Vencedores do VII Festival Livre Opinião!

Com o fim da fase de votação… chegou o dia da divulgação dos textos vencedores do VII Festival Livre Opinião!

1.o colocado – Texto 7: Papel dos indígenas na sociedade brasileira (Rebecca Maria Darakjian Batoni)
2.o colocado – Texto 5: Oásis e deserto (Érico Besteti Pires Ponce Sant’anna)
3.o colocado – Texto 3: Entre o branco e o preto, escolha ambos (Giulia Burgos Manhani)

Parabéns, Rebecca, Érico e Giulia! Que ótimos textos, vocês produziram!

Aliás, parabéns também à Luise, à Juliana, à Leticia e ao Raphael, por terem chegado à final!

Gostaríamos de agradecer a todos que participaram do VII Festival Livre Opinião: obrigado a todos os alunos que escreveram e inscreveram textos (encontrar tempo, na 3.a série, para participar de um festival literário… é para os fortes!); obrigado aos internautas (que definiram os “votos de público”); obrigado aos professores do Band (que definiram os “votos de crítica”).

votos

Obrigado a todos… e até o ano que vem!

Equipe de Redação do Colégio Bandeirantes (Fabiana, Fukuya, Melissa, Renata)

 

Finalistas – Festival Livre Opinião

Queridos alunos, chegou o grande momento: a divulgação dos sete finalistas do VII Festival Livre Opinião!

São eles:

  • Alusão ao ponto (Luise Lautenschlager)
  • Bicho papão (Juliana Blassioli Suyama)
  • Entre o preto e o branco, escolha ambos (Giulia Burgos Manhani)
  • Narrador protagonista (Leticia Favaro Rodrigues Lamelas)
  • Oásis e deserto (Érico Besteti Pires Ponce Sant’anna)
  • Os direitos dos manos (Raphael Venturi Vasen)
  • Papel dos indígenas na sociedade brasileira (Rebecca Maria Darakjian Batoni)

Você pode lê-los tranquilamente aqui no Blog ou, se preferir, no Facebook (https://www.facebook.com/festivallivreopiniao). A votação, porém, só será feita via Facebook, por meio de sua “curtida”. Boa votação! Prestigiem os textos dos colegas!

Texto 1
Alusão ao ponto (Luise Lautenschlager)

“Ponto, ponto, ponto..”, mas o que será esse tal de ponto? eu o vejo aqui e ali entre as linhas do livro, nas falas briguentas, na parede em que escrevo… Se eu ao menos fosse como ele … “tão sábio esse ponto”.. que vai pulando e pulando do i ao j, do centro da circunferência a tomada da minha casa e das palavras aos pensamentos, ele que se adapta a todos os tipos de condição… e eu aqui que nem sei o que fazer quando sair da minha mesmice de meninota e aquela rotina de toda manhã … aaa se eu fosse um ponto… sairia pingando por aí, tentaria um pouquinho de tudo e no final ainda seria o protagonista …. imagina só uma reta sem ponto ou uma fala sem fim, será que esse texto poderia ser lido sem o pontinho alí no fim? e agora o fôlego ainda aguenta ouvir mais ou será este o ponto final? bem ..mas pensando bem, somos todos pontos.. sem rumo ou direção seguimos o fluxo, nós torcemos do português à matemática à física à química e o ponto continua lá… do mesmo jeitinho, o que muda é o seu contexto!! mas não nos iludamos.. afinal o que é ser ponto… até onde sei ponto não tem definição, logo as retas, as partes de início e fim e as imprecisões de linguagem também devem não ter definição… agora sim eu compreendo que o ponto é tudo e por isso não pode ser definido, assim como cada indivíduo que conhecemos… podemos chama- los de médicos, amigos, professores, advogados, pais, mães,… mas esses nomes são todos pontos: não nos definem .. agora sim termino este texto com um .

Texto 2
Bicho papão (Juliana Blassioli Suyama)

     Não é um ser, não é um objeto, não possui um corpo nem forma definida. Vivendo entre nossas falas, nossos gestos e ações está uma sombra, um vulto nebuloso. Não o vemos, mas podemos sentir o Bicho Papão quando ele nos atinge.
Outro dia mesmo consegui perceber sua presença. Aconteceu quando, caminhando para casa, logo à minha frente estava minha vizinha e o carregador do supermercado do bairro. Em trinta metros alcançamos o portão do prédio. Cumprimentei-a. No entanto, reparei que enquanto entrávamos, eu e minha vizinha, pelo portão da frente, o carregador ia com seu carrinho levando duas caixas cheias de comida e produtos de limpeza pelo portão de trás. Bem, é compreensível, uma vez que é mais prático conduzir o carrinho por uma rampa. Mas para minha surpresa, a senhora subiu pelo elevador social e encontrei o carregador do supermercado esperando o elevador de serviço chegar. Subimos ao terceiro andar, abri a porta para que ele tirasse as caixas com alface, macarrão e detergente do elevador e vi a senhora abrir a porta da casa dela para recebê-lo. Aquilo me incomodou. Por que ela não o acompanhou? Será que não passou pela mente dela que talvez ele precisasse de ajuda para levar as caixas? Ou ela só tinha as chaves da porta da frente? Ainda que fosse, por que ele não a acompanhou no elevador social?
Naquela hora percebi o tal vulto nebuloso. Permeado entre as ações da minha vizinha estava o Bicho Papão. Lá estava ele, sem a menor intenção de ferir ninguém, no entanto, presente de uma maneira assustadoramente “normal”. Esse é o mesmo Bicho Papão com que me deparo, quando andando pela rua escuto “e ai, gostosa?” e outras palavras de baixo calão em tom provocante. Ou até mesmo quando uma senhora francesa ao conhecer sua nova nora pede para que ela “abra a boca” para poder ver os dentes dela, os quais são “muito bem cuidados para uma mulher brasileira”.
Esse Bicho Papão é intimidador, tenebroso, constrangedor e humilhante. Infelizmente, há os iludidos, ou aqueles que preferem ignorar esse monstro dizendo que é apenas um mito, algo do passado. No entanto, ele vive entre nós, permeando-se por nosso cotidiano. O nosso Bicho Papão não vive embaixo de nossas camas, pelo contrário, ele é o preconceito que nos segue a cada passo.

