Resultado da votação do VI Festival Livre Opinião

Destacado

TOTAL GERAL DE VOTOS PÚBLICO CRÍTICA MÉDIA        
Texto 1 – “Armário” 24,5% 10,7% 17,6% 2.o colocado (João Vitor C. Nascimento – 3E2)
Texto 2 – “Devaneios Linguísticos baseados em 1984” 15,1% 14,3% 14,7% (Carlos Sampaio Cherto – 3E1)  
Texto 3 – “Diagnóstico Ocular” 28,3% 21,4% 24,9% 1.o colocado (Alessandra Blücher – 3E2)
Texto 4 – “Ônibus às 18:30” 4,6% 21,4% 13,0% (Vitor Matheus Brilhante Amaral – 3H2)
Texto 5 – “Ontem pensei na morte” 3,3% 7,1% 5,2% (Vitor Matheus Brilhante Amaral – 3H2)
Texto 6 – “Tribunais de Facebook” 20,1% 14,3% 17,2% 3.o colocado (Laura – 3B1)  
Texto 7 – “Uma opinião sobre opinar” 4,3% 10,7% 7,5% (Miguel Sarraf F. Santucci – 3E2)  

Parabéns pelos resultados, Alessandra, João Victor e Laura! Parabéns, também, a todos os participantes do VI Festival Livre Opinião! Seus textos inspirados levaram os leitores – alunos, professores, inspetores, coordenadores – a pensar e a se emocionar.

Só no Facebook, suas opinões conquistaram um total de 703 votos. Vocês são prova de que na escola deve haver pensamento crítico, sim, senhor! Aliás, esse foi um assunto presente em alguns textos inscritos, o qual, junto a tantos outros temas – de natureza social, filosófica e ambiental -, revelaram o quão antenados e engajados com essas questões vocês estão.

Muito obrigado por contribuírem com o sucesso desse evento. E sigam opinando sem medo, porque a sociedade precisa de pessoas como vocês: corajosas e críticas. Vocês, de fato, podem mudar o mundo!

Equipe de Redação

 

 

Produção textual – “Mobilidade urbana” (PUC 2016) – Beatriz Garcia

A PUC, no vestibular do ano passado, pediu aos alunos que redigissem uma carta a um dos dois especialistas em mobilidade urbana apresentados pela coletânea, concordando com suas ideias ou refutando-as. A Beatriz, da 3E2, escreveu sua carta ao engenheiro e mestre em transportes Sérgio Ejzenberg, questionando seus argumentos de que o motorista não pode ser culpabilizado pelos congestionamentos da cidade de São Paulo. Mais do que refutar, a Beatriz conseguiu embasar sua crítica com o bom uso de contra-argumento e com reflexões que evidenciam sua preocupação com o bem coletivo, em detrimento do individual. Além disso, manteve a interlocução própria do gênero carta, explorando-o também com o bom uso de exemplos de sua própria vivência.

Aproveitem a leitura desse ótimo exemplo de carta argumentativa!

 

São Paulo, 30 de setembro de 2016
Prezado senhor Sérgio Ejzenberg
Redijo-lhe esta carta a fim de manifestar e embasar meu desacordo com o ponto de vista apresentado por sua matéria. Eu, como cotidiana usuária do transporte público paulistano, que dispensa o uso do próprio carro, discordo de que o uso do automóvel seja tão essencial quanto alegado.
É fato que a grande maioria dos usuários de carros usam-no para trabalhar ou estudar, entretanto, esses dados não significam que tais usuários não possuam a possibilidade de, com algum esforço, trocar o transporte privado pelo público. Eu, ao optar pelo uso do sistema de ônibus, aumento o período de minha jornada em dez minutos, e abro mão do conforto de estar sozinha em meu carro. Tais sacrifícios, entretanto, resultam em um carro a menos nas ruas diariamente, melhorando o trânsito para aqueles que possuem o automóvel como única alternativa, e diminuindo o impacto ambiental.
Por isso, considero imprescindível que o paulistano coloque o benefício coletivo acima do individual. Uma vez que a maioria da população da cidade faz uso do transporte público no dia a dia, o benefício coletivo implica a expansão e melhora do sistema de transporte público, mesmo que esta acarrete prejuízo à minoria usuária de carros, que inclusive passaria a optar pelo transporte coletivo ao perceber que o uso deste passa a ser mais vantajoso que o uso do automóvel.
Dessa forma, fica claro fica claro para mim que o uso do automóvel é opcional para muitos, independentemente do objetivo do uso deste, e que a melhor alternativa para a melhoria do trânsito paulistano é o investimento no transporte público, mesmo que este acarrete desvantagens ao transporte privado, em nome do benefício coletivo.
Atenciosamente,
Carla Mendes

Finalistas do VI Festival Livre Opinião

Queridos alunos, chegou o grande momento: a divulgação dos sete finalistas do VI Festival Livre Opinião!

