívia Bellotto de Moraes, da 3H1. O tema é, como o título já anuncia, a superlotação dos presídios.

Vale observar vários elementos da dissertação escrita pela Olívia: a ótima organização das ideias (fica tão claro que a colega PLANEJOU o texto antes de o escrever…); a resultante coerência entre as ideias, do início ao fim do texto; a expressividade da introdução, devido à aplicação da técnica da Frase Nominal; a incrível atualidade dos argumentos, que demonstram que a autora escreveu o texto envolvida pelo tema e imbuída de tudo o que tem lido a respeito do assunto.

Boa leitura a todos!

Parabéns, Olívia!

Os problemas da superpopulação nos presídios

      Violento. Perigoso. Desorganizado. Infelizmente, assim pode ser descrito o cenário das cadeias brasileiras. A situação da superpopulação vem se agravando, e o poder público parece já não saber mais como devolver a ordem aos presídios, uma vez que causas e consequências fazem parte de um círculo vicioso difícil de ser quebrado.

      As causas e consequências geradoras desse aumento do número de presos encarcerados, lamentavelmente, são diversas e se encontram em vários âmbitos da sociedade. A começar pelo sistema educacional público, que também está muito degradado. Devido às péssimas condições de ensino, como falta de professores e insuficiência de equipamentos nas salas de aula, os alunos não se sentem motivados a estudar. Dessa forma, o que deveria ser um instrumento para tirar crianças e jovens de situação de risco não cumpre o seu papel. Além disso, sistemas judiciário e penal lentos e ineficazes como os brasileiros atrapalham ainda mais a situação: muitos presos que já cumpriram as suas penas continuam encarcerados e diversos suspeitos esperam julgamento durante meses dentro das prisões.

      Diferentemente do que se imagina, as consequências da superpopulação nos presídios não se restringem apenas ao âmbito humanitário. A violação dos direitos humanos, garantidos inclusive pela Constituição Brasileira de 1988, é o problema mais visível desse cenário, porém não o único. O aumento populacional comumente extrapola a capacidade máxima de detentos permitida em uma prisão, o que compromete a sua segurança. Como resultado, chefes do crime organizado continuam a comandar suas operações – isso quando não as fazem de dentro de suas celas, como é o caso do famoso golpe do prêmio falso – por meio de telefones celulares levados ilegalmente para dentro dos presídios. Outra situação também possível devido à superlotação das cadeias são as revoltas dos presos, que se amotinam contra os guardas. Frequentemente, a resposta encontrada pelas forças policiais e militares é, infelizmente, a violência, como aconteceu na revolta do Carandiru, presídio paulista onde 111 presos foram assassinados pela PM, em 1992. Ademais, há também um fator ideológico: não há interesse por parte da sociedade em reintegrar aqueles que já cumpriram a sua sentença, o que leva ex-presidiários a retornarem ao mundo do crime.

      Em conclusão, o problema da superpopulação carcerária é grave e precisa ser estudado para que planos sejam criados para o seu combate efetivo, uma vez que a conjuntura de fatores responsáveis pela questão é complicada e as consequências implicadas são diversas.

Texto-modelo da aula 4 – Celina Oshiro

A Celina Oshiro, da 3B1, redigiu ótimos parágrafos conclusivos e um título criativo para o texto sobre a validade das informações que encontramos na Internet, fornecido na aula 4. Com excelente linguagem e cuidadosa coesão, a aluna retoma, na conclusão-resumo, os principais aspectos desenvolvidos no texto-base e, na conclusão-proposta, apresenta sugestões factíveis e muito bem detalhadas. Se fosse no Enem… Confiram!

Título: Alerta! Vírus da ignorância detectado

Conclusão-resumo

Em suma, o enorme volume de fontes contendo informações desprovidas de embasamento acarreta o alastramento de conhecimentos duvidosos e até mesmo errôneos. Embora haja sites confiáveis, cujo acesso tornou-se viável e simples com a internet, discerni-los dentre terabytes de páginas de conteúdo questionável, protegidos por princípios como a liberdade de expressão, é tarefa árdua e complicada a qual a expressiva maioria das pessoas não possui empenho ou capacidade para realizar.

Conclusão-proposta

Tendo em vista essa alarmante difusão de conhecimentos dúbios, seria possível desenvolver-se uma extensão de navegador para minimizar as chances de internautas dependerem de informações incertas. Tal ferramenta, que estaria disponível para download, funcionaria integralmente enquanto o navegador – programa pelo qual se acessam sites na internet – estivesse aberto e utilizaria o sistema de “cross-data” ou data crossing (verificação de ocorrências comuns em localidades diferentes) entre os principais resultados de busca de sites, como o próprio Google. Esse sistema permitiria consultar e até analisar a frequência com que ideias de diversas fontes aparecem em páginas amplamente consultadas, diminuindo as chances de pessoas utilizarem informações incorretas e divulgando para uma parcela destacável dos internautas tais dados adquiridos. Quanto ao seu desenvolvimento e programação, ONGs, faculdades relacionadas à informática e inclusive o MCTIC – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações – poderiam encarregar-se de praticá-los.