Texto 3
Entre o preto e o branco, escolha ambos (Giulia Burgos Manhani)

     É inegável que vivemos numa época em que o mundo está dividido. Seja Neonazistas x Antifascistas, ISIS x Mundo Ocidental, Esquerda x Direita, parece que a visão das pessoas está cada vez mais maniqueísta. Por vezes, as notícias veiculadas na mídia e as discussões em pauta nos impelem a também seguir o caminho da polarização. Porém, é justamente nesse momento que devemos dar um passo atrás e perceber o que gera tudo isso.
Apesar de o ser humano ser tido como um ser empático, a nossa empatia é limitada. Um estudo realizado por uma psicóloga alemã demonstrou isso na prática, ao observar a resposta cerebral de participantes quando sentiam dor e quando viam seus parceiros, na mesma sala, sentindo dor. Assim, descobriu-se que partes muito semelhantes do cérebro eram ativadas nos dois casos, ou seja, o parceiro era capaz de praticamente sentir a dor do seu amado, o que comprova que, realmente, podemos ser empáticos. Porém, a psicóloga realizou um outro estudo, semelhante ao primeiro, porém com uma diferença: ao invés de os participantes verem seus parceiros sofrerem, eles viam um torcedor do time rival sentir dor. Os resultados foram surpreendentes: foi descoberto que, nesse caso, a parte de recompensa do cérebro era ativada quando eles viam o outro sentir dor. O cérebro deles interpretava que a dor daquele que era diferente, que era “rival”, era algo desejável.
Esse estudo reforça algo que é visível na realidade. É fácil sermos empáticos com amigos, familiares e aqueles que são semelhantes. Porém, quando se trata de pessoa que não são do nosso círculo de convivência ou divergem de nós por terem opiniões, características ou crenças diferentes, sentir empatia nem sempre é algo automático.
A empatia limitada do ser humano, aliada à educação e à cultura, leva ao preconceito e às ideias radicais, baseados na segregação, no “nós” contra “eles”. Ao longo da história, há vários exemplos de casos extremos, quando a sociedade seguiu algo tão irracional: a segregação racial dos Estados Unidos e da África do Sul, o Nazismo alemão, as ditaduras comunistas, entre muitos outros.
Felizmente, o cérebro humano tem demonstrado ser um órgão muito elástico, e podemos aumentar o nosso alcance de empatia, quem consideramos no grupo “nós”. Isso é possível tendo contato com aquilo que é diferente e pensando no outro como um ser humano, alguém semelhante. Meu apelo final é para que façamos isso. Que, numa época tão delicada quanto a que estamos vivendo, sejamos capazes de ponderar nossa visão, de praticar a empatia e a compaixão, evitando extremismos e discursos de ódio que podem dar força a ações que somente trarão sofrimento àqueles que, no fundo, são semelhantes a nós.

Texto 4
Narrador protagonista (Leticia Favaro Rodrigues Lamelas)

 