São eles:
– Armário (João Vitor C. Nascimento – 3E2)
– Devaneios linguísticos baseados em 1984 (Carlos Sampaio Cherto – 3E1)
– Diagnóstico ocular (Alessandra Blücher – 3E2)
– Ônibus às 18:30 (Vitor Matheus Brilhante Amaral – 3H2)
– Ontem pensei na morte (Vitor Matheus Brilhante Amaral – 3H2)
– Tribunais de Facebook (Laura – 3B1)
– Uma opinião sobre opinar (Miguel Sarraf F. Santucci – 3E2)

Você pode lê-los tranquilamente aqui no Blog ou, se preferir, no Facebook (https://www.facebook.com/festivallivreopiniao/?fref=ts). A votação, porém, só será feita via Facebook, por meio de sua “curtida”. Boa votação! Prestigiem os textos dos colegas!

Texto 1

Armário

É refúgio, mas solidão.

Falsos amigos conquistados

Pois mentir é única opção.

É refúgio, mas negação.

Este Armário-fantasia

Transfigura o eu de uma ilusão.

É refúgio, mas agressão.

Este Armário-calabouço

Aprisiona a alma em ascensão.

É refúgio, mas depressão.

Este Armário-agonia

Representa uma interna automutilação.

È refúgio, mas também não.

Corpo deitado ao chão.

Sem reação.

Com o tempo,

Este Armário-expulsão

Expõe o alheio coração.

Texto 2

Devaneios Linguísticos baseados em 1984

[Você] não compreende a beleza da destruição de palavras. Você sabia que a Novafala é a única língua do mundo cujo vocabulário encolhe a cada ano? […] Você não vê que a verdadeira finalidade da Novafala é estreitar o âmbito do pensamento?”

1984, George Orwell.

 

1984 é um livro fascinante em que George Orwell apresenta uma sociedade totalitária governada por uma instituição chamada Partido, estruturada com o propósito de impedir a ascensão social do proletariado, a parte pobre do povo que engloba cerca de 85% da população. Entre as muitas ferramentas que são utilizadas para fazer a manutenção desse controle social, a mais interessante é a Novafala.

É raro refletirmos sobre a importância das palavras na estruturação dos pensamentos. Estamos tão acostumados com elas que nos esquecemos de que as usamos para pensar e, portanto, que nossas ideias são influenciadas pela língua. A Novafala é um idioma que, no contexto do livro, está sendo construído e lentamente implementado com o intuito de limitar o poder racional da população, de forma a fazer com que seja impossível sequer pensar em ideias rebeldes. Logo, a adoção absoluta dela significaria uma vitória definitiva do poder totalitário, pois faria com que todos ficassem eternamente censurados dentro de suas próprias mentes, incapazes mesmo de sonhar com qualquer conceito determinado como impróprio pelo Partido. Esse é exatamente o oposto do objetivo de uma língua normal, que é formulada com o propósito de ser extremamente maleável, permitindo assim que o emissor possa expressar tão bem quanto possível qualquer pensamento ou situação que deseje.

O vocabulário de Novafala foi montado de forma a sempre atribuir significados muito específicos às palavras, englobando apenas conceitos que um membro “decente” do Partido poderia desejar expressar. Essa precisão das palavras impede que se chegue aos pensamentos impróprios através de meios indiretos, como analogias. Ao fazer com que cada palavra tenha um significado particular e muito bem definido, a Novafala prende seu usuário ao mundo concreto e a um universo limitado. É fácil perceber que a falta de subjetividade na língua alteraria por completo a arte, a filosofia e mesmo a ciência. Nossas ideias se tornariam muito mais limitadas, perderíamos grande parte do nosso poder criativo.

No livro, muitas palavras foram simplesmente destruídas por serem consideradas inúteis ou indesejáveis. Livraram-se dos sinônimos, pois estes traziam diversidade à língua. Palavras novas foram criadas, todas tão curtas e fáceis de pronunciar quanto possível. O objetivo dessas alterações era fazer com que o diálogo se tornasse uma ação quase mecânica, em que houvesse um esforço intelectual mínimo.

Palavras eram negativadas com a adição do afixo “des-”, fazendo com que não fosse necessária a criação, por exemplo, de uma palavra para “bom” e outra para “ruim”, haveria apenas “bom” e “desbom”. Dessa forma, pode-se garantir que o antônimo da palavra significaria apenas seu oposto. A palavra “bom” nos conduz a um determinado conjunto de conceitos mentais, por outro lado, “ruim” nos leva a noções diferentes, que se contrastam, mas nem sempre são opostos absolutos. Essas características enriquecem o idioma regular e consequentemente as mentes daqueles que são fluentes nele.