Celina Oshiro

 

Texto-modelo da prova bimestral – Bárbara Nakamuta

Atendendo a pedidos – mais do que justos -, publicamos um texto muito bem avaliado na prova do 1.o bimestre. A ideia é que a leitura de bons textos ilustrem os comentários que os professores fizeram em aula na devolução da prova, principalmente sobre o que se considera uma boa argumentação.

A Bárbara, da 3B1, fez um ótimo texto sobre o tema proposto: os trotes universitários no Brasil. Além da alusão a alternativas adotadas na FMUSP e da analogia com o feudalismo – recursos que lhe garantiram informatividade – a Bárbara conduz o leitor ao seu posicionamento contrário aos trotes, com argumentos persuasivos. É notável que não há muitas informações, mas ideias selecionadas e trabalhadas em profundidade. Esse é um bom caminho para conseguir um resultado consistente. Confiram o resultado!

 

Vassalagem universitária

A prática de trotes nas universidades é tão disseminada pelo Brasil que se tornou praticamente norma a sujeição dos calouros, por pura coerção social, a situações desagradáveis e constrangedoras. Ainda que seja vista por muitos como simples brincadeira ou rito de passagem, a ocorrência do trote é lastimável e perniciosa à comunidade universitária.

O trote, ao contrário do que é difundido nas universidades onde ocorre, não constitui uma cerimônia de iniciação adequada ou proveitosa. Sua prática, além de poder causar sérios acidentes, por vezes arruína, por meio de prendas e brincadeiras de mau gosto, um dia que deveria ser especial para os calouros e dedicado à parabenização deles pelo ingresso à faculdade. Ademais, embora defendido como rito de passagem, mal necessário ou tradição obrigatória, o trote é totalmente dispensável e substituível. Em faculdades onde foi abolido, como a Faculdade de Medicina da USP, os primeiros dias dos calouros são marcados não por vergonha e desconforto, mas pela introdução, conduzida pelos veteranos, às instalações do campus, pelo diálogo e troca de experiências entre estudantes. Dessa forma, ocorrem o estabelecimento de relações interpessoais e a verdadeira integração, marcando a primeira semana do calouro de modo infinitamente mais positivo do que um trote faria.

É fato que nem todos os trotes são violentos ou humilhantes, mas todos são prejudiciais ao contribuir para o fortalecimento de uma rígida hierarquia dentro da faculdade. Com a execução de ordens e brincadeiras do trote, os calouros se submetem aos veteranos, estabelecendo relação desigual bastante semelhante às de suserania e vassalagem do feudalismo, na qual um vassalo, por meio também de um ritual, declarava submissão a seu senhor. A diferença, contudo, além do milênio transcorrido desde a Idade Média, é que enquanto os vassalos cultuavam gratidão e lealdade a seus suseranos, os calouros, devido à hostilidade do trote, passam a ter uma imagem negativa dos veteranos, prejudicando suas relações. Dessa forma, um ambiente universitário, em que todos deveriam se unir e se integrar em pé de igualdade, passa a ser uma sociedade fragmentada e quase estamental, dividida entre calouros e veteranos.

Logo, o trote é uma prática lamentável que surte consequências mais profundas do que, em um primeiro momento, se imagina. Por não trazer nada de benéfico à experiência de ingresso dos calouros à universidade e ainda prejudicar suas relações com veteranos, o trote deveria ser abolido por todas as universidades.

Bárbara V. Nakamuta

Texto-modelo da aula 3 – Victor Bartholomeu

Para finalizar a coletânea de textos-modelo sobre o uso de cobaias animais, segue a redação do Victor Bartholomeu, da 3B3. O Victor – ou Barthô! – fez uso de uma estratégia bastante pertinente: a apresentação e desconstrução dos argumentos contrários à sua tese – de que é válido usar cobaias animais em experimentações científicas. Observem o resultado dessa estratégia. Boa leitura!

 

Conclusões equivocadas sobre o uso de animais na experimentação científica

Movimentos organizados em prol da defesa dos animais, juntamente com cidadão que simpatizam com essa causa, são ferrenhos críticos do uso de animais em pesquisas científicas. Esses indivíduos e organizações, porém, desconsideram que os condutores de experimentos com cobaias se importam com o sofrimento dos animais e que estes visam mais do que apenas ao lucro.

Os principais argumentos defendidos por ativistas contrários à utilização de animais em experimentações científicas são os de que os responsáveis por tais pesquisas visam somente ao lucro. Além disso, apontam que por os cientistas serem cruéis, além de ignorarem o sofrimento das cobaias, as submetem a isso por interesses não justificáveis, ou seja, motivos fúteis. Porém, os ativistas desconsideram fatos essenciais, o que os leva a um grande equívoco da parte deles.