     Pensei em começar pelo início, pela origem do meu sofrimento, mas como todo mundo já conhece o final vou começar pelo já conhecido, pela zona de conforto.            Confesso que as vezes nem sei porque choro, não entendo o porquê algumas coisas me afetam e outras não e por um lado esse texto pode ser uma chance de eu mesma identificar o causador do sofrimento, mas assim como a escultura “A Revolução das Girafas”de Matthieu Robert-Ortis, dependendo do ângulo de visão, a interpretação pode ser diferente e acabar sendo um meio de você, leitor, identificar o seu próprio sofrimento, afinal, não somos tão diferentes assim.
A inspiração do meu texto é Marina Abramovic, se você não a conhece, deveria frequentar mais o DocB, ela me fez parar para pensar em como o simples prefixo em sobreviver muda completamente o sentido da existência. Admito que vivo colocando esse prefixo em minha vida enquanto minha essência é completamente corrompida. Não adianta justificar a sobrevivência de hoje como o desfrutar de amanhã , foi o que tirei de “The Space in Between” e vim compartilhar com vocês.
Não sei como tem sido o ano de vocês, mas esse tem sido o melhor e o pior da minha vida até agora, em parte por tanto aprendizado e novos desafios, e essa oposição me incomoda, pois não consigo controlar mais o que sinto, como se um dia eu consegui; estou sempre em grandes e rápidas oscilações que nem o Dalton conseguiria resolver e assim tenho sobrevivido em minha zona de conforto.
Não me lembro qual a sensação de dançar ao som mais ensurdecedor e ao mesmo tempo aquele que alivia a alma com as minhas amigas ou então qual o gostinho da pipoca do cinema de sábado com a família, e assim todos dizem que são pequenos sacrifícios que fazemos por um desejo, mas será que essas são coisas de que nós podemos abrir mão sem abrirmos de nós mesmos?
Às vezes penso que tudo valerá a pena, por outro lado, às vezes tenho vontade de jogar tudo no vento e ver se acho o caminho, pois como eu disse antes, vivo em oscilações nas quais para subir você tem que antes descer e assim faço um dia por vez.
A esse ponto o texto já se estendeu mais do que eu desejava e você pode ainda não ter entendido a minha mensagem, mas eu identifiquei a fonte do meu problema: eu. Não importa as circunstâncias da vida, como ter de passar na faculdade, o que importa é como vou chegar lá e eu errei, não que tenha um certo ou errado, mas tem definitivamente o jeito bom e o ruim, e nem sempre o seu bom vai servir para mim, e eu não aproveitei da maneira que deveria.
Eu poderia ter deixado “Mayombe” para o dia seguinte e ter ido a uma festa quando me chamaram e eu poderia ter estudado sete horas na sexta e ter saído no sábado. Mas principalmente, eu deveria ter sorrido e abraçado mais e chorado menos, afinal esse ano não é sobre sobreviver, nenhum é.
Então a minha mensagem é para você que está no terceiro e ainda não aproveitou, faça o simulado no sábado e saia com os seu amigos depois, e você que ainda não chegou no terceiro pense nisso quando o Sabo for usar o casamento e a decoração da casa como uma metáfora para “você está ferrado e tem muito a fazer” no primeiro dia de aula, acredite eu queria que alguém tivesse me falado, e se falaram, eu queria ter ouvido.

Texto 5
Oásis e deserto (Érico Besteti Pires Ponce Sant’anna)

Oásis e deserto
(Breve ressalva: o texto a seguir é um poema; a realidade não.)
Por que nos forçamos a preocupar
com o que não nos deveras interessa?
Por que pensamos algo
mas
conformamo-nos
com a sociedade?
Por que olhamos para trás
E vemos um estranho
No reflexo do tempo?
(Ou pior: culpamo-nos pelos erros daqueles que nos precederam?)
Por que preferimos trapacear o outro
E não buscar a união?
Por que consideramos alguns melhores do que outros?
Ou outros melhores que alguns?
Depois de tamanha hipocrisia e cegueira
Quando nos encontramos perdidos, onde estão os guias?
Por que transmitimos incessantes apelos
Mas retornam apenas ecos ao vento?
Por que fingimos
não ouvir
os outros apelos?
Por que não tornamos real a ilusória realidade
E o sonho uma nova realidade?

Texto 6
Os direitos dos manos (Raphael Venturi Vasen)

     Essa Declaração Universal dos Direitos dos Manos (DUDH pros íntimos) é colada com a tal da ONU que nem a unha e a pele do dedo. Todos os países que entram no bonde têm que jurar que concordam com a DUDH, senão os engravatados que já tão dentro mandam eles rodarem.
Bem no comecinho, ela já fala: ”Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Então tipo: se o teu mano que gosta de uva passa fala que vai comprar as desgraça e pôr no arroz de ano novo, você pode chegar nele e falar NÃO NÉ MANO, mas isso não tira o direito dele de estragar a comida. Ele é livre e o arroz é dele, então já sabe, né?
Tem uns PMs que deviam ler a parte que a DUDH fala ”Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado” porque, um tempo atrás, uns mano da minha quebrada que estavam de boas no baile foram em cana. E imagina a situação das mães deles; as coroas ficaram mó nervosas com os poliça. E tinham toda razão.
Ela também fala ”Toda a pessoa tem direito à educação”. Essa parte é diretona, mas dá pra entender que trabalho que impede o mano de estudar é proibido. Mas isso não quer dizer que os moleque não possam ajudar a arrumar a cama e esquentar a comida. Não é porque tá na escola que tem que ser folgado.
E as mina pira naquela parte que fala ”Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual”. Essa parte não precisa explicar e quem discordar leva uva passa no olho pra aprender.
Se alguém que tivesse passado a vida em baixo de uma pedra me perguntasse quais eram as leis do mundo, eu ia mostrar a DUDH pra ele. As constituições de quase todos os países (todos os membros da ONU) foram feitas ou arrumadas com base nessa novinha. E que gata ela é!