A “arte da destruição de palavras” é venenosa à mente dos falantes e ouvintes de Novafala. Suas ideias e opiniões se tornam simples e automáticas. Acaba-se com o raciocínio, com a reflexão e com a criatividade. Há, porém, uma importante lição a ser aprendida através desse experimento mental pelo qual Orwell nos conduziu.Tendo compreendido a importância da linguagem em nosso desenvolvimento intelectual, podemos seguir o caminho oposto ao dos personagens de 1984, expandindo nosso vocabulário, estudando diferentes línguas e até criando palavras.

Existem diversas palavras que possuem definições encantadoras, que são esquecidas porque nos preocupamos muito mais em dominar o momento em que devemos usá-las do que com seus significados. Sabemos, por exemplo, que a palavra “agonia” pode ser utilizada como um sinônimo para dor e entendemos o contexto em que podemos usá-la, mas é muito mais interessante saber que essa palavra pode ser definida como “o sentimento que se tem antes da morte”. Esse conhecimento enriquece a expressividade da palavra, e acentua o seu peso.

A fluência em diversos idiomas, por sua vez, permite que se enxergue o seu próprio de forma completamente nova. Quando se tem acesso apenas à língua materna, é difícil perceber todas as particularidades e vazios desta. É enriquecedor conhecer a flexibilidade do inglês, a sonoridade do francês, os aumentativos e diminutivos do português e a beleza das palavras compostas do alemão. Existem ainda incontáveis características fascinantes em outras línguas, e podemos aprender muito ao estudá-las.

Por fim, a construção de novas palavras, também conhecida como neologismo, é um processo comum entre autores. A língua é frequentemente incapaz de expressar conceitos com perfeição, principalmente quando se trata de emoções. A natureza complexa da mente humana nos condena a não conseguirmos nos expressar por completo, a não podermos explicar o que sentimos com exatidão. Talvez algum dia, se criarmos um idioma perfeito, seremos capazes de mostrar aos outros precisamente como nos sentimos, aí sim seremos verdadeiramente felizes. Afinal, o próprio Orwell escreveu que ser compreendido pode ser ainda mais desejável do que ser amado.

 

Texto 3

Diagnóstico Ocular

Dá-me um óculos.

Não para enxergar melhor

Mas fazê-lo verdadeiramente

Vendo a realidade bordada constantemente.

Minha visão necessita de ajustes.

Há um problema em enxergar perfeitamente

Algo tão completamente embaçado.

Impossível algo não estar errado.

Qual seu grau?

Grau de privilégio?

Grau de ingenuidade?

Quanto você encarrega seus olhos da verdade?

Me recuso a acreditar que não há problemas ópticos.

Tu dizes que é opção enxergar além do próximo?

Basta de lirismo e choro.

Egoísmo é mau do olho.

Texto 4

Ônibus às 18:30

Entro no ônibus

e vejo lugares pra sentar;

Reparando em minha volta

vejo todos ao celular.

Sem para sua volta olhar,

sem problemas pra lidar,

sem contas pra pagar,

sem família pra cuidar

e o ônibus a lotar!

Mas qual o problema nisso

se nessa infinitiva viagem,

de curtidas e mensagens,

eu ter meu celular?

Entre meus telefonemas

o ônibus vai enchendo

sem lugar pro pensamento

e o calor a aumentar…

A bateria vai acabando,

o ônibus apertando,

eu; minhas costas estalando

tentando me acomodar;

E entre meu plano acabando

e o gerúndio me infernizando,

minha paciência vai se esgotando.

Começo a me irritar!

Olho nos olhos vazios

quais me provocam calafrios;

Não escuto nem um pio

e meus versos preciso mudar.

E ao mudar meu pensamento

sigo no mesmo lamento,

com essa gente não me contento

sempre vidrada no celular!

E se paga mais uma passagem

pra continuarmos a viagem;

Nas ruas a buzinagem;

O ônibus começa a esvaziar.

Os que restam dormem aos cantos

sonhando com seus recantos

e eu só imagino quando

em meu ponto irei chegar…

Passei pela rua escura,

abri a fechadura;

No pretérito tudo é perfeito,

mas no futuro nada é direito

e quando em minha cama deitar

vou mexer no celular!