Primeiramente, a motivação da pesquisa científica não é puramente econômica. Muitas pesquisas têm como finalidade a melhora da condição de vida do nosso planeta, como a cura do câncer e da AIDS, doenças responsáveis pela morte de milhares de pessoas. Portanto, é possível afirmar que a pesquisa científica, na qual animais estão envolvidos, também possuem finalidade humanitária.

Além disso, de modo geral, os cientistas se importam com o sofrimento dos animais. Inclusive, eles só os usam por não haver outra opção. Não há como simular sistemas complexos humanos, como o sistema nervoso, sinteticamente, e nem certas circunstâncias, como a depressão. Aliás, devido à preocupação da comunidade científica em relação à ética no uso de animais, foi sancionada a Lei Arouca, que visa ao bem-estar das cobaias. De acordo com a regulamentação, para o sofrimento animal ser evitado ao máximo, as cobaias devem ser submetidas a analgésicos durante os experimentos caso elas sofram. Além disso, caso não seja possível evitar o sofrimento, a cobaia deve sofrer eutanásia.

Um outro equívoco sobre as pesquisas é o de que os cientistas visam apenas a interesses humanos. Tal crença é uma mentira, pois o avanço científico pode ser aplicado de diferentes maneiras, envolvendo tanto interesses humanos como não-humanos. Exemplos de interesses não-humanos que podem receber atenção são a criação e o aprimoramento de produtos e vacinas animais, além da criação de organismos sintéticos que os substituam perfeitamente em testes, livrando-os do envolvimento com o assunto.

Em resumo, há muito equívoco da parte opositora ao uso de animais na experimentação científica. Os cientistas só os usam porque é a única alternativa, e não porque são maus ou negligentes. Além disso, levam a condição deles em consideração.

Victor Bartholomeu

Texto modelo da aula 3 – Júlia Maita

Abaixo, vocês poderão ler mais um texto muito bem escrito, a respeito dos experimentos científicos com cobaias animais. A colega Júlia Maita, da turma 3H2, defende que se incentive a realização de outra espécie de testes (que já existem), sem o uso de animais. Para a Júlia, testes com cobaias não passam de “um capricho do ser humano”.

Boa leitura!

O valor de uma vida

          Grande parte da população mundial, assim como indústrias atuantes em diversos âmbitos, são favoráveis ao uso de animais em experimentações científicas. Esses indivíduos argumentam que a espécie humana, por ser mais importante do que os demais seres vivos, deve subordiná-los aos seus interesses. Submeter os animais a testes extremamente cruéis, entretanto, pode causar danos irreversíveis a sua saúde ou até mesmo ser fatal, apenas para satisfazer algo que não passa de um capricho do ser humano.

          É de conhecimento geral que antes de muitos produtos – cosméticos ou medicamentos – serem disponibilizados para o uso humano, são testados de forma violenta em animais. Infelizmente, muitos consumidores não têm consciência do tipo de sofrimento ao qual ess­es animais – destinados exclusivamente a essa função – são submetidos para que possam usar seus filtros solares, cremes dentais, sabonetes e diversos outros itens banais no cotidiano. Esses produtos, apesar de terem grande importância, não são essenciais para a sobrevivência humana, e se o indivíduo, mesmo assim, desejar usá-los, pode optar por marcas livres de crueldade animal. Claramente nenhum ser humano se submeteria a queimaduras, desenvolvimento de tumores, perda de visão, audição ou ate à morte para que um produto que pode ser considerado dispensável, seja desenvolvido. Dessa maneira, é inaceitável que animais inocentes que não podem dar consentimento algum sobre o que vai ser feito com seu corpo passem por isso apenas por serem tidos como inferiores ao homem.

          Para tanto, o mundo atual com certeza conta com inúmeras novas tecnologias, que, se aplicadas efetivamente, poupariam os animais de tanta crueldade. Com pesquisas detalhadas e extremamente criteriosas unidas a outros tipos de teste, diversos experimentos com animais poderiam deixar de acontecer. Um exemplo de teste que não envolve seres vivos inocentes é aquele com células-tronco in vitro, que garante a eficiência do produto sem prejudicar seres humanos ou animais. É importante também levar em consideração que há diferenças entre os organismos destes últimos. Portanto, o que funciona em um não necessariamente funciona em outro, levando a crer que testes com cobaias animais podem não ser os mais confiáveis para garantir segurança e qualidade de um produto.

          Em suma, experimentos com animais causam enorme sofrimento que pode ser evitado. Algumas marcas – de cosméticos, por exemplo – estão se desfazendo desse processo e disponibilizando produtos que em cujo desenvolvimento não foi empregado nenhum tipo de violência. O ideal seria que os consumidores se interessassem mais em saber as circunstâncias nas quais seus artigos são fabricados e, assim, conscientizassem-se sobre a complicada questão ética envolvida no processo e passassem a consumir cada vez mais itens “livres de crueldade”, como são chamados.

Julia Maita Cavezzale Curia