Texto 7
Papel dos indígenas na sociedade brasileira (Rebecca Maria Darakjian Batoni)

 

    No imaginário dos brasileiros, povos indígenas ficam bem na exótica Floresta Amazônica ou em histórias de José de Alencar, porém os constantes conflitos expõem o dilema real e perverso de um país que há mais de 500 anos ainda tenta impor ao índio um lugar: aquele que foi conveniente para o colonizador.
Embora a literatura enalteça os indígenas, ela traz uma imagem equivocada dos povos por desconhecerem a sofrida realidade das tribos, uma realidade vivenciada até hoje amparada em uma falácia: as poucas terras ainda ocupadas por indígenas atrasam o avanço econômico porque “falta espaço“ para o agronegócio, a extração da madeira – muitas vezes ilegal – e a construção de usinas hidrelétricas.
O preconceito contra a indígenas está enraizado devido à representação folclórica e distorcida disseminada por gerações desde o descobrimento; além disso, têm-se uma relação paradoxal com os índios: se estão na floresta são selvagens, e se estão inclusos na sociedade não são índios – como se deixassem de sê-lo por usarem telefone e energia elétrica. Esse argumento serve para invalidar suas reinvindicações por terras, uma vez que não seria culturalmente válido, anulando a identidade cultural delas. Ademais, as medidas não são democráticas em relação aos indígenas, já que políticas são impostas sem o consentimento dos povos.
Portanto, o papel dos indígenas na sociedade brasileira é manterem-se vivos para poder questionar o status quo que os quer destituídos de seus direitos básicos e mostrarem que se pode ter tudo, sem deixar de ser o que se é. Em pleno século 21, indígenas ainda procuram seu quinhão na aldeia global.

 

 

Textos-Modelo – Atividade nas turmas de Humanas

No 3o bimestre, uma das atividades realizadas nas turmas de Humanas foi a correção de textos de colegas. Todos os alunos, após debate sobre Hábitos de vida saudável e interferências do governo, escreveram dissertações sobre o tema para, depois, escolherem os melhores textos da sala.

Abaixo, vocês poderão ler duas dessas dissertações. A primeira, “Educação para promover o bem-estar”, foi escrita pela colega Olívia Bellotto. A segunda, “A quem pertencem nossos corpos?”, é de autoria de Stéphanie Ribeiro.

Boas leituras!

Educação para promover o bem-estar

        Estados Unidos, 1920: o Ato Volstead proibia oficialmente a fabricação, venda, distribuição e consumo de qualquer bebida com mais de 0,5% de teor alcoólico. Apesar de ser fundamentada na ideia de que tais substâncias seriam intoxicantes e, portanto, prejudiciais à saúde humana, a medida entrou para a história devido ao seu fracasso. Na época, bares clandestinos, produtores caseiros e contrabandistas ganharam popularidade, contornando a rigorosa lei em função da demanda social. Esse, infelizmente, é apenas um dos exemplos de tentativas governamentais de cercear a independência individual impondo hábitos saudáveis à população.

        Ainda que entendamos como parte da função do Estado prezar pela saúde e bem-estar das pessoas, é também importante lembrar que tal dever não pode se sobrepor às liberdades individuais de escolha. De acordo com Kant, filósofo alemão do século XIX, para que possamos alcançar o esclarecimento, é necessário atingirmos a maioridade. Dessa forma, apenas ao abdicar do comodismo e da preguiça o ser humano poderia reivindicar sua autonomia de pensamento e livrar-se da tutela do outro, saindo de sua menoridade. Políticas públicas governamentais que impeçam as pessoas de concluírem o que lhes seria melhor categoriza, assim, uma afronta à liberdade, mesmo que isso seja feito para reforçar hábitos saudáveis.

        Tendo isso em mente, há uma série de medidas cabíveis ao governo para cumprir seu papel garantidor do bem-estar da população e do direito à livre escolha. A diminuição de impostos para produtos industrializados que apresentem em sua fórmula menor quantidade de gorduras, açúcares e conservantes é de fato uma solução eficiente. Assim também a criação de programas de incentivo à prática de exercícios físicos que ensinam diferentes atividades em parques durante festivais gratuitos. Entretanto, a melhor maneira para garantir uma maior compreensão dos impactos ocasionados pelos hábitos a longo prazo é, sem dúvida, a educação nas escolas por meio de projetos integrados ao currículo. Ao ensinar as crianças a pensarem por si próprias, o Estado cumpre seu papel como preservador do bem-estar da população, além de viabilizar a chegada dos indivíduos à maioridade kantiana e assegurar também a realização de escolhas conscientes, sem ferir sua autonomia.

        Portanto, apesar de políticas públicas que proíbam determinados comportamentos danosos à saúde das pessoas parecerem inicialmente uma boa saída, a história nos prova o contrário. O caminho da educação proporciona uma solução mais duradoura para o problema, uma vez que ele ensina a população a pensar por si própria e, então, decidir aquilo que lhe parece mais adequado.

Olívia Bellotto (3H1)

***

A quem pertencem nossos corpos?

        Podemos nem nos darmos conta, mas somos constantemente afetados por imposições que o governo faz à nossa saúde. Quando vamos ao supermercado, encontramos apenas sal iodado. Quando bebemos água, consumimos água fluoretada. Quando compramos cigarros, nos deparamos com imagens chocantes que nos alertam das consequências negativas do narcótico. Mas seriam ações, como estas, legítimas e éticas? Quais seriam os limites a essas imposições?