Texto 5

Ontem pensei na morte

Ontem pensei na morte

e em meu delírio tão são

pensei: por que tememos tanto a morte?

talvez levemos muito tempo temendo isso

por que temer o que é desconhecido?

por que colocar em seres místicos o poder de nossas ações?

porque?

talvez Deus não seja nada além de nosso subconsciente

e o inferno nossos próprios julgamentos

mas o homem é egoísta

e cria meios para se fincar no hoje

tememos nossa incapacidade de fugir do inevitável

tememos o esquecimento

a impotência

a fraqueza

o buraco do qual

nada sabemos

além do que é

falsa

criação

Texto 6

Tribunais de Facebook

Dentre as várias opções de redes sociais disponíveis, o Facebook é a que apresenta maior adesão e maior possibilidade de recursos a serem explorados, por exemplo chats, grupos e transmissões ao vivo. Dentre esses recursos, um deles vem sendo amplamente utilizado, apesar de não haver sido planejado pelos criadores da plataforma: os tribunais. Para dar início a sessão do tribunal de Facebook basta a evidência que aparece em forma de print, foto, notícia ou simplesmente uma postagem contendo qualquer traço de juízo de valor. A partir daí, é só esperar que chegue qualquer advogado, juntamente com seu parecer (que surge em forma de comentário), seja ele de acusação ou defesa, concordância ou discordância. Raramente se encontram posições intermediárias, um dos principais elementos do tribunal é a extrema polarização, acompanhada de discussões bastante acaloradas. O júri (seus próprios amigos, às vezes nem tão próximos assim, afinal basta uma solicitação e um clique para uma amizade “se consolidar”) manifesta sua opinião através de curtidas, de novos comentários e das mais novas categorias: memes e emojis. Com inovações quando comparado à forma tradicional, o tribunal de Facebook não conta com um juiz como mediador e as formas de punição vem durante o próprio julgamento: alguém que caiu nas garras da internet, seja por exposição própria ou por escolha de algum estranho, sofre centenas de julgamentos precipitados, sem que muitas vezes tenha sequer a chance de se defender. Além disso, nesse tribunal não há contato físico, o que torna a interpretação de cada parecer bastante controversa, por vezes deixando escapar ironias, sarcasmos e outros recursos que podem tanto amenizar quanto acalorar ainda mais o debate. O habeas corpus só é obtido quando o “culpado” vem se justificar diante da internet. A partir de que momento passamos a ter que nos justificar diante de estranhos na internet? O tribunal também altera o famoso ditado “A grama do vizinho é sempre mais verde”. Ora, é o outro que está fazendo algo deplorável! Na linha do tempo dos que julgam, não há erros, tristezas ou problemas. Muito pelo contrário! Constam somente checkins nos melhores restaurantes e fotos tipicamente turísticas. Neste tribunal contemporâneo, pouco importa o que se sabe sobre o autor do “crime” ou se há poucas informações sobre o que é mostrado, afinal a prova claramente mostra. Mostra o que cada lado quer ver.

Texto 7

Uma opinião sobre opinar

Podia opinar

sobre vários assuntos:

Feminazi Feminismo;

Escola sem partido;

O novo Star Wars; ou mesmo

O “”””””””””golpe “”””””””””.

Mas… Opinar?

Não preciso opinar,

nada nunca muda.

Opinando ou não,

a água rápida

continua imparável,

segue o leito

e não liga pra mim.

A tua opinião->meu lixo

A minha opinião->teu lixo

Na frente do vento,

só o sinto,

nunca o paro.

Não há como parar o vento.

Contra ou a favor,

ele continua inalterado.

Antes da opinião

igual

depois da opinião.

A lua não parou pra me ouvir.

Cardumes de sardinhas,

enxames de abelhas nem

manadas de elefantes

pensaram em querer pensar no que disse.

Efetivamente,

é mais fácil não opinar.

Já que ninguém vai me ouvir,

não vou me frustrar.

Mas espera…

Droga!

Acabei de opinar.

Produção textual – “Utopia” (Fuvest 2016) – Mariana Yanase

Abaixo, vocês poderão ler mais um ótimo texto, a respeito das Utopias (tema da Fuvest-2016). A Mariana Yanase, da 3H1, fez uso de exemplos históricos – desde a Introdução, em forma de ilustração – para comprovar sua tese: de que as Utopias são indispensáveis.
Atenção também ao belo título formulado pela Mariana! O “farol” é, para as embarcações, um guia, um elemento que lhe dá norte… É um título supersugestivo, portanto!

O Farol

                No ano de 1789, a sociedade francesa foi agente de um dos maiores acontecimentos da história contemporânea. Munido pelo lema: “Liberdade, Fraternidade, Igualdade”, o povo francês, cansado dos constantes abusos cometidos pela realeza e sua nobreza parasitária, iniciou uma revolução que objetivava a formação de uma sociedade justa e igualitária, mas sobretudo feliz. Casos como a Revolução Francesa enquadram-se em utopias que, inegavelmente, além de serem almejadas, são indispensáveis.