        É função do Estado Democrático de Direito zelar pela saúde pública. Por conta disso, é extremamente necessário que haja uma legislação que regulamente ações individuais que possam causar danos ao bem-estar da população. Nesse sentido, devem ser bem vistas ações, como a vacinação infantil obrigatória, pois ela é essencial para erradicar doenças endêmicas e reduzir a mortalidade infantil. Como menores de idade ainda não possuem o direito constitucional de serem responsáveis por seus próprios corpos, é obrigação do Poder Público protegê-los, em respeito ao artigo 7° do Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual garante o direito à saúde a todos os jovens.

        No entanto, não se caracterizam como legítimas ações governamentais que retirem a liberdade de se dispor sobre seu próprio corpo quando não se causa danos a ninguém. Quando o legislador brasileiro discutia a elaboração do Código Penal, decidiu-se que o suicídio não seria considerado crime. O argumento utilizado foi de que se tratava meramente de um atentado contra o próprio indivíduo, o qual dispunha, por lei, de seu corpo e vida. A análise elaborada pelos juristas brasileiros é demasiadamente bem fundamentada. Mas, de acordo com essa linha de raciocínio, não seria contraditória a criminalização de drogas, como a maconha?

        De fato, a política de drogas que classifica o usuário como infrator, além de contraditória, caso comparada com outros artigos da legislação nacional, não é legítima, pois não se pode falar em crime quando não há vítima. Trata-se, assim, de um desrespeito ao princípio de lesividade, o qual apenas classifica como crime ações que afetem bens jurídicos de terceiros ou coletivos. Ao criminalizar o uso de narcóticos, portanto, o Estado desrespeita o direito do adulto maior e capaz de dispor-se de seu próprio corpo.

        Ou seja, o Estado deve impor hábitos saudáveis aos cidadãos apenas quando as ações em questão, caso não postas em prática, causem danos ao bem-estar coletivo, como política pública de saúde. Quando se trata de um estilo de vida que apenas prejudica a pessoa que optou por ele, não se deve reprimi-lo, pois trata-se apenas do exercício do direito constitucional de dispor de seu próprio corpo e vida. No entanto, isso não significa que o Poder Público deva ser omisso em relação ao bem-estar da população, mesmo porque, o sistema de saúde pública é diretamente impactado, o que tem reflexo direto no custo orçamentário que será dispendido para a cura ou tratamento de doenças causadas por maus hábitos da população. A medida mais eficaz e ética que o Estado poderia tomar para estimular uma rotina saudável seria a educação, por meio da transmissão de informações, a qual deveria ser feita através de campanhas que conscientizem efetivamente a sociedade sobre os produtos que consome e as consequências futuras de seu estilo de vida, como as fotografias exibidas nos maços de cigarro. É claro que, por mais que as campanhas sejam efetivas, algumas pessoas ainda manterão sua rotina pouco saudável, mas elas estarão conscientes de suas ações e devemos respeitá-las, pois possuem liberdade de escolha sobre seus próprios corpos.

Stéphanie Ribeiro (3H1)

 

 

Texto-Modelo – Aula 10 (Roberto Amaral)

No vestibular de 2017, uma das propostas de redação apresentadas pela Unicamp foi a seguinte: “Como um(a) aluno(a) do Ensino Médio interessado(a) em questões da atualidade, você leu o artigo ‘A volta de um Rio que faz sonhar’. Sentindo-se desafiado(a) pelos questionamentos levantados no texto, você decidiu escrever uma carta para a Seção do Leitor da revista Rio Pesquisa. Em sua carta, discuta a relação estabelecida pela autora entre o conceito de Brasil cordial e a presença de estrangeiros no Brasil, apresentando argumentos em defesa de um ponto de vista sobre a questão.”

O colega Roberto Amaral, da turma 3H2, formulou a carta que segue. Percebam que ele claramente aponta à sua interlocutora (Lena M. Menezes, autora do artigo) o motivo de sua escrita, sua concordância com o conteúdo do artigo, os motivos de sua concordância; inclusive, Roberto aponta novos fatos que corroboram a visão defendida por Menezes.

São Paulo, 15 de Agosto de 2017

Prezada Senhora Lená Medeiros de Menezes,

            sou aluno do Ensino Médio e tenho um grande interesse por assuntos da atualidade em cenário tanto nacional quanto internacional. Estou escrevendo-lhe, pois não pude deixar de reparar no quanto seu texto, publicado pela revista Rio Pesquisa em setembro de 2012, ainda se mostra atual e digno de questionamento. Acredito que o ponto que a senhora abrange em seu artigo quanto ao fato de que o Brasil talvez não possua a cordialidade que o senso popular costuma estabelecer é extremamente válido.
Em minha visão, acredito que o ponto mais interessante a ser desenvolvido em sua argumentação é a questão da análise histórica fugindo do estereótipo de que o povo brasileiro é extremamente hospitaleiro, apontando, por exemplo, o episódio da expulsão violenta de estrangeiros na Primeira República. Afinal, é impossível a visão do povo ter mudado por completo em pouco mais de 80 anos. Na minha opinião, os seres humanos agem, na grande maioria das vezes, movidos por interesse e o caso da aceitação brasileira com estrangeiros não é diferente. Por exemplo, nos tempos do “boom” econômico promovido com mais força no governo Juscelino Kubitschek, o país precisava de mão de obra e mercado consumidor, logo era um excelente anfitrião para os chamados “gringos”. Porém, hoje são outros tempos, nos quais o mundo vive com constante medo de se abrir para pessoas diferentes e com discursos de ódio contra imigrantes e refugiados em diversas potencias mundiais. Isso se dá em parte pelo medo e em parte pela superpopulação que tem gerado o desemprego.
Vim escrever-lhe pois enxergo seu questionamento amplamente válido como crítica e penso que a senhora deveria continuar questionando este estereótipo em busca de mudanças de cenário migratório que se tornou desfavorável no cenário brasileiro atual.

Atenciosamente,
R.S.A.

Texto-Modelo – Aula 9 (Rebeca Carmona)

Eis mais um texto-modelo da aula 9!

Em seu texto “A expectativa de justiça”, a colega Rebeca Carmona aponta os motivos de o povo brasileiro estar “na expectativa de que ela [a nova presidente do STF, Cármen Lúcia] traga as mudanças necessárias ao país”. Entre esses motivos, Rebeca mencionou algo que nem estava na coletânea fornecida pela PUC-2017: o simbolismo de uma mulher estar à frente do Supremo Tribunal Federal.

Boa leitura a todos!

A expectativa de justiça

          Recentemente, Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), vem se tornando uma esperança de mudança no Brasil. Desde o começo de sua participação no cenário político brasileiro, a ministra tem lutado pela justiça e ordem, sendo peça fundamental em diversos casos de corrupção, assegurando que os que devem ser punidos sejam devidamente julgados e condenados. Agora, com a posse de seu cargo no STF, o povo brasileiro está na expectativa de que ela traga as mudanças necessárias ao país.

          Já durante seu discurso de posse, a ministra expressou uma série de mudanças que deseja cumprir durante seu mandato, correspondendo também ao desejo dos brasileiros. “Alguma coisa está fora da ordem”, disse ela em seu discurso, citando Caetano Veloso e se referindo também à corrupção que é extremamente comum nos diversos órgãos do governo e infectou a todos, inclusive o judiciário. Assim, há esperança de que ela traga finalmente a justiça aos que merecem ser punidos, algo no que muitos de seus antecessores falharam em realizar, combatendo então a impunidade do Estado.

          Há também outra mudança que pode ser prevista agora que ela tem seu cargo que, apesar de não ter sido citada em seu discurso de posse, tem tanta relevância quanto as outras. Trata-se do fato de ela ser apenas a segunda mulher que assume a presidência do STF dos 47 que já existiram, vindo depois de Ellen Gracie, que presidiu a entidade de 2000 a 2011. Ambas as mulheres representaram um símbolo de esperança de que a igualdade dos gêneros seja alcançada. No Brasil, os números de feminicídio e assédio sexual estão entre os maiores do mundo, gerando uma situação muito insegura para as mulheres, que também têm mais dificuldade em conseguir empregos e alcançar altos cargos em suas profissões por causa da sociedade machista em que estão imersas. Dessa maneira, o fato de uma mulher ter alcançado uma posição de tanto prestígio e destaque no governo é extremamente significativo. Cármen Lúcia também tem isso em mente, chamando atenção, por exemplo, do Ministro Luiz Fux, que insistia em interromper a Ministra Rosa Weber durante uma sessão; Cármen Lúcia lhe disse que as mulheres em tribunais constitucionais têm uma chance 18 vezes mais alta de serem interrompidas enquanto falam do que os homens e que é algo que a excelência deveria parar de praticar.

           Portanto, é possível perceber que a presidente do STF, Cármen Lúcia, tornou-se um símbolo de justiça e esperança para o povo brasileiro. Ela está sob a expectativa de corrigir os erros cometidos no Brasil e, apesar de ser algo muito difícil de se atingir, todos estão torcendo por ela.

Rebeca Carmona, 3H2

Texto-modelo – Aula 9 (Sérgio André Cristovão)

Mais um texto da aula 9! O texto do Sérgio apresenta ótima linguagem, com precisão vocabular e boa construção frasal. Assim, seus argumentos sobre as expectativas acerca da ministra Cármen Lúcia tornam-se muito mais claros e, portanto, consistentes. Vejam como suas afirmações são bem trabalhadas, não deixando espaço para dúvidas do leitor. Este é um bom exemplo de que argumentar não é apenas afirmar o que se pensa: é preciso justificar suas ideias – o que o Sérgio faz a partir de seus conhecimentos sobre o Judiciário brasileiro e o cenário político atual.

Boa leitura!

 

As empreitadas de Cármen Lúcia

Desde sua posse como presidente do STF, em setembro de 2016, a juíza Cármen Lúcia vem fazendo uma administração corajosa e inovadora, que contrasta com a preguiça e inércia do mandato de Levandowski. Entre seus principais objetivos, é importante destacar sua cruzada contra a ineficiência do Judiciário e as regalias excessivas destinadas aos funcionários públicos dessa área. Apesar da reação contrária de grupos afetados pela tentativa de mudança do “status quo”, como juízes e procuradores, as pautas levantadas pela ministra são essenciais no atual momento de crise e merecem ser apoiadas pela população.