                O termo “Utopia” (de eu-topia, lugar feliz) caracteriza-se pela presença de um ideal que é capaz de conduzir um grupo de pessoas a sua realização. Assim, sua ausência traz consequências indiscutivelmente negativas. Sua desaparição representa à sociedade a perda de objetivos e da possibilidade de mudança, o que faz com que a realidade passe a ser vista como algo imutável. Essa consciência, causada pela falta de um ideal, faz com que a humanidade, nas palavras de Karl Mannheim, torne-se “um mero produto de impulsos”, dispersando todas as possibilidades de realização de significativas mudanças. Logo, a sociedade passa a andar a esmo, sem objetivos e, principalmente, sem conquistas.

                É verdade que, por se tratar de uma idealização e tendo em vista que a perfeição é inatingível, muitos consideram “Utopia” algo dispensável e até mesmo inútil. Entretanto, esquecem-se de que elas configuram aquilo que norteia a realização de um objetivo, Apesar de poderem não ocorrer plenamente, inúmeras são as conquistas obtidas em busca de sua completa realização. Desde lutas para acabar com o racismo e com a segregação negra na sociedade americana, que resultaram no direito ao voto negro em 1965, aos conflitos ocorridos em 1830 no território europeu que buscavam coibir a intensa repressão sofrida pelas monarquias totalitárias, todos foram norteados por ideais, que, apesar de não terem sido completamente atingidos, melhoraram a situação até ali vigente.

                Por conseguinte, as utopias são essenciais à humanidade, pois, além de representarem múltiplas possibilidades de mudança, mobilizam e guiam a sociedade para uma situação melhor.

Mariana Yanase Barbosa (3H1)

Produção textual (Lab. de Redação – 3as séries): Geórgia Faria

Abaixo, vocês poderão ler um ótimo texto sobre as Utopias, tema proposto pela Fuvest-2016. A colega Geórgia, da 3H1, apresentou um texto com ótimas qualidades: linguagem fluente, ideias bem encadeadas, informatividade (menção ao nazismo e a Gandhi, além de Maquiavel) e ótimo uso da coletânea (Thomas More, Karl Mannheim, Rouvillois). Vale a leitura!

 Dois lados da mesma utopia

          O conceito de utopia data de 1516 e sua criação é atribuída a Thomas More, que deu o nome de Utopia a uma ilha imaginária perfeita. Com o passar do tempo, esse mesmo termo passou a abranger também o sentido de qualquer ideal, seja ele político, social ou religioso, que projeta uma nova sociedade perfeita. A respeito desse tema, é válido afirmar que utopias são indispensáveis na vida dos seres humanos. No entanto, se isso é verdade, também é lícito dizer que essas utopias podem ser nocivas.

          Viver uma vida visando alcançar uma utopia é viver uma vida de esperança. Sem ela, o ser humano não vive, não faz história, não busca conhecimento, não caminha para frente. Essa tese é ratificada por Karl Mannheim, que diz que o homem sem nenhum ideal acaba por se tornar um mero produto de impulsos. Um exemplo da importância de se ter uma utopia pode ser encontrado em Gandhi. Ele, por acreditar que os indianos mereciam uma vida melhor, comoveu toda a população de seu país e fez com que ela lutasse pela sua independência da então metrópole Inglaterra. Ou seja, foi o ideal de Gandhi de um lugar perfeito que fez com que a Índia conseguisse a sua independência.

          Todavia, é necessário cuidado ao se tratar de utopias, já que elas podem representar projetos totalitaristas e até genocidas. Frédéric Rouvillois afirma que a utopia suscita esses horrores e que o homem que visa a ela se utiliza de meios terríveis e uma justificativa maquiavélica: os fins justificam os meios. Para exemplificar as ideias de Rouvillois, cabe a citação de Hitler e dos horrores provocados pelo nazismo. Esse líder alemão, com ideal de uma Alemanha poderosa e reerguida da 1.a Guerra Mundial, e também com o ideal de uma sociedade perfeita composta pela “raça” ariana, adotou o nazismo como sua política, a qual pregava a superioridade de tal “raça” e o antissemitismo. Assim, não cabia a ninguém a contestação de tal crença, mas tão somente assistir enquanto milhares de judeus eram arrancados de suas casas e levados aos campos de concentração, de onde nunca sairiam, ou sairiam com terríveis marcas e histórias.

          Em suma, é evidente a indispensabilidade das utopias como motor que impulsiona os homens a atingirem seus ideais. Porém, que os perigos de sua busca sejam considerados e bem pensados, visando a não torná-las nocivas a ninguém.

Geórgia Parreira Faria, 3H1

Texto-modelo da aula 8 – Victoria Wang

Pessoal, mais um ótimo texto produzido na aula 8 de Laboratório de Redação. Em “Seres emocionais”, a Victoria Wang, da 3E2, nos explica de forma clara e envolvente como as emoções são produzidas. O bom uso das perguntas, a priorização da clareza ao nos mostrar que há “dois caminhos possíveis” para se ativarem as emoções, a equilibrada enumeração na narrativa que exemplifica o processo, todas as escolhas da Victoria resultaram em um texto informativo e agradável de se ler. Tudo o que se espera de um bom texto de divulgação científica!