A ineficiência do Judiciário brasileiro é algo custoso à sociedade: todos os dias, milhares de brasileiros sofrem com sentenças questionáveis, demora no andamento dos processos e uma infinitude de procedimentos burocráticos que encarecem e atrasam o andamento das ações. O resultado disso é severo para a sociedade: a demora dos vereditos, por exemplo, gera a sensação de impunidade, o que, por sua vez, acarreta a perigosa noção de que as leis não precisam ser respeitadas, tanto em instâncias menores quanto em maiores. Um bom exemplo disso são os diversos escândalos de corrupção sucessivos, protagonizados por políticos influentes, como evidenciado pelas diversas operações contra a corrupção pela Polícia Federal. Caso os processos fossem mais objetivos, teriam os políticos envolvidos nesses esquemas tanto espaço para desrespeitarem as leis, serem processados e adiarem os julgamentos para o arrefecimento da opinião pública e um possível adiamento eterno do processo? Com o aumento da previsibilidade e transparência sinalizadas por Cármen Lúcia, será possível corrigir essas deficiências do judiciário e garantir uma maior confiança nas leis por parte da população.

Outro problema importante a ser resolvido é o excesso de regalias da máquina pública. Em um país em crise financeira e com sucessivos déficits nas contas dos governos, é inaceitável que as associações de membros do alto escalão do Judiciário tenham conseguido manter benefícios surreais custeados pelas contas públicas, como salários exorbitantes, auxílios para bens supérfluos como ternos e garantia quase incondicional de estabilidade. Com ações que gerem o corte dos próprios gastos do STF, como o controle das diárias em viagens oficiais, Lúcia estará dando exemplo para os demais funcionários públicos sobre a importância da austeridade, o que é algo vital para reduzir os déficits financeiros e recuperar a confiança na integridade dos integrantes do alto escalão do Estado brasileiro.

Portanto, as medidas de Cármen Lúcia são essenciais para resolver problemas sérios que o país, atualmente, enfrenta e, caso sejam bem-sucedidas, poderão simbolizar um bastião da decência e boa governança no meio da atual crise moral e econômica.

            Sérgio André Cristovão

Texto-Modelo – Aula 9 (Gabriela Coelho)

Abaixo, vocês poderão ler o texto escrito por Gabriela Coelho, da turma 3H1, em nossa aula 9. Percebam que a Gabriela parte de um conceito de Jean-Jacques Rousseau para iniciar o assunto. Além de dar informatividade ao texto, esse início deu um contexto para a discussão. Essa preocupação com a contextualização também se fez presente no Desenvolvimento: a Gabriela nos apresentou como foi o discurso da ministra Cármen Lúcia, quando ela foi empossada Presidente do STF.

Boa leitura!

O contrato Social de Cármen Lúcia

     “O Povo como soberano”. Nisso se baseia o livro O Contrato Social, escrito por Jean-Jacques Rousseau. Utilizado como uma das bases ideológicas de diversas revoluções burguesas, como a Revolução Francesa, que se desenvolve no fim do século XVIII, esse ideal ainda é, teoricamente, a representação da democracia: eleger políticos que representem os interesses da população, o que nem sempre acontece. No Brasil, em um contexto de extrema corrupção, há o surgimento de uma figura que fortalece nos cidadãos do país expectativa de mudanças que possam fazer jus ao que dizia Rousseau em sua mais famosa obra; trata-se de Cármen Lúcia, atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

     Em setembro de 2017 completará um ano a posse do cargo de presidente por Cármen Lúcia, marcado por um discurso de perspectiva extremamente transformadora, o que deixou o povo brasileiro com expectativas de mudanças no Judiciário do país. A primeira frase do discurso da ministra já sinalizou uma das tendências de mudança: em vez de primeiramente saudar o presidente da república Michel Temer, como de costume, saudou “Sua Excelência, o povo”. Tal conduta revela sua intenção de priorizar o cidadão brasileiro, considerando-o a maior autoridade e principal agente da política. Colocando a população não abaixo de políticos e do setor Judiciário, mas no mesmo patamar de importância, a presidente já inicia a evidenciar outras condutas que deixam claras no decorrer do discurso.

     “Privilégios são incompatíveis com a República”, proferiu Cármen Lúcia para o jornal Folha de S. Paulo, em 2015, pauta que não foi abandonada quando assumiu seu cargo no STF. Dentre suas promessas, a presidente pretende cortar privilégios dentro da justiça, como evidenciado quase um ano após sua posse quando se posiciona contra o reajuste salarial pedido por juízes, com a intenção de combater a corrupção e o abuso de poder por membros do poder público do brasileiro.

      É claro que a efetiva mudança de rumo político do país não ocorrerá da noite para o dia, porém figuras dispostas a lutar por isso parecem começar a aparecer.

Gabriela Coelho Silveira

Conheça o texto vencedor do Festival Livre Opinião 2016

Para aquecer os leitores de plantão e inspirar os escritores de última hora – ops, semana! -, publicamos o texto vencedor do Festival Livre Opinião em 2016. A Alessandra Blucher, da 3E2 do ano passado, levou o primeiro lugar com esse belo poema sobre a visão, em seus sentidos vários. Quem disse que opinião não combina com metáforas? 😉

 

Diagnóstico Ocular

Dá-me um óculos.
Não para enxergar melhor
Mas fazê-lo verdadeiramente
Vendo a realidade bordada constantemente.

Minha visão necessita de ajustes.
Há um problema em enxergar perfeitamente
Algo tão completamente embaçado.
Impossível algo não estar errado.

Qual seu grau?
Grau de privilégio?
Grau de ingenuidade?
Quanto você encarrega seus olhos da verdade?

Me recuso a acreditar que não há problemas ópticos.
Tu dizes que é opção enxergar além do próximo?
Basta de lirismo e choro.
Egoísmo é mau do olho.

Alessandra Blucher

Aula 12: Unifesp

Na próxima quinta-feira (31/08), as turmas de Laboratório de Redação irão discutir a respeito do voto nulo.

A fim de se preparar para a aula, além da coletânea fornecida pela proposta da Unifesp, indicamos também o seguinte material:

a) dados relativos à votação para as eleições municipais de 2016;

b) informações sobre votos brancos e nulos.

Boa leitura e boa aula, terceirôô!

Texto-modelo (aulas 7 e 8) – Lúcia Moon

Abaixo, vocês poderão ler o texto escrito (na aula 7) e reescrito (na aula 8) pela colega Lúcia Moon. A colega julgou que o elemento mais importante a ser discutido (lembremo-nos de que a proposta era argumentar sobre A atual geração de jovens brasileiros e o futuro: expectativas e possibilidades) era o problema ambiental.

Além de o texto estar bastante consistente, com dados concretos que comprovam que o futuro a ser enfrentado pelos jovens brasileiros, no âmbito climático, é pouco promissor, o trabalho de reescrita feito pela colega foi digno de nota – literalmente! A Lúcia conseguiu apropriar-se de cada orientação dada pela corretora (com relação a ideias e linguagem, especialmente), tornando a segunda versão ainda melhor do que a primeira.

Parabéns, Lúcia! 

Boa leitura a todos!

Mudar o presente para um futuro melhor

          Não se pode negar que as gerações passadas deixaram aos jovens brasileiros da atualidade problemas grandes. Um deles, muito relevante, é o planeta um tanto deteriorado. A conscientização sobre a preservação do meio ambiente veio muito tarde e, lamentavelmente, é deixada de lado por aqueles que mais têm poder para mudar essa realidade. Apesar desse fato, pode-se perceber que os jovens brasileiros têm preocupações relevantes, sendo a maior delas a preocupação com o efeito estufa, e mobilizam-se para revertê-lo, algo de que se deve orgulhar.
Até a conferência Eco 92, no Rio de Janeiro, em 1992, nunca havia sido reconhecido o perigo na maneira com a qual se tratava o planeta. É inegável que o aquecimento global é um problema que mal será percebido por quem teve maior participação na causa dele, uma vez que são mais velhos e já não estarão vivos quando a situação se agravar. Não vão, por exemplo, sofrer com a escassez de água em diversos pontos do planeta, fato que ocorrerá se as temperaturas continuarem subindo. Além disso, é possível notar que, se forem colocadas preocupações com o meio ambiente e lucro em uma balança, ela vai, muito frequentemente, pesar mais para o lado do dinheiro. São exemplos dessa realidade as indústrias que não filtram a fumaça que liberam porque é caro ou o desmatamento da Floresta Amazônica para a monocultura ou a pecuária. Dessa maneira, é possível perceber que a geração anterior danificou e ainda danifica o planeta, pouco se importando com a juventude atual, que tem consciência de que terá que arcar com as consequências de seus atos.
Além do fato de saberem que são eles que vão ter que lidar com os efeitos mais graves do aquecimento global, os jovens se importam mais com a mudança climática do que seus antecessores porque nasceram em um mundo no qual já se falava de preocupação ambiental. É possível perceber, em suas atitudes cotidianas, o positivo esforço dos jovens para mudar essa realidade. Um ato simples como parar de comer carne é muito efetivo para a diminuição da liberação de gases estufa. Estudos da Universidade de Oxford para o programa “Future of Food” mostram que se a produção de carne fosse interrompida, cairia 70% das emissões de gases do efeito estufa. É possível perceber que a juventude brasileira está ciente disso e muda seus hábitos pelo planeta, como se pode comprovar na reportagem da Gazeta Digital, publicada em 2009, na qual se afirma que “jovens brasileiros são os que mais buscam ser vegetarianos”, fato que gera otimismo em relação ao futuro.
Portanto, conclui-se que a juventude brasileira vai ter que enfrentar desafios para corrigir os erros das gerações passadas, em especial quando se trata de mudanças climáticas. E, percebe-se que ela não se conforma com a situação; ela tenta mudá-la em prol de seu futuro e do futuro do planeta.