 

Seres emocionais

Um fato aparentemente óbvio – e até redundante – é que sentimos. Sentimos pois possuímos emoções. No entanto, por que será que, como indivíduos, algumas faces parecem ser mais amigáveis que as outras, ou lugares desconhecidos nos incitam, por alguma razão, uma felicidade a qual não sabemos de onde vem ou por que motivo é “ativada”?

Na realidade, existem dois caminhos possíveis pelos quais a emoção se manifesta. Esta pode ser prioritariamente instintiva, resultado de longuíssimos anos de evolução, na qual o organismo sente uma emoção forte em função de seus mecanismos de sobrevivência. Entretanto, é igualmente notável – se não mais ainda – o segundo caminho pelo qual a emoção pode ocorrer: por meio de indutores de emoção. Os indutores são estímulos externos que estão em volta do indivíduo no decorrer de sua vivência, maturidade e desenvolmimento pessoal. Tais indutores são o que potencialmente podem ocasionar emoções no indivíduo. Por exemplo, o lugar estranho que causa alegria a uma pessoa chamada João pode ser uma casa extremamente parecida à de sua infância, onde compartilhou suas memórias mais felizes com seus pais e irmãos; onde aprendeu a andar de bicicleta, cozinhar e construir sua primeira casa na árvore. Sendo assim, o indutor de emoção é a casa, e o sentimento de conforto de João decorre da memória que tinha. Logo, a emoção é resultado de uma rede de associações simbólicas que o indivíduo adquire através de experiências.

Vale notar que há inúmeras experiências variáveis, mas ao mesmo tempo, há inúmeros graus em que o indutor de emoção interfere em nossas ações. Por exemplo, ao mesmo tempo que a casa afeta João intensamente, pode afetar outras pessoas em intensidades diferentes Entretanto, um fato sabemos, e é que sentimos. Dessa forma, as emoções, mesmo que variáveis e pessoais, interferem em nossas ações e em nossos pensamentos. Afinal, somos seres emocionais.

Produção textual realizada em Laboratório de Redação de 3.as séries (aula 8) – Mirella Foronda

Caros alunos, mais um texto muito legal, feito em nossa aula 8 de Laboratório. Percebam como a Mirella, sua colega da 3B2, “traduziu” de maneira superdidática a teoria e os exemplos do neurocientista António Damásio! Aliás, como vimos em aula, essa é a intenção do gênero “Texto de divulgação científica”…

A sensação e o sentimento

Em O sentimento de si: corpo, emoção e consciência, o autor António Damásio aborda o tema da indução de emoções. Estas, de acordo com o neurocientista, podem ocorrer de duas maneiras distintas: a primeira é por meio dos sentidos, como quando o indivíduo vê um lugar ou rosto familiar. Já a segunda maneira pela qual as emoções podem ser induzidas é o pensamento; recordações de uma amiga ou o fato de esta ter acabado de falecer, por exemplo.

O processo da indução das emoções pode ocorrer em fatos simples do dia a dia. Um homem, por exemplo, que recentemente perdeu a namorada em um acidente de carro, está indo confiante para uma entrevista de emprego. Entretanto, ao chegar lá, percebe que a bela moça que o entrevista está usando um colar igual ao que a falecida namorada costumava usar. A visão da joia faz com que o homem recorde momentos com a amada, e sinta profunda tristeza. Algumas horas depois, no trajeto de volta para casa, vê de relance uma casa semelhante àquela onde passou a infância. Novamente, ver a casa despertou sentimentos no homem, desta vez saudade e felicidade.

É comum atribuirmos valores emocionais a objetos, lugares ou imagens, conforme passamos por experiências. Desta forma, a quantidade de estímulos indutores de emoção torna-se infinita, fazendo com que quase tudo desperte uma reação emocional. Porém, a maioria dessas reações é considerada fraca, ainda que esteja sempre presente. Conscientemente ou não, nosso comportamento e o modo como vemos os objetos e situações estão fortemente atrelados às emoções, despertadas por indutores grande parte das vezes, se não todas.

Produções textuais de alunos (Aula de Lab. de Redação – 3.as séries)

Pessoal, mais textos! Mais ótimos textos! 

Estes dois textos foram produzidos na aula 8 de Laboratório, aquela em que produzimos um “texto de divulgação científica” (proposta da Unicamp-2016). Os autores são a Sarah Kim (da turma 3H2) e o Gustavo Benfatti (da turma 3B2).

Ao lerem as duas redações, percebam o quanto, nesse gênero textual, os exemplos são fundamentais para que o leitor (jovem e leigo no assunto…) compreenda o teor do livro original. Vale observar que o Gustavo e a Sarah organizaram as ideias de modo diferente, mas igualmente interessante e adequado!

1.o texto

Autora: Sarah Jin Hee Kim

Sentidos + Passado= ?

É comum as pessoas sentirem certas emoções quando revivem momentos do passado, seja alegria, seja a raiva. Essa ideia é explorada no livro de Antonio Damásio, O sentimento de si: corpo, emoção e consciência. Para o autor, existem dois tipos de indutores de emoções: os sentidos do corpo e a pura atividade mental de se recordar do passado.

Paladar, olfato, audição. Esses são alguns dos sentidos do corpo que podem remeter a sentimentos do passado. Por exemplo, uma pessoa está andando na rua quando começa a tocar a música tema de um filme a que ela assistiu. Provavelmente, a pessoa sentirá a mesma felicidade de quando viu a obra. Nesse momento, a audição a faz relembrar do momento em que escutou o tema.

Outro indutor de emoções são as recordações do passado. Uma ilustração disso seria uma pessoa que passou a infância inteira junto à avó mas, quando cresceu, se afastou dela. O indivíduo estava na casa lendo um livro quando, de repente, se lembra da avó e se sente triste por ter se afastado dela. Essa indução não tem a interferência de elementos externos para levar uma pessoa a sentir uma certa emoção, mas apenas o processo mental que ativou as memórias do passado.

Assim, é possível concluir, de acordo com o autor, que as emoções podem ser induzidas por meio de objetos ou a atividade mental pura e simples. Qualquer sentimento pode ser recordado por meio dos sentidos ou pela reminiscência do passado.

2.o texto

Autor: Gustavo Benfatti

Lembrar é se emocionar

Um homem entra numa casa que está à venda. Ao conhecer o quarto principal da residência, enche-se de alegria. Na mente do homem, surgem imagens de seus pais, que morreram recentemente e dormiam num quarto igual àquele. A cor das cortinas, a disposição dos móveis, o piso. Tudo do quarto lembrava os progenitores e os momentos deliciosos que o homem passou com eles.

O que ocorreu com o homem foi uma indução de emoção. Ao ver um ambiente que lembra o quarto dos pais, o homem se lembra de seus progenitores e dos momentos felizes que com eles passou. Essa circunstância acontece quando os sentidos identificam objetos familiares, como um piso, por exemplo, associando a esse objeto uma emoção.

Perceber um objeto familiar é uma das circunstâncias de indução de emoção, segundo António Damásio, autor do livro O sentimento de si: corpo, emoção e consciência. A outra circunstância ocorre quando surge na mente de uma pessoa um objeto ou situação associado a uma emoção sem o organismo ter percebido esse objeto no espaço. Aconteceria se um homem estivesse fazendo uma atividade sem nenhuma ligação com sua infância e se “lembrasse” do rosto de um amigo da época em que era criança.

Essas induções estão presentes no cotidiano das pessoas. É difícil não perceber objetos que lembrem pessoas e acontecimentos que suscitam emoções e, mesmo que aconteça de essa percepção não ocorrer, é também difícil não se lembrar de objetos e acontecimentos associados a emoções.

Texto-modelo (Aula 7)

Prezados alunos,

aqui está mais um texto em que se cumpriram muito adequadamente – e com boa linguagem – todas as exigências da primeira proposta da Unicamp 2016.

A autora da resenha é a Ana Martins, pseudônimo da Isabella Fazzi, da 3B1.

Parabéns, Isabella!

Boa leitura a todos!

Autora: Isabella Fazzi Markiewicz (turma 3B1)

          Entre as diversas e conhecidas fábulas de La Fontaine, “A Deliberação Tomada pelos Ratos” mostra-se uma muito interessante pela relacionável moral que apresenta no final. Nessa fábula, um grupo de ratos, temendo não sobreviverem aos ataques que haviam matado vários de seus semelhantes por parte de um gato chamado Rodilardo, que deles se alimentava, resolvem discutir uma solução para esse problema quando têm a oportunidade. Após deliberarem sobre tal assunto, ficam satisfeitos ao ouvirem um plano supostamente excelente: prenderiam um sino em volta do pescoço do animal para que, quando esse se aproximasse, eles pudessem ser alertados de sua chegada e então tivessem a chance de se protegerem. No entanto, apesar de essa ideia ser generalizadamente aceita, não foi executada pela simples falta de voluntários, já que nenhum rato teria a coragem de arriscar sua vida subindo no pescoço do gato.

         É interessante analisar que, analogamente, essa fábula pode ser comparada a determinadas realidades sociais. É o caso, por exemplo, de certos operários de fábricas, especialmente no início das primeiras Revoluções Industriais, quando a mão de obra industrial era intensamente explorada pela burguesia da época. Muitas vezes submetidos a desumanos horários de trabalho, condições de higiene precárias e sendo pagas quantias extremamente pequenas, tais trabalhadores tinham, sem dúvida, diversos pedidos justos a fazerem a seus patrões, além de saberem que contariam com o apoio de todos os outros operários. No entanto, por terem a consciência de que tais propostas muito provavelmente só acarretariam suas próprias demissões, já que não eram vantajosas para seus patrões, muitos deles acabavam não as fazendo.
Assim, verifica-se uma relação entre o medo que os ratos tinham em morrer tentando amarrar o sino no pescoço do gato e o medo desses operários em perder seus empregos ao pedirem condições mais humanas de trabalho. Nesse exemplo, Rodilardo seriam os patrões, e os ratos, os operários em questão.

Ana Martins

Textos-modelo (Aula 7)

Caros alunos, abaixo vocês poderão ler dois textos muito adequados e bem escritos, formulados na nossa aula 7 (aquela, cuja proposta era a de escrita de uma resenha – uma proposta da Unicamp de 2016).

Percebam que um bom texto não tem segredo. Em ambas as produções, o que fica bem perceptível são o cumprimento de cada uma das solicitações feitas pela Unicamp e a adequação à situação comunicativa (um estudante que participava de um concurso de resenhas, e que redige um texto sobre uma fábula de La Fontaine).

Parabéns, Cinthia e Marina!

Boa leitura, todos os alunos!

1.o texto – autora: Cinthia Maeda (turma 3B2)

La Fontaine, na fábula “A Deliberação Tomada pelos Ratos”, leva o leitor a conhecer a história do gato Rodilardo e dos ratos que eram obrigados a dividir com ele o espaço em que viviam. Após um terrível massacre cometido pelo felino, os poucos ratos remanescentes passaram a viver acuados, receosos de servirem como alimento para Rodilardo. Quando o gato se retirou para namorar, os roedores reuniram-se para refletir como lidariam com a situação em que se encontravam. Finalmente, chegaram à conclusão de que era preciso que se amarrasse um guizo no pescoço de Rodilardo, advertindo, assim, sua presença. A ideia, apesar de aclamada, não obteve voluntários que a colocassem em prática, uma vez que todos os ratinhos esquivaram-se da tarefa.

No espaço social, é possível observarem-se diversas situações semelhantes à retratada por La Fontaine, em sua fábula. A questão das sacolinhas plásticas distribuídas pelos supermercados é um exemplo. Era convencionado, até recentemente, que os supermercados fornecessem, gratuitamente, sacolas para que os consumidores embalassem produtos, após cada compra. Entretanto, com a crescente conscientização acerca da sustentabilidade, iniciou-se uma discussão sobre a validade do uso das sacolinhas em detrimento da poluição ambiental causada pela produção e pelo descarte inadequado de toneladas de plástico. Grande parte da população brasileira mostrou-se preocupada com a questão e reconheceu sua importância, bem como a necessidade de se encaminhar para uma sociedade mais sustentável. Porém, quando, consequentemente, o governo aprovou uma lei que acabava com a obrigação dos supermercados de fornecer as sacolas sem custo adicional, houve rejeição da ideia por parte dos consumidores, que alegaram ser um absurdo a cobrança pelas sacolinhas e um incômodo usar as retornáveis.

Conclui-se, então, que “A Deliberação Tomada pelos Ratos” aproxima-se da situação do fim das sacolinhas gratuitas nos supermercados brasileiros, uma vez que há o reconhecimento, por parte da sociedade, da relevância de determinadas ações, mas no momento em que é necessário atuar, poucos são os que realmente se esforçam para que a mudança ocorra.

C. T. M.

2.o texto – autora: Marina Hussid de Góes (turma 3B2)

          A fábula de La Fontaine, “A Deliberação Tomada pelos Ratos”, conta a história de Rodilardo, um gato que come ratos. Acuados pelo gato, os ratinhos procuram uma solução para não viverem com o medo de serem devorados. Após uma deliberação, concordam em amarrar um guizo ao pescoço do gato. Ao decidirem quem deverá realizar o trabalho, porém, não há voluntários.
          La Fontaine mostra com essa fábula como, muitas vezes, algo tão discutido e defendido pelas pessoas não é realmente aplicado por estas no cotidiano. Um exemplo disso é o meio ambiente. É consensual que devemos cuidar do planeta e preservá-lo para as gerações futuras, porém, a maioria das pessoas não toma atitudes para que isso se perpetue. Banhos longos, desperdício de recursos naturais, descaso com o descarte de lixo, são pequenas ações cotidianas que as pessoas realizam que vão de encontro com aquilo que defendem.
          Em suma, assim como os ratinhos, as pessoas defendem algo estoicamente, porém não tomam atitudes para que aquilo em que acreditam se concretize ou, ainda, tomam ações contraditórias.
Animal Racional